Dia dos Pobres e nossa missão de transfigurar a realidade

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“Se o Movimento Apostólico, se nós, portanto, não nos introduzirmos com força e vigor nas engrenagens de nossa época, quando temos ocasião de fazê-lo, somente teremos sonhado um belo sonho de renovação do mundo” (Pe. José Kentenich – Desafio Social, 1930)

Karen Bueno – A Família de Schoenstatt do Brasil assume o desafio de lutar para transfigurar a realidade. Amanhã, a Igreja celebra o Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco. A Providência revela aí um ponto importante nesse caminho de transfigurar a realidade e ajudar o Brasil a ser o Tabor tão sonhado pelo Pai e Fundador: o encontro com os pobres e a luta pela nova ordem social, mais justa e humana.

 

A pobreza mora ao lado

Pelas ruas, pontilhões, barracos, favelas… eles estão ali, quer os olhos estejam abertos a enxergar ou não. A pobreza mora ao lado, pode até passar despercebida, mas tem identidade, tem nome, RG, CPF, tem boca e espírito famintos. O desafio é encontrar formas de ajudar e, principalmente, o desejo de ajudar, pois selar a Aliança de Amor é mais do que usar uma medalha no pescoço ou somente esperar que a Mãe e Rainha atraia a si os corações juvenis, é deixar que ela eduque esses corações como instrumentos aptos e os envie para o mundo.

Uma das metas de Schoenstatt é formar líderes, homens novos, moldados por Maria segundo a imagem de Cristo, para criar uma nova terra. O Pe. José Kentenich fala do ‘radicalismo da pobreza’, dizendo que se queremos ajudar os pobres, “devemos tornar-nos simples, devemos descer, devemos ser singelos no vestir, também no arranjo da casa, simples em toda nossa maneira de atuar”, pois assim se vive de forma coerente e se conquista a confiança que um autêntico líder deve ter.

O Fundador também questiona: “Todos deveríamos nos perguntar: será que sou digno de ser dirigente de um povo que sofre tanto espiritualmente e por motivos econômicos, como nosso povo de hoje? Quem hoje quer ser dirigente deve destacar-se por humildade, disposição para servir e espírito de serviço muito grandes. (…) Na verdade, quem vivenciou mais profundamente a miséria do povo deve dizer a si mesmo: não tenho razões para fazer-me juiz! ‘Se eu tivesse me criado nas mesmas circunstâncias, talvez seria ainda pior, estaria em uma situação pior, teria cometido muito mais faltas’”.

 

Sair das certezas e comodidades

Há muitas maneiras concretas de ajudar os pobres, isso desde as estruturas básicas – como o voto consciente e a cobrança de atitude dos governantes – até certos gestos ativos na sociedade, como contam alguns schoenstattianos:

– Todas as semanas levamos alimento aos moradores de rua em minha cidade e, mais do que comida, a intenção é transmitir a acolhida e a presença de Cristo e da Mãe em cada sorriso, aperto de mão ou abraço. Toda vez que fecho os olhos para rezar com eles, espiritualmente os conduzo ao Santuário e peço que a Mãe os acompanhe na luta diária; e ela sempre dá provas de que está ali e os abençoa.

– Eu ensino a bordar, fazer tricô, crochê, todo um trabalho de artesanato. Esses trabalhos são vendidos em feiras e a verba é toda revertida para elas. A gente sente, nessa vila, que a miséria não é tanto na comida, no material, a miséria está mais na maneira de agir, na forma com que eles vivem, a maior miséria está na droga, na prostituição, tudo isso.

– Nosso objetivo é ajudar as pessoas que estão buscando uma colocação em serviços domésticos a encontrar um emprego, colocando-as em contato com possíveis empregadores. É um trabalho de mediação. Todas as terças-feiras, pela manhã, recebemos candidatas e candidatos em busca de uma vaga e pessoas interessadas em contratá-los. Nosso trabalho é totalmente voluntário e não cobramos nenhuma taxa (entrevista para o jornal O São Paulo).

 

Esse Dia Mundial dos Pobres traz o convite e o desafio de ser criativo na ajuda aos necessitados e responder, pela força da Aliança de Amor, ao desejo do Papa: “Somos chamados a estender a mão aos pobres, a encontrá-los, fixá-los nos olhos, abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão. A sua mão estendida para nós é também um convite a sairmos das nossas certezas e comodidades e a reconhecermos o valor que a pobreza encerra em si mesma”.

 

Referências: Pe. José Kentenich, Desafio Social, p.54-57, 1930

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