Como evitar a polarização ideológica no Sínodo?

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O Papa responde a esse questionamento

Karen Bueno – Como será evitada a polarização ideológica no Sínodo? Essa pergunta um tanto complexa foi lançada ao Papa Francisco durante sua viagem de retorno da Mongólia. Como de costume, nas viagens papais o Santo Padre se reúne com os jornalistas abordo do voo e responde uma série de perguntas – muitas delas polêmicas e que tratam dos desafios atuais da Igreja. Na viagem desta segunda-feira, dia 4 de setembro, um dos temas em destaque foi o próximo Sínodo.

Etienne Loraillère, do canal KTO Tv, questionou o desenvolvimento do Sínodo em meio a um ambiente de polarização. Entre outras coisas, pergunta: “Como será evitada a polarização ideológica no Sínodo?”

O Papa Francisco responde: “Você falou sobre evitar pressões ideológicas. No Sínodo não há lugar para ideologia, é outra dinâmica. O Sínodo é diálogo, entre os batizados, entre os membros da Igreja, sobre a vida da Igreja, sobre o diálogo com o mundo, sobre os problemas que afetam a humanidade hoje. Mas, quando se pensa em seguir um caminho ideológico, o Sínodo termina. No Sínodo não há lugar para ideologia, há espaço para o diálogo. Para confrontar uns aos outros, entre irmãos e irmãs, e confrontar a doutrina da Igreja. Seguindo em frente”.

Como surgiu a Sinodalidade na Igreja?

Esse é outro ponto que o Papa faz questão de detalhar: “Quero enfatizar que a sinodalidade não é uma invenção minha: foi de São Paulo VI. Quando o Concílio Vaticano II terminou, ele percebeu que no Ocidente a Igreja havia perdido a dimensão sinodal; a Igreja Oriental a tem. Por isso, ele criou a Secretaria do Sínodo dos Bispos, que nesses sessenta anos tem levado adiante a reflexão de maneira sinodal, com progressos contínuos, indo em frente. Quando se completou o cinquentenário dessa decisão de São Paulo VI, assinei e publiquei um documento sobre o que é o Sínodo, sobre o que foi feito. Que agora avançou, amadureceu mais, e é por isso que achei muito bom ter um Sínodo sobre sinodalidade, que não é uma moda, é uma coisa antiga, a Igreja Oriental sempre teve isso”.

Entre discursos e pausas para a oração

O Santo Padre continua: “Mas como viver a sinodalidade e vivê-la como um cristão? Como eu disse antes, sem cair em ideologias. Sobre o processo da assembleia: há uma coisa que devemos preservar, a atmosfera sinodal. Este não é um programa de televisão em que falamos sobre tudo. Não. É um momento religioso, é um momento de intercâmbio religioso. Pense que as introduções sinodais terão falas de três a quatro minutos cada, serão três discursos e depois três a quatro minutos de silêncio para oração. Depois, mais três falas, e oração. Sem esse espírito de oração não há sinodalidade, é política, é parlamentarismo. O Sínodo não é um parlamento”.

Em Aliança com a Igreja, o Movimento de Schoenstatt segue acompanhando e rezando para que sujam frutos abençoados do próximo Sínodo universal. Para acompanhar mais informações sobre esse grande evento, acesse: synod.va/es

Com informações de vaticannews.va/pt

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