Eleição: a sempre difícil escolha

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Imagem: Waldryano em Pixabay e Quino Al em unplash

 

Cada escolha significa uma renúncia

Romulo Romanato* – Estamos à porta do segundo turno das eleições no Brasil. Se alguém acha que é somente agora que temos rivalidade, se engana. Diz um antigo ditado: religião, futebol e política não se discute. De certa forma esse ditado tem razão, porque discutir inevitavelmente não é bom. Dialogar, conversar, ouvir e refletir é o caminho natural das pessoas de bom senso. Quando entramos na discussão sempre existe “a minha verdade x a mentira dele” e vice-versa.

 

O respeito é indispensável

Por isso, não apenas podemos, mas deveríamos falar sim de política, falar de religião e falar de futebol. Mas, nessas conversas tem algo fundamental: temos que nos despir do fanatismo, do radicalismo e do ser dono da verdade. O meu time não é o melhor time do mundo sempre (pode ser às vezes), o meu politico preferido não é o dono da verdade e não é imaculado e a religião que professo não é a única que existe para expressar a fé. Nesses diálogos é fundamental termos respeito pela escolha alheia.

E como estamos vivendo tempo de disputas políticas, a ideia aqui não é indicar candidatos nem partidos, mas sim refletir sobre nossos comportamentos, apenas isso.

 

Não há um único salvador da pátria

Olhando as redes sociais e os grupos de WhatsApp é inevitável a sensação de que algo está errado. Primeiramente, por acreditar que o meu candidato será o salvador da pátria. Para quem pensa assim vou decepcionar, dizendo: infelizmente não existe salvador da pátria.

O governo de um País é constituído de três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário. E esses três poderes são eleitos por todos os que exercem o salutar exercício democrático de votar, que nada mais é do que escolher. Alguns podem até dizer: o Judiciário não é escolhido pelo voto popular. Eu respondo: não é pelo voto direto, mas sim indiretamente, pois os que votamos é quem escolhem os Magistrados da Suprema Corte, ou seja, quem nós colocamos pelo nosso voto, escolhem esses magistrados. Por isso, não dá para reclamar.

 

Cada escolha é também uma renúncia

Voltando ao título dessa reflexão: cada escolha significa uma renúncia.

Não é assim em tudo na nossa vida? Se chegamos a um momento de escolha entre opções, eu tenho que discernir, tenho que parar e refletir sobre o verdadeiro motivo que me leva a escolher, sabendo que ao escolher algo ou alguém, ao mesmo tempo, renuncio o que as outras possibilidades teriam a me oferecer. É simples assim.

 

Ao decidir-me por Schoenstatt, abraço uma identidade

Neste dia 27 de outubro, celebramos 110 anos do documento chamado de Pré Fundação do Movimento Apostólico de Schoenstatt e nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, trouxe uma luz naquele momento, que se irradia até nossos dias e irá se irradiar ainda muito além.
Diz ele:

“Sob a proteção de Maria queremos aprender a educar-nos a nós mesmos, para sermos personalidades firmes, livres e apostólicas”. PJK (27/10/1912)

Esse princípio schoenstattiano deve ser levado muito a sério por todos nós, que somos do Movimento. Mas, diria que é um princípio que deveria ser praticado por todos, pois viver isso é se moldar a um novo conceito de vida.

 

Ser personalidade livre

Ser personalidade livre significa decidir com plena consciência, movido pela reflexão e pela razão, não me deixando levar pela pressão psicológica que recebo das mídias, pela atmosfera de ganhador e perdedor, que escurecem um pensar de gente madura. Mas, com plena liberdade e reflexão, deixo de ser conduzido e passo a conduzir a minha vida, sob a proteção da Mãe de Deus. Em outras palavras, é o que São Paulo diz em Efésios:

“Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras. Renovai, sem cessar, o sentimento da vossa alma e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade.” Ef 4, 22-24.

Ser um novo homem, à semelhança de Deus, deve ser alcançado pela nova maneira de viver, sendo uma nova personalidade, pela auto-educação, vivendo a liberdade, sendo firmes em nossos princípios e anunciando o Evangelho, sem nos deixar levar como “homem massa”, tocado pelos discursos de outros.

 

Escolha e respeite o resultado

Não se deixe enganar e nem se motive pelo medo. Seja movido pelos princípios.

Escolha aquele com quem você melhor se identifica e vote. Respeite o contrário, aquele que pensa diferente e acredite: Deus sempre governa o mundo. Nada foge do seu olhar.

Mesmo que vença aquele que, supostamente, não é o melhor para você, faça as orações para que os novos governantes governem com justiça e a favor dos mais necessitados. São Paulo escreve à Timóteo, dizendo: “Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma vida calma e tranquila, com toda a piedade e honestidade.” I Tim 2, 1-2

 

Nisso, todos reconhecerão que sois meus discípulos

Que o bom Deus abençoe a todos os candidatos, abençoe todos os eleitores e abençoe o Brasil, terra de Santa Cruz, a cada família que aqui vive e, especialmente, o povo sofrido, os enfermos e aqueles que não tem voz e nem vez.

Sejamos, acima de tudo, portadores da Paz! A Paz que vem de Cristo, tão somente dEle.

Ele é o Príncipe da Paz e deu uma única e séria condição para sermos reconhecidos como cristãos:

“Nisso todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. Jo 13, 35

 

* Romulo Romanato é casado com a Márcia e ambos são o Casal Dirigente Territorial da União de Famílias no Brasil

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