A Assistência da Santíssima Trindade em Schoenstatt

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Pela Mãe de Deus ao Deus Trino

Karen Bueno – Em 1947 o Pai e Fundador viaja pela primeira vez à América do Sul, passando pelos países onde as Irmãs de Maria tinham se estabelecido. Nessa época, o Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt, buscando a união interior e exterior da comunidade, se divide em três Províncias distintas: uma na Argentina, outra no Brasil e outra no Chile.

Como pedido do Pai e Fundador, essas três Províncias se unem em uma “assistência trinitária”. Ele mesmo explica: “As três Províncias das Irmãs na América do Sul resolveram unir-se. Uma Província chama Filhas de Cristo, a outra Filhas do Espírito Santo, a terceira Filhas do Pai. É uma forma de definir ideais totalmente deferentes dos praticados até agora. Até agora o ideal captava apenas um raio da Mãe de Deus. […] Ali partiram da perspectiva do Ofício de Schoenstatt e tiveram a ideia: queremos ser Província Cenáculo, Nazaré, Tabor. Aqui, Filhas de Cristo, Filhas de Deus Pai e Filhas do Espírito Santo. As três Províncias uniram-se numa Assistência Trinitária. Tudo quer chegar ao Deus Trino, partindo da Mãe de Deus”.

Cada uma das Províncias fica responsável por garantir a ligação com uma pessoa da Santíssima Trindade, assim, às Irmãs da Argentina cabe serem Filhas do Pai, um novo Nazaré; as Irmãs do Brasil devem ser Filhas de Cristo, aspirando o Tabor; e no Chile as Irmãs devem ser Filhas do Espírito Santo, um novo Cenáculo.

A princípio essa missão é dada apenas para o Instituto das Irmãs de Maria, mas com o tempo e o olhar do Fundador, a missão se estendeu para toda a Família de Schoenstatt de cada um desses países, que assumiu o espírito da Assistência Trinitária. “O Pe. Kentenich, quando viaja pelos diferentes países, especialmente Argentina, Brasil e Chile, conhece e descobre certas características da alma de cada povo. E assim, cada país tem seu rosto e sua missão original que lhe dá uma identidade, mas que, em conjunto, se complementam e se unem”, diz a Sra. Raquel Padilla, do Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt.

“O Pe. Kentenich tem um pensar estrategista, e sua estratégia pastoral se adapta a cada povo. A Assistência Trinitária é um plano em conjunto que ele vai detectando com os sinais. Ele percebeu que precisava vincular o povo da América Latina à Santíssima Trindade por meio de Maria”, diz Pe. Ottomar Schneider.

 

Argentina: Pai

A Argentina tem uma ligação profunda com a figura de Deus Pai e vive o espírito de Nazaré. “Uma das mensagens centrais de Schoenstatt é a paternidade de Deus e a necessidade de formar sua imagem nos homens, que devem ser um transparente do divino. O Pe. Kentenich descobre na alma do povo argentino o espírito paternal, vê então que pode entregar à Argentina essa missão de ser um transparente do Pai”, explica a Sra. Raquel Padilla, que é argentina.

O ideal nacional do país está expresso na frase ‘Com Maria, Família do Pai’. “Este ideal se sustenta na concepção que Deus Pai é o centro, e a Ele se dirige nosso caminho e n’Ele se realizará a máxima plenitude de nossa realidade humana. Nele e com Ele formamos uma Família, a Família de Nazaré. A cabeça, o centro é o Pai”, diz a Sra. Raquel.

Ser Família do Pai é um grande desafio: “O mundo está diante de uma grande crise de autoridade paterna, por isso é importante para a Família de Schoenstatt da Argentina forjar e viver o organismo natural e sobrenatural das vinculações. Um ponto essencial é fortalecer a figura paternal tanto a nível natural como sobrenatural. Para garantir esse espírito é preciso cultivar um vínculo forte com Deus Pai, sendo um reflexo do amor de Deus, de um Pai rico em misericórdia; também é preciso um vínculo forte com o Pe. Kentenich, já que ele nos é um transparente do amor e da presença paternal de Deus”, afirma a Senhora de Schoenstatt.

 

Brasil: Filho

Por toda parte do Brasil se escuta a expressão ‘Tabor’, ‘ser Tabor’. Este é o ideal da Família de Schoenstatt brasileira. “Quando o Pai e Fundador chegou ao Brasil, ele percebeu que o povo tinha uma receptividade muito filial, um coração aberto e filial, e isso naturalmente remete à pessoa de Cristo, o Filho, por isso confiou ao povo brasileiro a missão da filialidade heroica, traduzida no Tabor, o que ele chama de ‘seu segredo’ no Documento de Fundação”, diz Pe. Ottomar Schneider.

Do Santuário, a Mãe de Deus quer formar cada brasileiro à imagem do Cristo transfigurado; um outro aspecto é quando o Pai e Fundador diz, citando as Escrituras, que o Tabor é um lugar onde é bom estar. Cada Santuário deve ser um Tabor das glórias de Maria, e como Santuários vivos, os filhos de Schoenstatt têm a missão de irradiar o Tabor em seu ser.

Na prática, ser um vivo Tabor significa, segundo Pe. Ottomar, viver a filialidade: “Para sermos filiais precisamos deixar que a Mãe de Deus nos eduque, nos forme, para vencer as situações difíceis da nossa vida, ao mesmo tempo tendo como modelo e ideal a imagem do Cristo transfigurado”.

 

Chile: Espírito Santo

Do outro lado do continente, atrás das Cordilheiras, fica o “Cenáculo de Schoenstatt”, o Chile. Neste país o Pai e Fundador vê uma grande ligação com o Espírito Santo. “A missão de Pentecostes, de Cenáculo, está muito relacionada com o espírito de Família, de comunhão. Pentecostes é o envio dos apóstolos em missão, e no Chile essa característica missionária é muito forte desde o começo, ela se deu e se manteve. A passagem do Cenáculo é o momento em que os apóstolos, com Maria e em oração, estão numa comunhão especial e recebem a força do Espírito Santo para sair em missão. Todo o Movimento, no mundo inteiro, tem essa característica missionária, mas no Chile penso que é algo próprio”, afirma Pe. Ivan Simicic, chileno.

No Chile acontece um episódio importante da história de Schoenstatt, o Terceiro Marco Histórico, e isso está diretamente ligado com a missão do Cenáculo segundo Pe. Ivan: “O acento deste terceiro Marco Histórico é um novo envio missionário do Pai e Fundador para todo o Movimento, por isso Pentecostes tem relação com o 31 de Maio. A Família de Schoenstatt do Chile se sente bastante responsável por esse novo envio, que apresenta a missão de Schoenstatt para a Igreja”.

O ideal nacional do país é ser “Cenáculo do Pai para um novo Pentecostes”. “Na prática, viver o ideal de Cenáculo é viver essa missionariedade de forma concreta; a partir do Santuário, devemos ser missionários, ser discípulos hoje, assumindo a missão do 31 de Maio, vivendo o pensar, viver e amar orgânicos em aliança com a Igreja, e isso requer renovação”, diz Pe. Ivan.

 

Maria nos leva a um único Deus

Schoenstatt é Família, e esses três países vivem isso de forma clara, em mútua cooperação, se complementando. Por essas três tarefas específicas, fica garantido ao Movimento na América Latina a consciência da paternidade, da filialidade e da missionariedade como faces de uma mesma moeda. “Sabemos que não somos apenas a ocupação predileta da Mãe de Deus, mas também do Deus Trino”, diz o Fundador, e é nessa consciência que Schoenstatt se forma como um novo Nazaré, um novo Tabor e um novo Cenáculo para a Igreja e o mundo.

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