Celebração do matrimônio e primeiros anos da vida conjugal

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Foto: site fotografiareligiosa

 

Seguindo nosso estudo sobre o capítulo VI da Amoris Laetitia vemos algumas orientações do Papa Francisco sobre a celebração do sacramento do matrimônio e os primeiros anos da vida conjugal.
 

A preparação da celebração

No que se refere à celebração do matrimônio, o Santo Padre alerta para que os preparativos materiais não esgotem os noivos, tanto financeira como emocionalmente. Ele afirma que essas preocupações materiais acabam afastando muitos casais do sacramento e não deveria ser assim. Ele pede: “Queridos noivos, tende a coragem de ser diferentes, não vos deixeis devorar pela sociedade do consumo e da aparência. O que importa é o amor que vos une, fortalecido e santificado pela graça. Vós sois capazes de optar por uma festa austera e simples, para colocar o amor acima de tudo” (AL 212)

Os agentes de pastorais devem cuidar para que os noivos vivam profundamente a celebração litúrgica do sacramento matrimonial, ajudando que compreendam e vivam o significado de cada gesto. “É necessário salientar que aquelas palavras não podem ser reduzidas ao presente; implicam uma totalidade que inclui o futuro: ‘até que a morte vos separe’. O sentido do consentimento mostra que liberdade e fidelidade não se opõem uma à outra, aliás apoiam-se reciprocamente quer nas relações interpessoais quer nas sociais.” (AL 214)

É importante que os noivos se conscientizem que o sacramento não é algo que ficará para trás no passado, mas que exerce sua influência sobre toda vida matrimonial de maneira permanente. “O significado procriador da sexualidade, a linguagem do corpo e os gestos de amor vividos na história dum casal de esposos transformam-se numa « continuidade ininterrupta da linguagem litúrgica » e « a vida conjugal torna-se de algum modo liturgia”. (AL 216)

 

Acompanhamento nos primeiros anos da vida matrimonial

O Papa Francisco afirma ser fundamental o acompanhamento dos esposos nos primeiros anos de vida matrimonial, para enriquecer e aprofundar a decisão consciente e livre de se pertencerem e amarem até ao fim. Os esposos precisam se conscientizar cada vez mais que “a união é real, é irrevogável e foi confirmada e consagrada pelo sacramento do matrimônio; mas, ao unir-se, os esposos tornam-se protagonistas, senhores da sua própria história e criadores dum projeto que deve ser levado para a frente conjuntamente” (AL 218). Ambos estão construindo juntos a família e é necessária muita paciência, compreensão, tolerância e generosidade. Os noivos precisam ter muita clareza desse compromisso que estão assumindo para que não se iludam.

É importante sempre lembrar do primeiro amor, do que foi essencial para a decisão pelo casamento. Viver bem a cada dia, resolvendo logo os conflitos que possam surgir, “colocando o coração na vida familiar, porque a melhor forma de preparar e consolidar o futuro é viver bem o presente” (AL 219). E ter a alegria de ver o matrimônio como um bem para toda sociedade.

O Santo Padre lembra que um dos motivos de ruptura do matrimônio é ter expectativas altas sobra a vida a dois, um tipo de ilusão que quando se confronta com a realidade, causa um choque, sendo que a solução é “assumir o matrimônio como um caminho de amadurecimento, onde cada um dos cônjuges é um instrumento de Deus para fazer crescer o outro. (…) Talvez a maior missão dum homem e duma mulher no amor seja esta: a de se tornarem, um ao outro, mais homem e mais mulher. Fazer crescer é ajudar o outro a moldar-se na sua própria identidade. Por isso o amor é artesanal.” (AL 221)

O acompanhamento do jovem casal deve encorajá-los a serem generosos na transmissão da vida, resgatando os ensinamentos da Encíclica Humanae Vitae e da Exortação Apostólica Familiares Consortio, que falam tão belamente e fundamentadamente da beleza e importância da abertura à vida. É preciso ir contra a corrente da nossa cultura que tem um verdadeiro “medo de filho” e é hostil à vida.

 

Alguns recursos

Na pastoral de acompanhamento dos recém-casados, o Papa Francisco sugere que tenham casais com experiência de vida matrimonial, que possam partilhar com os mais jovens e auxiliá-los nesse processo de amadurecimento da vida a dois. Além disso, essa pastoral deve “encorajar os esposos para uma atitude fundamental de acolhimento do grande dom dos filhos. É preciso sublinhar a importância da espiritualidade familiar, da oração e da participação na Eucaristia dominical, e animar os cônjuges a reunirem-se regularmente para promoverem o crescimento da vida espiritual e a solidariedade nas exigências concretas da vida. Liturgias, práticas devocionais e Eucaristias celebradas para as famílias, sobretudo no aniversário de matrimónio, foram citadas como vitais para favorecer a evangelização através da família.” (AL 223)

Vivemos num mundo muito agitado, então é primordial estimular o casal a ter um tempo de qualidade juntos, não apenas dividir o mesmo espaço físico. É preciso encontrar tempo para dialogar, abraçar-se sem pressa, partilhar projetos, escutar-se, olhar-se nos olhos, apreciar-se, fortalecer a relação. Os casais mais experientes podem partilhar suas experiências de como conseguiram colocar isso na prática, dando dicas importantes que ajudarão os mais novos a conseguirem essa união mais íntima. Além disso, devem estimular esses novos casais a estabelecerem suas próprias tradições familiares, com momentos festivos de celebração também.

Para os padres, o Santo Papa orienta que ajudem as famílias a crescerem na fé, estimulado a confissão frequente, a direção espiritual e a participação em retiros. “Quando visitamos os lares, devemos convidar todos os membros da família para um momento de oração, a fim de rezar uns pelos outros e entregar a família nas mãos do Senhor. Ao mesmo tempo, convém incentivar cada um dos cônjuges a reservar momentos de oração a sós diante de Deus, porque cada qual tem as suas cruzes secretas”. (AL 227)

Por fim, ele estimula as paróquias a desenvolver atividades que envolvam as famílias e aproveitar os momentos em que é procurada para, por exemplo, o batismo de um filho, para mostrar novamente a beleza da vida conjugal na Igreja.

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