A arte de transfigurar a vida de cada dia

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Ir. M. Emilie traz o testemunho de uma filha muito amada do Pai que irradiou isso ao mundo

Ir. M. Daniele Ramos – Cada vez mais lemos e ouvimos que vivemos num mundo em constante mudança. São muitos os desafios que, por vezes, exigem de nós uma posição inovadora.

“Há um mundo sempre antigo e sempre novo…” Já em 1912 o desejo de mudança era um imperativo do tempo e nos é conhecida a proposta de nosso Pai e Fundador aos jovens. Uma fórmula simples, eficiente e, ao mesmo tempo, decisiva de transformação da realidade em que viviam: autoeducação.

É verdade, o mundo exige mudanças e temos a necessidade de mudar. A renovação do macrocosmo continua hoje dependente do domínio e da transfiguração do microcosmo, de nosso pequeno mundo interior. O grande desafio e dificuldade é aceitarmos que essa transformação deve acontecer dentro de cada um de nós.

O lema escolhido pela Família de Schoenstatt do Brasil, “Família Tabor, transfigura hoje a realidade”, nos convida justamente a percorrer esse caminho. Por ele, somos convidados a transformar, transfigurar os acontecimentos, por uma predisposição positiva em relação a eles.

O “Sim Pai” que tudo transfigura

 

 

Um exemplo de quem trilhou este caminho é a Ir. M. Emílie Engel, cujo aniversário hoje recordamos (5 de fevereiro). O lema “Sim Pai”, assumido como seu ideal de vida, tem muito a nos ensinar. Na escola do Santuário, da Aliança de Amor e, sobretudo, sob a direção espiritual do Fundador, Ir. M. Emilie descobriu o verdadeiro rosto de Deus como um Pai rico em amor e misericórdia, que nos ama sempre, mesmo quando caímos ou lhe viramos as costas. Por isso, mesmo duramente provada, Ir. M. Emilie soube transfigurar seu sofrimento e sua dor na certeza do amor paternal de Deus que dirigia sua vida. Em tudo e sempre ela renovava o “Sim Pai” e procurava causar alegria ao bom Deus. Esta atitude lhe deu uma predisposição positiva diante da vida e dos acontecimentos. Deste modo, se tornou um polo de paz no qual muitas pessoas encontraram abrigo e segurança em suas aflições.

Mas não foi sempre assim na sua vida. Emilie Engel trazia uma imagem errada de Deus, formada já na sua infância. Temia a Deus como um juiz severo e julgava que, por uma mínima falta sua, pudesse ser castigada e “perder o bom Deus”. Este sentimento foi tornando-a escrupulosa, tímida e introvertida, sem liberdade interior.

Até que… Schoenstatt entrou em sua vida. No Santuário, ela fez uma experiência profunda e positiva de Deus que se transformou na experiência central de sua vida. Neste caminho, Ir. M. Emílie encontrou sempre mais a felicidade e a alegria de viver. A partir deste “lugarzinho”, sua vida se transformou, transfigurando aspectos antes envolvidos na “escuridão”.

O que Ir. M. Emilie descobriu em Schoenstatt?

 

(Foto: Monique Vaz, @desenhocatolico)

 

Descobriu que o olhar de Deus Pai se volve para nós com indescritível e imenso amor. Acompanha-nos em cada momento e nos protege.

Na força transformadora da Aliança de Amor, Ir. M. Emilie foi educada até que podia afirmar do íntimo do seu coração: “Eu sei que tu és meu bom Pai”. Ela explica: “Vemos o olhar do Pai repousar sobre nós com indizível amor. Sim, ele nos persegue a cada momento, para nos proteger e fazer o bem”. Ela sabia que estava abrigada sob esse bondoso olhar. E, mesmo quando Deus exigia algo difícil e incompreensível, ela não se deixava confundir, mas se abandonava à Divina Providência, pois acreditava: “o que o Pai faz ou permite é sempre bom, mesmo que exteriormente tudo permanece inexplicável”. É dela também a afirmação: “Para que precisamos saber o que foi determinado para nós daqui 5 minutos? Somente precisamos saber o que o Pai previu para o momento presente”. Nesta fé ela pôde experimentar mil vezes: Deus cuida! Deus é bom! E bom é tudo o que Ele faz e permite!

Transformada pela Aliança de Amor, Ir. M. Emílie se tornou ela mesma luz que ajudou a transfigurar a vida dos que conviviam com ela. Alguém que conviveu com Ir. M. Emilie testemunha: “Todas amávamos Emilie, não podia ser diferente. Irradiava-se dela um mundo diferente, iluminando a sua existência repleta de dor, com o brilho da transfiguração. Sentíamo-nos felizes na sua proximidade. Emilie era o respeito personificado e possuía uma genialidade genial, que, perante Deus e as outras pessoas, a transformava numa pessoa bela, simpática e amável. Representava realmente o ‘novo homem’ que o Padre Kentenich e a Mãe de Deus esperam encontrar em nós” (Emilie Engel, Uma vida doada a Deus e ao próximo, p. 37).

Um sorriso que continua “transfigurando” a realidade

 

(Foto: Lichi Mariño, via cathopic.com)

 

O sorriso estampado em seu rosto se tornou, para muitas pessoas que têm contato com a foto de Ir. M. Emílie, uma “fonte de luz”. “Que olhar cristalino”, “Quanta paz este sorriso me traz”, são afirmações comuns de pessoas que entram em contato com o folheto com a oração pedindo sua beatificação. Os responsáveis pelos secretariados que trabalham para sua causa de beatificação que o digam!

No Paraguai, a Campanha da Mãe Peregrina tem até mesmo uma imagem peregrina especial, que leva o nome “Serenidad” (serenidade) e é acompanhada de uma novena pela beatificação de Ir. M. Emilie. E é dedicada especialmente ao apostolado entre os doentes de depressão.

E nós, somos também uma fonte luz que ajuda a transfigurar a vida dos que convivem conosco?

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