Com Maria, portadores da Luz, da Esperança e da Alegria

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Pe. Rafael Mota* – Este mês de fevereiro tem só 21 dias úteis! A gente trabalha menos, marca os compromissos mais pra frente e foca em terminar de pagar as compras do Natal. Para muitos é o fim das férias, do recesso escolar ou acadêmico, mas tende a ser um retorno gostoso, porque reencontramos os amigos. É um mês tão curtinho que, quando a gente vê, já passou… e somos surpreendidos pelos boletos, a fatura do cartão!

Fevereiro tem Carnaval! Antes de começar a funcionar pra valer, o Brasil entra num estado de licença poética, toma certa distância de seus problemas e celebra com gosto! Nas ruas a gente vê um povo alegre, colorido, musical, que se encontra para se divertir junto! Tem quem goste, tem quem critique…mas pensando na sua abrangência, no seu alcance, o Carnaval é a festa popular por excelência – competindo, ao meu ver, apenas com a Festa Junina, o São João!

Fevereiro tem Festa Mariana! Logo no dia 2, a Igreja recorda a apresentação do Menino Jesus no Templo (o 4º Mistério Gozoso do terço), ocasião que desperta a alegria em Simeão e Ana. Este dois, tendo atravessado uma vida dura e cheia de dores, aguardavam o cumprimento da promessa: a chegada do Messias. Poderíamos dizer que Maria traz em seus braços a Esperança, ela é a portadora da Luz! Lumen ad revelationem gentium. E como não existe coincidência para as coisas de Deus, neste mesmo dia celebramos Nossa Senhora da Candelária, quando tradicionalmente peregrinamos com velas acesas.

Mas tem uma mudança aí: depois de uma breve fatia do Tempo Comum, a Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma, um tempo voltado para a conversão. Convertei-vos e crede no evangelho. Neste sentido, somos convidados a intensificar a oração, o jejum e a caridade – não com meras práticas exteriores, senão como uma maneira de realmente mudar de vida.

Para muitos, o dia 14 de Fevereiro significa apenas um ‘pisar no freio’, ‘puxar o freio de mão’, ‘reduzir a velocidade’ ou ‘ter que lidar com as consequências de seus atos’, ‘ter ressaca (moral)’, ‘enfrentar a realidade depois de andar fantasiado’. E a religião se torna instituição de controle, ‘a estraga festa’, a que condena a imoralidade dos demais, um ‘grande dedo apontado que proíbe, julga e castiga’.

Mas quem entende melhor a caminhada quaresmal percebe uma grande oportunidade: Cristo é a alegria dos homens. A conversão, portanto, implica difundir essa grande verdade. Construir neste mundo, já agora, um pedacinho do Reino de Deus onde a ‘alegria não acaba’. Seguindo o desejo do próprio Jesus: “para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa.” (João 15, 11).

Se te motiva, talvez possa renovar a Aliança de Amor neste dia 18 e abraçar um pequeno lema para o trabalho pessoal: Com Maria, portadores da Luz, da Esperança e da Alegria!

Queremos confiar à nossa querida Mãe nossos esforços por vencer a amargura, a tristeza, o desespero, o pessimismo, o sentido trágico da vida, o ensimesmamento, a agressividade, a dureza que impede de perdoar, a rigidez interior, o medo paralisador, a angústia irremediável, o auto castigo, a falta de afeto nas relações e tudo aquilo que nos afasta de Alegria do Evangelho. Evangelii Gaudium.

Se trata de integrar Fevereiro, fazer com que não tenha duas partes separadas ou opostas. No fundo, não é este nosso desafio de educação? Que toda nossa vida esteja tocada pela realidade sobrenatural, sem competição ou opressão. Um ordenamento que nos faz bem, que é bonito e alegra o coração.

 

*Pe. Rafael Mota pertence ao Instituto dos Padres de Schoenstatt

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