Dom Bosco e Pe Kentenich: confiança que transforma

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Larissa Rodrigues – Neste dia 31 de janeiro, a Igreja celebra a memória de São João Bosco, o “pai e mestre da juventude” [1]. Esta data convida à reflexão sobre como sua herança atravessa gerações e encontra eco em outras grandes referências da Igreja, como o Pe. José Kentenich. 

Tanto Dom Bosco quanto Pe. Kentenich viam a pedagogia como uma “filha do amor” [2]. Dom Bosco ensina: que “vossos educandos não devem apenas ser amados por vós, mas é preciso que eles estejam plenamente conscientes do vosso amor” [3]. Uma atitude que podemos notar também na pedagogia do Pe. Kentenich, desde o princípio da história do Movimento Apostólico de Schoenstatt. 

Confiança que transforma

Enquanto Dom Bosco revoluciona a juventude, na Itália, ao trocar o castigo pela presença amiga, o Pe. Kentenich trilha um caminho semelhante, em 1912, em Schoenstatt, na Alemanha. Ao assumir como Diretor Espiritual, ele não apenas muda regras, mas transforma o clima do seminário, por meio da confiança. “O Pe. Kentenich dava uma orientação para a autoeducação… Tudo acontecia de forma muito paternal, muito afável e cordial” [4] Essa lembrança, de um de seus alunos, revela como, para ele, o seminário deixa de ser um lugar de cobranças, para se tornar um lar. Foi por meio dos pedidos do Pe. Kentenich que a vigilância rigorosa e as punições físicas foram deixadas de lado, isso porque se compreendia algo fundamental: para guiar alguém, é preciso primeiro conquistar o seu amor [5]. É por meio da confiança mútua que a liberdade cresce, transformando o jovem, que antes apenas seguia regras, em alguém capaz de decidir por si, com consciência e responsabilidade.

Autoeducação para a Santidade

O objetivo final desta pedagogia do amor é a formação de personalidades firmes e livres, incentivando o jovem a buscar a santidade no cotidiano. “Certamente, foi em horas de silenciosa oração que o santo (Dom Bosco) aprendeu de Deus mesmo seu modo de educar” [6], e essa mesma escuta espiritual permite que o Pe. José Kentenich apresente um modelo em que o educador é o reflexo da bondade de Deus. Pe. Alexandre Menningen, um dos seus discípulos, afirma: “junto do Pe. Kentenich encontrávamos uma mãe; se não fosse assim, teríamos fugido daquela dura educação e da pedagogia de castigo reinante” [7]. 

A lição que permanece é que a verdadeira disciplina não nasce do medo, mas de um coração que se sente profundamente amado e, por isso, decide ser melhor.

Referências:
[1] Portal Salesianos Brasil: São João Bosco, Pai e Mestre da Juventude.
[2] e [6] Pe. José Kentenich – M. A. Nailis, Livro Santidade de Todos os Dias.
[3] e [5] Dom Bosco, citado no Livro Santidade de Todos os Dias.
[4] Aluno do seminário, citado no Livro Tempestades de Outono.
[7] Alexandre Menningen, citado no Livro Tempestades de Outono.

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