A ‘Baleia Azul’ na história de Schoenstatt

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“Nós existimos para algo de grande” (Pe. José Kentenich)

 

A Mãe venceu esse jogo.

Karen Bueno – Atualmente, muitos adolescentes e jovens caminham por uma estrada dura de sacrifícios e renúncias, de silêncio, que leva à morte. A escolha de jogar a “Baleia Azul” faz com que alguns se revelem corajosos ao aceitar o desafio e, ao mesmo tempo, profundamente fracos por desistir da vida. Em 1912, Pe. José Kentenich assumiu a direção espiritual de um grupo de jovens seminaristas. Eram tempos difíceis, o mundo vivia grande tensão – talvez não tão diferente de hoje. O trabalho espiritual foi intenso e cheio de vida, mas uma grande “Baleia Azul” rondava e ameaçava aqueles dispostos corações juvenis.

A Primeira Guerra Mundial – o “jogo” que os jovens congregados seriam obrigados a entrar – ditava regras de aniquilação, de dor, de morte. Diante de tamanha ofensiva, o que poderia o Pai e Fundador fazer por seus filhos espirituais?

Um caminho

A solução encontrada foi colocar Maria como Educadora daqueles jovens. Ele pouco poderia fazer estando distante deles, mas sabia que ela, a Mãe, poderia cuidar, orientar, proteger – o próprio Pe. Kentenich viveu isso em sua vida pessoal.

A Aliança de Amor foi a resposta para a ameaça da Guerra, pois com ela os jovens ganharam uma razão real, intensa, para viver e lutar. A Mãe de Deus se mostrou Educadora e Vencedora nos campos de batalha. Muitos morreram, sim, é verdade, mas morreram lutando e entregando a vida por nobres ideais, não simplesmente pelas dificuldades do tempo e do contexto que viviam.

Aos pais

A proposta do Pe. José Kentenich se estende aos pais na atualidade. Quando os filhos são confrontados por jogos ameaçadores, mas também por muitas outras coisas ligadas a uma cultura de morte, a cultura da Aliança se faz um imperativo. É tempo de confiar a Maria e educação e condução dos jovens. Mas não só isso.

Mesmo estando longe dos congregados, o Fundador se fazia presente em suas vidas, acompanhava sua rotina e seu desenvolvimento interior. Não são poucas as cartas trocadas nessa época, uma mais comovente que a outra. O Pai era, de fato, um pai. Ele sabia dos seus, conhecia e se interessava pela vida de cada um deles. “Grande parte desta liderança reflete-se nas centenas e centenas de cartas que ele escreveu aos seus jovens durante a guerra, que revelam a sua preocupação pessoal, o tom prático da sua direção espiritual e a atenção para com a necessidade de constituir comunidade mesmo durante a guerra” (Pe. Jonathan Niehaus, livro Herois de Fogo).

A vida do Pe. Kentenich ensina o cuidado com os filhos, a atenção pessoal, o amor individual, sempre sob o cuidado da Mãe. O jovem soldado Waldbröl, congregado mariano, escrevia em carta ao Fundador: “Quantas milhares de dificuldades e tentações ultrapassamos naquelas poucas semanas! Estamos estupefatos: quase não tínhamos força suficiente para lutar contra as nossas próprias fraquezas. E agora esses lindos sucessos! Sim, Maria tem se mostrado admirável. Eram esses os nossos pensamentos na capela e pouco depois pudemos exprimi-los por palavras”.

Aos filhos

As dificuldades da Guerra, entre 1914 e 1918, eram muito grandes. O jovem sargento Keil, congregado da geração fundadora de Schoenstatt, escreve ao Pe. Kentenich:

“Hoje, quando penso em Schoenstatt, o meu coração fica pesado e melancólico. Aí tudo é solene e festivo. E aqui? Ontem à noite só desejava gritar. Tudo isso me aborrece até as lágrimas. As pessoas são tão frias e vazias! Mas, por volta das dez horas, fui com a minha gente à Missa Solene aqui no bosque. E aí encontrei aquilo que procurava. Quando o Senhor entrou no meu coração pela Eucaristia, rezei profundamente mais uma vez para que o Espírito Santo me sustente com a sua força e o fogo ardente do seu amor me consuma de forma que eu consiga resistir a esta prova de fogo. Hoje rezei com humildade e como um menino pequeno, pedindo que a guerra, com os seus perigos e tempestades, me permita amadurecer intelectualmente e que faça de mim o homem que agarra completamente a sua tarefa de vida. Até agora continuo o mesmo. Posso dizer-lhe, querido Padre: a licença não me apanhou desprevenido: coloquei-me sob o manto da nossa MTA e, graças a Deus, Maria deu-me a força e a perseverança quando veio a hora da batalha”.
(texto publicado na revista MTA Nº 17, 27 de agosto de 1916).

O relato começa melancólico, mas desabrocha num lindo testemunho de força e confiança, pois ele sabe que luta por grandes ideais e sua vida é importante para Deus e para a Mãe de Deus. É interessante notar que ele pede apoio nas horas de dificuldade, se sustenta na Eucaristia, no amor da Mãe, e também pede orientação ao Pe. Kentenich, uma pessoa de confiança.

A herança dos congregados marianos é um modelo para os jovens atuais, um grito de que a vida merece ser vivida para os grandes ideais, pois Deus os ama pessoalmente – como ama, hoje, a cada adolescente e jovem, a cada pessoa: seu nome está inscrito no coração do Pai.

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