Um panorama da presença internacional do Movimento Apostólico de Schoenstatt e destaca a missão que permanece viva desde 1914
Larissa Rodrigues – Mais de um século depois daquele pequeno grupo reunido no Santuário Original, em 18 de outubro de 1914, Schoenstatt está presente em diferentes culturas e continentes. Ao olhar para essa realidade em 2026, o Pe. Alexandre Awi Mello, Superior Geral do Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt e presidente da Presidência Geral da Obra Internacional de Schoenstatt, destaca a vitalidade do carisma e a atualidade da missão confiada à Família.

A presença do Movimento é especialmente forte nos países de língua latina, como os da América Latina, da Península Ibérica e entre os latinos nos Estados Unidos. Na Europa, a Alemanha continua tendo uma presença importante, sobretudo entre as famílias, assim como Áustria, Hungria, Polônia e República Tcheca. Ao mesmo tempo, países como Eslováquia e Lituânia apresentam um desenvolvimento mais recente. “Schoenstatt está presente em todos os continentes”, afirma o Pe. Alexandre.
Na África, ele destaca especialmente o Burundi, país em que o Movimento está presente em todas as dioceses e na grande maioria das paróquias. A expansão também alcança a República Democrática do Congo, que recebeu seu último Santuário de Schoenstatt em 2024, e a Tanzânia, cujo Santuário completará 65 anos em 2027. Nigéria e Índia também vivem um processo recente de crescimento, com maior organização e compromisso. Segundo o Pe. Alexandre, dois encontros realizados recentemente com famílias desses países contaram com o apoio e a presença de casais de outros continentes.
Uma missão que permanece
Para o Pe. Alexandre, a distância histórica entre 1914 e 2026 não diminuiu a força da experiência que está na origem de Schoenstatt. A Aliança de Amor selada pelos primeiros congregados continua sendo o vínculo que une as diferentes gerações e culturas da Família.
“Aquele pequeno grupo que começava em 1914 permanece muito presente por meio da Aliança de Amor que eles selaram, à qual nós nos incorporamos 112 anos depois”, explica. Para ele, a fidelidade à Aliança e a certeza de que a Mãe de Deus, a partir do Santuário, quer transformar os corações e o mundo continuam vivas.
Essa continuidade ajuda a compreender como um carisma recebido em uma realidade histórica concreta pode alcançar diferentes povos sem perder sua identidade. “Todo carisma é um presente do Espírito Santo”, afirma o Pe. Alexandre. Por isso, a experiência iniciada em 1914 continua oferecendo à Família uma missão atual: colaborar para a transformação do mundo em Cristo e Maria.
Sinodalidade, diálogo e vínculos
Entre os desafios do presente, o Pe. Alexandre identifica especialmente a realidade das famílias e dos jovens. Ele considera que Schoenstatt possui uma contribuição própria para esse contexto por meio de sua pedagogia e de uma espiritualidade que procura integrar fé e vida.
“Num mundo que às vezes está perdendo o rumo e em que há tantos desafios no dia a dia, a vivência da santidade da vida diária como uma exigência permanente é algo que pode contribuir muito”, explica. O conhecimento do plano de Deus para a própria vida, o Ideal Pessoal e os meios ascéticos e pedagógicos fazem parte, segundo ele, dessa proposta.
Outro campo de contribuição está relacionado à vida comunitária. O Pe. Alexandre destaca a sinodalidade, o diálogo e os vínculos como dimensões atuais da missão de Schoenstatt em uma sociedade marcada pelo individualismo. Também aponta um desafio mais recente: a inteligência artificial. Nesse contexto, considera importante a contribuição de uma espiritualidade que coloca a pessoa humana no centro.
A vitalidade do carisma também pode ser percebida entre as novas gerações. O Pe. Alexandre observa essa presença especialmente na América Latina, na África e na Índia, onde jovens se sentem atraídos pela Aliança de Amor e pela possibilidade de vivê-la na vida cotidiana. “A relação com Maria, que nos leva a Cristo, a força do Espírito, é algo que vale para todos e que todos podem entender”, afirma.
Um carisma universal
A presença de Schoenstatt em diferentes culturas, segundo o Pe. Alexandre, revela justamente essa capacidade de o carisma falar a pessoas e realidades distintas. A relação com Maria, que conduz a Cristo, permanece como um elemento comum, enquanto cada país encontra formas próprias de viver a missão.
Ao comparar 1914 com 2026, ele vê nessa continuidade um motivo de esperança. No Brasil, destaca especialmente a Missão Tabor, com o chamado a transfigurar a realidade, e a filialidade heroica, que conduz a uma entrega confiante a Deus e à percepção de sua presença e atuação na vida cotidiana.
Outro sinal de esperança para a Família brasileira está ligado ao Venerável João Luiz Pozzobon. “Acredito que o impulso que ele está dando para a nossa Família é muito forte e que possamos continuar também confiando no seu exemplo e na sua intercessão”, afirma.
Assim, 112 anos depois do início da história de Schoenstatt, o Pe. Alexandre vê mais do que uma continuidade histórica. Ele identifica uma missão que permanece atual porque nasce de um carisma que, recebido como dom do Espírito Santo, continua encontrando novas expressões em diferentes povos, culturas e gerações.