75 anos de um Documento decisivo para Schoenstatt

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“Como pude dizer há cinco anos, continuo a pensar que este documento foi, em certo sentido, revolucionário” (Papa Francisco, 2 de fevereiro de 2022)

“Não lhes parece que temos uma grande missão? A missão de mostrar ao mundo, que essa forma de vida não só é necessária, não só a exige o Espírito Santo, mas que também é possível” (Pe. José Kentenich às Senhoras de Schoenstatt, 10.4.1950)

Karen Bueno – Há 75 anos a Igreja dava um passo que hoje, em 2022, o Papa Francisco chama de “revolucionário”. Em 2 de fevereiro de 1947 o Papa Pio XII fazia valer sua Constituição Apostólica Provida Mater Ecclesia. Esse documento é a base jurídica pela qual a Igreja reconhece, ao lado das Ordens Religiosas Tradicionais, as novas comunidades de vida consagrada. Para o Movimento Apostólico de Schoenstatt, esse é um momento decisivo, pois a partir daí seus Institutos Seculares ganham um espaço reconhecido pela Igreja.

A inspiração divina fez o Pe. José Kentenich fundar, de 1926 a 1946, cinco dos seis Institutos Seculares que integram a Obra de Schoenstatt (Sacerdotes Diocesanos, Irmãs de Maria, Irmãos de Maria, Senhoras e Famílias de Schoenstatt). Todos eles constituem uma proposta ousada. “Em que consiste a nossa tarefa? Nós temos de provar que somos capazes de viver no meio do mundo, não para secularizar o cristianismo, mas para cristianizar o mundo, na nossa própria personalidade, no nosso ritmo de vida”, dizia o Fundador.

O Papa Pio XII reconhecia o valor dos Institutos, por isso assinou essa Constituição Apostólica, na qual afirma: “Os mais antigos desses Institutos deram provas de seu valor; mostraram, por obras e fatos que, graças à escolha prudente e severa dos membros, a uma formação cuidadosa e demorada, a uma regra de vida adequada, firme e maleável, por um chamado especial de Deus e com sua graça, pode-se fazer, mesmo no mundo, uma consagração de si ao Senhor, estrita e eficaz, não só interior, mas também exterior e quase religiosa, tornando-se assim utilíssimo instrumento de presença e apostolado” (n°10).

Em que consiste essa modernidade?

A dinâmica de vida dos Institutos Seculares é diferente das ordens religiosas tradicionais, pois não exige que seus membros façam votos. Ao contrário, eles vivem os conselhos evangélicos de pobreza, obediência e castidade livremente e por amor, sem o peso de um juramento com caráter jurídico.

Estar no mundo, ser sal, luz e fermento para a sociedade é parte da missão dessas novas comunidades. Pe. Kentenich dizia: “Nós nos alegramos de ser um dos mais novos e modernos ramos da árvore do estado de perfeição cristã. Em que consiste essa modernidade? Em ser capazes de servir a Deus não só em casa, mas também na rua. Dito diretamente: Nós pertencemos à estrada, formulação muito sutil, mas que atinge o núcleo essencial. Mesmo aí onde seja perigoso. Os religiosos de estilo tradicional retiram-se do mundo perigoso. Nós, pelo contrário, vamos para o meio do mundo. […] Queremos cristianizar o mundo e não secularizar o cristianismo. Quanta austeridade, clausura exterior e abertura interior se exige!”.

Nas palavras de São João Paulo II, “os membros dos Institutos Seculares encontram-se, por vocação e missão, no ponto de encruzilhada entre a iniciativa de Deus e a expectativa das criaturas: a iniciativa de Deus, que eles levam ao mundo através do amor e da íntima união a Cristo; a expectativa das criaturas, que compartilham a condição quotidiana e secular dos seus semelhantes, assumindo as contradições e as esperanças de cada ser humano, sobretudo dos mais frágeis e sofredores”. São “o sinal de uma Igreja amiga dos homens, capaz de oferecer consolação a todos os gêneros de aflição, pronta a sustentar todo o verdadeiro progresso da convivência humana, mas ao mesmo tempo intransigente contra qualquer opção de morte, violência, falsidade e injustiça”.

Hoje, em 2022, o Papa Francisco menciona aos consagrados: “É precisamente esta dedicação indivisa ao Reino que vos permite revelar a vocação originária do mundo, estar a serviço do caminho de santificação do homem. A especificidade do carisma dos Institutos Seculares chama-vos a ser radicais e, ao mesmo tempo, livres e criativos para acolher do Espírito Santo o modo mais adequado de viver o testemunho cristão”(2).

O Pai e Fundador agradece ao Papa

Pe. Kentenich reconhecia a ousadia do Papa Pio XII em assinar esse documento, que contava ainda com opiniões contrárias na Igreja. “É uma grande responsabilidade que assumimos – dizia o Pai e Fundador –, responsabilidade por nós, por Schoenstatt, por toda a Igreja, também pelo Santo Padre, que com tanta coragem assinou essa Constituição Apostólica, embora sabendo que ainda havia uma grande oposição a essas ideias e a essa forma de vida”.

Dessa forma o Fundador, no dia 14 de março de 1947, participou de uma audiência com o Papa Pio XII, na qual agradeceu pessoalmente ao Santo Padre pela Constituição Apostólica e garantiu a fidelidade e o serviço dos Institutos de Schoenstatt à Igreja. Tal missão ganhou ainda mais força com a fundação do Instituto dos Padres de Schoenstatt, em 1965, completando as seis comunidades seculares do Movimento.

 

Os textos do Pe. José Kentenich foram retirados do livro: A Sua missão, Nossa MISSÃO. Peter Wolf (editor).

(2) Carta do Santo Padre Franciso à Sra. Jolanta Szpilarewicz, presidente da Conferência Mundial dos Institutos Seculares, por ocasião do 75º aniversário da Constituição Apostólica Provida Mater Ecclesia

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