Aparecida: O poder do amor verdadeiro

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(Foto: Juciellen Ribeiro)

 

Primeiro encontra-se o coração e depois a cabeça da imagem

Ir. M. Nilza P. da Silva – Uma das coisas que impressionam no encontro da imagem de nossa querida Mãe Aparecida é que ela foi pescada em duas partes. Nas redes de Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso o corpo apareceu primeiro e a cabeça foi pescada depois, há alguns quilômetros de distância.

 

Primeiro vem o coração!

Ela surge devagar! Isso traz uma mensagem e uma lição muito grandes para nós missionários: O evangelho não é uma ideologia para qual é preciso, em primeiro lugar, convencer as pessoas pela razão. Mas, o Evangelho é o Amor de Deus que busca seus filhos, que se faz um de nós, para nos reunir como família. Por isso, antes de anunciar a Jesus com palavras, é preciso amá-lo e abrir o coração para amar o outro, assim como fez a Mãe Aparecida.

Apresentando primeiro o seu corpo, o seu coração materno, Maria ensina, como diz o Papa Francisco, que evangelizar é “levar a ternura e a carícia de Deus, nosso Pai, especialmente aos seus filhos mais necessitados” [1]

 

A cabeça precisa unir-se ao coração

Contudo, a fé não pode ficar apenas na subjetividade: sinto que Deus me diz isso, meu coração está apertado, tenho forte emoção, dá vontade de chorar… É preciso “dar razão à nossa esperança” [2] A fé não é um sentimento e não pode depender dele. Fé é graça divina unida à decisão pessoal. Santa Teresa d’Ávila é exemplo de quem creu e rezou durante muitos anos, sem que seus sentimentos a ajudassem. Ela reza: “Senhor, se quereis, dai-me oração, se não, dai-me o deserto espiritual, sem abundancia e devoção e, se não, esterilidade. Soberana Majestade, eu falarei sempre apenas da paz” [3] Santa Teresa de Calcutá também passou por crises pesadas, diz o seu confessor: “Ela compreendeu o que significa a escuridão.”

Jesus também nos dá o exemplo de que a unidade com o Pai é mais do que sentimentos, sua cruz é a maior prova disso. Ele a carregou e deixou-se nela pregar, mesmo que seus sentimentos estivessem contra, como nos revela sua oração: “Pai, afasta de mim este cálice!” (Lucas 22,42) Mas, ele não se deixa guiar só pelo que sente: “Entretanto, não seja feita a minha vontade, mas o que Tu desejas!” (Idem) Quando os sentimentos se unem à fé, é bem mais fácil seguir a Deus. Mas, quando nada se sente e se continua a crer, então, isso prova que a fé é verdadeira. Assim o Pe. Kentenich ensina-nos a rezar: “Podes usar-nos no trabalho, dar-nos cruz, sofrimento e aflição; quer no êxito ou no fracasso, anunciaremos teu amor.” [4]

Este é o ensinamento de Aparecida, quando ao seu corpo, com o coração, Maria une também a sua cabeça e só assim o corpo está completo. Pe. Kentenich chama isso de: pensar, vive e amar orgânicos. Ali no Rio Paraíba, somente quando se dá esse equilíbrio, entre o afeto e a razão, começam a acontecer os milagres, sendo o primeiro deles, uma pesca em abundância.

 

Aparecida é imagem da Igreja

Maria, em Aparecida, é imagem da Igreja: um corpo vivo que tem cabeça e coração. “É uma igreja, irmanada, em forma profunda, pelos laços da fraternidade, mas também retida e governada pela hierarquia.” [5] O amor a Igreja se comprova e amadurece na obediência aos que Deus revestiu de autoridade, sobretudo ao Santo Padre o Papa. Não houve milagres de pesca antes que a cabeça se unisse ao corpo: não é frutuosa para o Reino de Deus um apostolado que quer fazer crescer o corpo da Igreja, mas, que critica as suas autoridades.

 

Ser a força do amor, unido à hierarquia

Pe. José Kentenich diz como deve ser nosso amor a Igreja, como um corpo completo: “Ser a força de amor mais profunda possível e por ninguém ultrapassável… A aliança de amor com a Mãe de Deus tem de se tornar, sempre mais, em nossas fileiras, aliança de amor com o Deus Trino, aliança de amor entre nós, aliança de amor com todos os homens do mundo…

Temos de buscar, através de todos os meios sempre mais, vínculo com o Papa e com os bispos. Temos de estar profundamente na dependência deles, de modo que encontrem em nós o rebanho mais digno da confiança deles, como também o rebanho mais fiel a eles, utilizado para realizar a sua missão.” [6]

 

 

Referências:

[1] Vídeo-mensagem do Papa Francisco nas vésperas da viagem apostólica ao Equador, a Bolívia e ao Paraguai [5 a 12 de Julho de 2015]. Disponível em: w2.vatican.va

[2] I Pedro 3,15

[3] Obras de Santa Teresa de Jesus, Vol V

[4] Pe. José Kentenich, Rumo ao Céu, 9

[5] Pe. José Kentenich, Schoenstatt e a Igreja, p.73

[6] Idem, 23-26

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