Empunha o Cetro: Das dificuldades à confiança filial

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Uma oração para o dia de hoje, 25 de março

Karen Bueno – Imagine que você está distante da sua casa, de seus familiares, seus pais, filhos, amigos… e descobre que bombas aéreas poderão atingir, a qualquer momento, seu bairro e seu lar. O que você faria? Imagine ainda que, nesse momento, você é um prisioneiro e não pode se comunicar diretamente com a família. Como reagir? Foi essa a situação que o Pe. José Kentenich experimentou em março de 1945. Ele estava preso no campo de concentração de Dachau e foi informado que, naqueles dias, a região de Schoenstatt seria atingida por um confronto bélico entre o grupo dos aliados e os nazistas. Portanto, seus filhos espirituais, seus irmãos de comunidade, todo o coração da Obra que ele fundou corria sério risco de destruição.

O que o Pe. Kentenich faz nessa situação? Com confiança, ele pede à Mãe de Deus que empunhe o cetro e proteja a terra de Schoenstatt. Assim surgem as estrofes 493 a 500 do livro de orações Rumo ao Céu.

A oração “Empunha o cetro” é uma prece composta num momento de alto risco durante a guerra e foi escrita em março de 1945, preparando a festa da Anunciação do Senhor, 25 de março.

 

Um hino à vitoriosidade

Os schoenstattianos presos no campo de concentração de Dachau estavam muito preocupados com a notícia do avanço dos aliados na região de Koblenz, nas proximidades de Schoenstatt. Isso porque, quando os aliados (o grupo, liderado pelos Estados Unidos, que se uniu para lutar contra o nazismo e os países do chamado “Eixo”) se aproximavam, os grupos nazistas destruíam toda a região antes de fugirem. Ou então, ao chegarem, os próprios aliados destruíam muito do que encontravam pela frente – isso sem falar na possibilidade de combate, reunindo bombas e explosões na região. Enfim, existia uma ampla possibilidade de todas as construções caírem por terra, incluindo o Santuário Original e todas as casas do Movimento de Schoenstatt.

Sabendo disso, o Pe. Kentenich escreveu a oração “Empunha o Cetro”, como uma novena em preparação ao dia 25 de março de 1945, e a dedicou aos dois primeiros grupos de sacerdotes diocesanos da União, que haviam surgido em Dachau e fizeram a Aliança de Amor há poucos meses.

A intenção particular dessa novena era a libertação de Schoenstatt e a preservação do Santuário Original. Nesse mesmo dia, Schoenstatt caiu nas mãos das tropas americanas e, apesar disso, não houve mortos, nem feridos, nem ruínas nas edificações. O Santuário Original permanecera intacto. A Mãe mostrou que, de fato, ela protege a terra de Schoenstatt e é sua Rainha.

Olhando, mais tarde, para a experiência vivida, o Pe. Kentenich diz que esse hino “expressa a vitoriosidade da Mãe de Deus” (14 de abril de 1947, Londrina/PR).

 

Também podemos entregar um cetro

Com esse episódio, Pe. José Kentenich ensina a confiar cada momento de dificuldade aos cuidados da Mãe. Nas horas de angústia ele propõe entregar um cetro e pedir que a MTA seja Rainha, que proteja seus filhos.

Também hoje, em meio às dificuldades da vida – doenças, desemprego, dívidas, conflitos pessoais e familiares, etc. – é possível entregar um cetro à Rainha e dizer-lhe: “Empunha o cetro, Mãe, […] Manifesta teu poder na escura noite de tempestade”. E fazer o mesmo nas horas de alegria, para que “o mundo veja teu atuar e te contemple maravilhado”.

“Também nós colocamos um cetro nas mãos da querida Mãe de Deus […] Então, ofereço novamente à Bendita entre as mulheres, à Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt, um reino no qual ela possa governar e reinar” (Pe. José Kentenich, Nossa vida à nossa Rainha, p. 40; 42).

Rezemos juntos:

Empunha o cetro, Mãe,
protege tua terra de Schoenstatt,
ali só tu és Rainha;
põe em fuga todos os inimigos.

Cria ali teu paraíso,
mantém o dragão algemado.
Mulher de sol, surge radiante,
eleva-te às alturas meridianas.

Constrói, a partir daqui,
um mundo que agrade ao Pai,
como outrora Jesus
pediu em ardente oração.

Nele reine sempre amor,
verdade e justiça,
unidade que não massifica,
nem leva ao espírito de escravidão.

Manifesta teu poder
na escura noite de tempestade;
dá que o mundo veja teu atuar
e te contemple maravilhado,

que te aclame com amor
e se confesse por teu Reino;
nele tua bandeira avance com vigor
e subjugue vitoriosamente todos os inimigos.

Schoenstatt permaneça teu lugar predileto,
baluarte do espírito apostólico,
guia que conduz à luta sagrada,
fonte de santidade na vida diária;

fogo ardente que flameja por Cristo,
espalhando centelhas de luz,
até que o mundo, como mar de chamas,
arda para a glória da Santíssima Trindade.
Amém.

(Rumo ao Céu, 493-500)

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