Cinco “torres” para viver o espírito da Imaculada

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Viver e incorporar o espírito da Imaculada é uma missão para cada cristão e uma tarefa especial para a Família de Schoenstatt. O Pe. José Kentenich nos deixa essa incumbência, que é característica essencial da Obra de Schoenstatt: uma terra de pureza.

E, como grande pedagogo, nosso Pai e Fundador não só nos deixa o pedido, ele também nos orienta e estimula. Vejamos cinco dicas fundamentais que ele nos dá para vivermos o espírito da Imaculada, as chamadas “Cinco Torres da Pureza”:

 

1ª Torre: Magnânimo e terno amor a Deus

A proteção mais segura para a pureza é um amor grande, iluminado e terno a Deus.

Todo amor nobre tem sua fonte e sua coroa, sua proteção e segurança, no amor a Deus.
O que aumenta o amor a Deus serve, ao mesmo tempo, para o crescimento da castidade de estado. Quanto maior for o amor a Deus, tanto mais assegurada está a pureza.

O amor primitivo busca-se a si mesmo, o amor verdadeiro busca o amado e seus interesses.
O amor tende à profunda entrega e ao delicado respeito. Respeito é o estremecer ante a grandeza do outro.

O coração humano é muito grande e semelhante a Deus para poder encontrar plena tranquilidade, satisfação e contentamento em qualquer criatura, ainda que esta seja a mais perfeita. Cedo ou tarde, todas as criaturas apontarão para cima de si, ao alto, bradando, jubilosas. Ao que tem sede de amor: sobe mais ao alto, até te reencontrares no coração do Amor eterno.

Quem ama é para o amado um despertar e caminho que conduz ao Amor eterno.
Para que o amor não se escravize e não arraste para baixo, ele exige frequentes renúncias e se prepara para grandes desilusões. O amor que não sabe renunciar assemelha-se ao fogo, que sufoca na própria fumaça.

Quem ama verdadeiramente a Deus, penetra profundamente na misericórdia e grandeza divina, mas também, em sua própria contingência e miséria.

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2ª Torre: Profunda humildade

Se o amor é a mãe de todas as virtudes, a humildade pode ser considerada como sua ama. Todas, sem exceção, também a pureza, se alimentam e vivem de sua força.
A verdadeira humildade, junto com o amor de Deus, é o meio mais seguro e mais necessário à proteção da pureza. Seus alicerces são a veracidade e a justiça. A verdade indica ao homem o lugar que lhe compete. A justiça trata o homem como ele merece.

A humildade estabelece a harmonia entre o menosprezo e apreço de si mesmo.
O menosprezo a si mesmo se fundamenta no reconhecimento dos limites e misérias humanas; a valorização de si mesmo, no alegre reconhecimento dos dons e das graças recebidas de Deus.
Como o corpo necessita de luz, ar e água para sua saúde, assim a alma precisa de humildade e humilhação.

A Sagrada Escritura considera o orgulho a origem de todos os pecados, por isso, a humildade deve influir em todas as virtudes e, não em último lugar, na pureza.

A bondade paternal de Deus sabe dirigir tudo para o bem de seus filhos. Ele permite os movimentos desordenados na vida instintiva, a fim de que experimentemos nossa fraqueza e encontremos o caminho a seu coração. Ele nos ajuda a dominar pouco a pouco, nossos instintos inferiores.

A humildade vive da desconfiança nas próprias forças e da confiança no poder divino.
A sadia desconfiança desperta na alma a prudência, o respeito e a docilidade.

Em todas as aflições da carne, a pessoa humilde diz como São Paulo: Quem me libertará deste aguilhão? – Como o Apóstolo das gentes, também ele se dá a resposta: “A graça divina, por Cristo, Nosso Senhor… Tudo posso n’ Aquele que me conforta”!

Quem quiser reconquistar ou conservar sua pureza, sem procurar constante contato com Deus, na oração e nos sacramentos, assemelha-se ao pássaro que tenta voar com as asas quebradas.

 

3ª Torre: Mortificação iluminada e eficaz

Genuíno amor a Deus e profunda humildade sempre estão intimamente unidos à terceira torre protetora: a mortificação!

Toda mortificação iluminada fortalece a resistência da alma e, por isso, influi beneficamente nas reações menos nobres da vida instintiva.

Desde o pecado original, há profunda cisão entre a vida instintiva, espiritual e sobrenatural. A vida instintiva luta constantemente e com todas as forças contra a vida do espírito. Não quer mais servir, mas dominar. Desde então, o corpo não é súdito dócil, submisso e tranquilo, porém, um revolucionário inquieto. A mortificação tem a tarefa de tirar as rédeas do homem instintivo e colocá-las nas mãos do homem espiritual e divinizado.

A mortificação não significa destruir a beleza e a saúde do corpo, ou quebrantar as forças nobres da vigorosa vida instintiva, porém, colocar ambos a serviço da alma. Por isso, a mortificação sempre deve ser prudente e iluminada.

Desde o pecado original não existe pureza sem mortificação sábia e constante.
A natureza da mortificação, em geral, é determinada pela confissão, pela profissão, pelas circunstâncias e as inspirações interiores. A liturgia nos oferece sábia direção neste sentido.

 

4ª torre: Dedicação no trabalho

A educação à pureza e ao trabalho está intimamente vinculada. Quem sempre estiver ocupado com coisas úteis e sérias, preserva-se de muitas lutas e tentações.

Trabalho é participação na atividade criadora e comunicadora de Deus. Sendo o homem imagem natural e sobrenatural de Deus, participa, por sua atividade, em seu poder e amor.
Quem não pode realizar algo para os outros, sente-se inútil, complexado e se perde rapidamente nas exigências de seus instintos inferiores.

Quanto mais o homem servir ao outro com nobreza criadora e comunicativa, tanto mais cresce nele a sã consciência de seu valor e o desejo de preservar-se de tudo o que o arrasta para baixo. Quanto mais sadio for o homem e desenvolver suas forças criadoras em seu trabalho, tanto menos essas forças o impulsionam ao desdobramento em níveis inferiores.

Se o trabalho for só “ocupação”, o homem já não é criador, mas simplesmente “leitor” e deve preparar-se para fortes reações e descargas instintivas. O trabalho mecânico, não criador, pode ser libertado dos perigos que encerra para a pureza e a moral, quando for relacionado a uma ideia espiritual.

Quem carrega a “cruz de seu trabalho”, consciente de que assim serve à comunidade, alcança atividade criadora e sente-se interiormente livre e forte. O trabalho cristão está predisposto, em primeiro lugar, ao servir e só em segundo lugar, ao ganho.

 

5ª Torre: Verdadeira alegria

Sem nobre alegria, a pureza não pode florescer. Onde não há atmosfera de alegria, há atmosfera de pântano.

A educação à alegria é um dos fatores mais importantes na educação à pureza. Onde não há alegria, reina descontentamento e tristeza. E onde a constante tristeza determina o ritmo da vida, o demônio exerce sua influência maligna. Com razão, diz um provérbio: “O demônio pesca em águas turvas”.

Quem não descobre as fontes da alegria no Cristianismo, em sua doutrina, instituições e sacramentos, quem delas não bebe e as faz borbulhar, não pode educar profunda e religiosamente, tão pouco consegue desenvolver no homem a virtude da pureza, ou altos valores morais.

 

Ave Maria, por tua pureza

Rezemos pedindo a graça da pureza física e espiritual, assim como rezava o Pe. Kentenich desde sua infância:

“Ave Maria, por tua pureza, conserva puro o meu corpo e minha alma. Abre-me largamente o teu coração e o coração de teu Filho!
Dá-me um profundo reconhecimento de mim mesmo e a graça da perseverança e fidelidade até a morte. Dá-me almas e tudo o mais toma-o para ti!”

 

* Texto resumido do livro A Riqueza do Ser Puro, Pe. José Kentenich 

 

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