É preciso educar para a vivência em comunhão

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Foto: Pixabay

 

Em 2022, o tema da CF é “Fraternidade e Educação”, impulsionada pelo chamado do Papa Francisco para que todas as pessoas, instituições, igrejas e governos priorizem uma educação humanista e solidária.

A Campanha da Fraternidade deste ano convoca todos a refletir sobre os fundamentos do ato de educar, recordando que não se trata de uma ação isolada, mas de um encontro em que todos são educadores e educandos e, por isso, requer o envolvimento de cada pessoa, da família, da escola, da Igreja e de toda a sociedade. A realidade da Educação no Brasil exige profunda conversão de todos e clama por uma verdadeira mudança de mentalidade, revisão das atitudes, reorientação da vida e busca de um caminho que promova o desenvolvimento pessoal integral, a formação para a vida fraterna e a cidadania.

Essa realidade deve ser iluminada pela Palavra de Deus, de forma a encontrar e redescobrir meios eficazes que favoreçam processos mais adequados e criativos, a fim de que ninguém seja excluído de um caminho educativo integral que humanize, promova a vida e estabeleça relações de proximidade, justiça e paz. Como um serviço indispensável à vida, a Educação nos ajuda a crescer na vivência do amor, do cuidado e da fraternidade.

Nesse contexto, um perigo que se deve evitar é reduzir a Educação apenas à transmissão de conhecimento. Por isso, a CF quer ajudar a entender e aplicar duas lições intrínsecas ao ato de educar: o valor da pessoa como princípio da Educação e a necessidade de não deixar de conduzi-la continuamente ao caminho reto. Dessa forma, educar não é condicionar ou adestrar, mas construir a verdadeira fraternidade, alicerçada na justiça e na paz.

É urgente escutar

Nesse caminho de humanização da Educação, uma condição se faz urgente e necessária: escutar. Escutar pressupõe proximidade, sem a qual não é possível um verdadeiro encontro. O que escutamos e como escutamos orienta o nosso fazer cotidiano e a própria sociedade. Escutar é uma condição para falar com sabedoria e ensinar com amor; e, assim, permitir que o outro, de fato, aprenda.

Aprender, por sua vez, não é só uma capacidade humana, mas uma condição de nossa própria humanidade. Por isso se faz tão necessário aprender sobre nós mesmos, algo que se tornou ainda mais factível com o advento da pandemia de COVID-19, em que foi preciso repensar nossos estilos de vida, nossas relações, a organização da sociedade e, sobretudo, o sentido da nossa existência.

A Educação para a formação integral parte do reconhecimento da realidade de cada pessoa. Por essa razão, precisam ser pensadas novas formas de educar, não baseadas em uma racionalidade técnico-utilitária, mas que levem em consideração o reconhecimento do lugar que a pessoa ocupa na sociedade, a fim de torná-la um agente que contribua para o desenvolvimento de uma nova cultura do acolhimento.

É preciso educar para a vivência em comunhão.

Educar para conceber a democracia como um estado de participação. Educar como ação esperançosa na capacidade de aprender do ser humano e de estabelecer relações mais fraternas em todos os âmbitos.

Fonte: O São Paulo

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