A primeira missão de rua do Jumas

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“Onde há Schoenstatt, deveria haver miséria?”

Davi Vilarinho / Karen Bueno – Esse simples e profundo questionamento foi o que despertou uma inquietação e motivou para, durante os dias 9, 10 e 11 de fevereiro de 2018, a Juventude Masculina de Schoenstatt (Jumas), do Regional Sudeste, ir ao encontro dos irmãos de rua no centro da cidade de São Paulo/SP.

Mas, era preciso antes aprender e essa resposta veio do contato entre o assessor regional do Jumas, Pe. Ailton Brito, com membros da Missão Belém. Essa Obra religiosa realiza regularmente um trabalho no centro da capital, acolhendo pessoas das ruas, acompanhando-as, evangelizando e auxiliando aquelas que desejam conquistar uma vida nova, longe dos vícios.

No primeiro dia, o Jumas foi enviado do Santuário Sião, no Jaraguá, e foi até o bairro do Belém encontrar outros missionários que podiam ensinar sobre esse tipo de missão.

O desprendimento era importante para começar a missão de levar Cristo para os irmãos de rua e assim estar realmente inserido naquela realidade. Assim, os jovens partiram apenas com uma troca de roupa, um par de chinelos, dois sacos de lixo para fazer a mochila e o dinheiro da passagem. Os 13 jovens eram das cidades de São Paulo (Jaraguá e Vila Mariana), Atibaia/SP, Campinas/SP, São Bernardo do Campo/SP e São Sebastião do Paraíso/MG. Junto com eles também estavam os assessores, Pe. Ailton, Pe. Afonso Wosny e o seminarista Vitor Possetti, mais alguns missionários da Missão Belém.

A primeira tarde de trabalho foi na região da Catedral da Sé e ali os missionários deram o primeiro passo para começar realmente a missão e encontrar aqueles que Deus colocasse no caminho. E, com uma conversa próxima e pessoal, conseguiam partilhar Cristo entre as ruas da Praça da Sé, além de oferecer a mudança clara de vida e dirigir os irmãos de rua para a casa de acolhida da Missão Belém. Após isso, todos eram convidados para a missa na Praça em frente à Catedral. Com pouca estrutura e pessoas circulando em volta, sem saber o que se passava, fazia mais grandioso aquele momento.

Houve missa para os missionários e moradores de rua em frente a Catedral da Sé

Chegava a noite e os missionários iam atrás de papelão para se proteger do frio que, com mais dois cobertores, foram o suficiente para dormir no chão do ‘Pateo do Colégio’, lugar com grande importância histórica onde foi levantada a primeira construção da atual cidade de São Paulo. Naquele dia, o papelão e os cobertores eram o que muitos ali, incluindo alguns irmãos de rua, tinham de mais valioso durante a noite, além do céu estrelado como teto.

No segundo dia, após a oração da manhã e o terço, a primeira refeição exigiu a humilde atitude de pedir alimento nas ruas. Tudo o que se conseguia era reunido com os demais missionários para um café da manhã comunitário, para comer o alimento partilhado igualmente entre todos. Bem próximo podia-se observar um enorme contraste. De um lado, a Sala São Paulo, frequentada por importantes nomes da música e figuras da mais alta classe, e, do outro lado, se via sem muito esforço a região conhecida como “Cracolândia”, que concentra um grande fluxo de pessoas usuárias de drogas. Ali os missionários também estiveram e encontraram pessoas aprisionadas pela droga, distantes de viver suas vidas cheias de anseios, sonhos, conquistas, em família e, na grande maioria das vezes, a vida de fé e oração.

Pablo Garcia, de Atibaia/SP, partilha sobre sua vivência: “Ter o contato com tantas histórias, uma mais triste que outra, me fez repensar a maneira que vejo aquele mais pobre. Ver uma pessoa que vive sem dignidade alguma e tudo o que ela mais precisa é de alguém que dê um mínimo de carinho, e isso é suficiente para dar forças a ela iniciar a caminhada rumo a uma vida nova. Digo isso para que todos lembrem que por mais afundado na droga que uma pessoa esteja, ela continua sendo um ser humano e merece ser tratada com todo o respeito”.

Para Jeberson Moreira, de São Sebastião do Paraíso/MG, essa experiência o ajudou a aprofundar sua vivência de Aliança de Amor: “Estar dentre nossos irmãos de rua, fazendo-me como um deles e vivendo uma mínima parcela do que vivem, me fez repensar muito sobre alguns conceitos de vida. Ter a oportunidade de estar ao lado da Missão Belém para resgatar esses irmãos e lhes devolver a dignidade humana foi algo que me marcou muito. Também estar ao lado de alguns meninos do Jumas Sudeste, podendo partilhar um pouco mais de uma experiência que contribui bastante para o crescimento de cada um na Aliança de Amor, confirma cada vez mais que a Aliança de Amor que selei com a MTA foi a escolha mais certa e confiável que já fiz até hoje. Só tenho a agradecer por tudo que vivi”.

Após um almoço oferecido pela Missão Belém, o Jumas seguiu de volta para a rua e, continuando a espiritualidade que os movia, uma partilha foi feita com os moradores de rua tendo como centro o evangelho. Após a noite de descanso, retornaram para o Jaraguá com um agradecimento especial à Missão Belém. Com a alegria de 35 irmãos que saíram das ruas, grandes experiências vividas de encontro com o Cristo que sofre, partilhar Cristo e a reflexão com o Deus da vida.

 

 

Mais fotos no site do Jumas Brasil

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