Entrevista com o novo reitor do Santuário de Cambrai

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“José Engling é um dos exemplos que me incentivaram a me tornar padre”

Barbara Sthefani Caldas / Karen Bueno – As terras de Cambrai, na França, carregam um valor histórico singular para a Obra de Schoenstatt. Foi neste local, em 1918, que José Engling entregou sua vida ao Pai, atingido por uma granada. O jovem tornou-se um dos maiores exemplos de heroísmo e fidelidade à Aliança de Amor, inspirando muitos a uma vida de santidade. E justamente ali, em Cambrai, posteriormente foi construído o “Santuário da Unidade”, um Santuário Filial de Schoenstatt que carrega essa herança histórica preciosa.

Atualmente um novo reitor tornou-se responsável por este Santuário. É o Pe. Adelin Gacukuzi, do Instituto dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt, natural de Burundi, na África. Pe. Adelin assumiu a nova tarefa de reitor no dia 17 de março de 2020. Em seu país natal, foi capelão militar, com a patente de general, e oficial das Forças de Defesa do Burundi (FDNB).

Num período de guerra, ele testemunhou de perto os trágicos acontecimentos no seu país e participou também em operações externas das Nações Unidas nas quais o contingente do Burundi esteve presente, como na Somália e na República Centro-Africana.

Conversando sobre a nova tarefa assumida na França, Pe. Adelin Gacukuzi nos conta:

Qual sua expectativa e desejo, ao assumir este trabalho frente ao Santuário de Cambrai?

Eu fiquei bem emocionado, muito contente. De início, conheci o Santuário de Cambrai em 1976, comecei [os estudos] no Seminário Menor no início do colégio e neste ano eu conheci Schoenstatt pelo Pe. Edwin German, do Instituto dos Padres de Schoenstatt. Ele era pároco de uma comunidade dirigida pelos Padres de Schoenstatt, a mais ou menos 20km de Bujumbura, capital do Burundi na época. Eu fiquei satisfeito de pôr os pés ali onde José Engling passou, pois ele é um dos exemplos que me incentivaram a me tornar padre. Eu sempre falei dele, aos militares, como um modelo de soldado durante a guerra. Minha esperança é de fazer este santo lugar no mundo ser conhecido por todos e, sobretudo, de receber as graças para melhor anunciar o Cristo Ressuscitado e sua Mãe Três Vezes Admirável.

 

O senhor é militar e assumiu a missão de Schoenstatt para sua vida, assim como José Engling. Porém, hoje vivemos uma “guerra” diferente. O que este jovem, Engling, tem para nos ensinar nestas novas batalhas?

Eu fui ordenado sacerdote em 7 de setembro de 1990 pelo Papa São João Paulo II, sobre a colina onde nós construímos o Santuário da Reconciliação Nossa Senhora de Schoenstatt, em Bujumbura, o segundo Santuário Filial do Burundi. Eu já era membro do Instituto dos Padres Diocesanos de Schoenstatt. Tornei-me pároco de uma paróquia no interior durante três anos, de 1990 até 1993 e em 1994 eu fui nomeado, junto com outros dois padres, sacerdote militar. A guerra rebentou justamente no início de meu apostolado junto aos militares burundeses, a chamada Armada Governamental, com a Rebelião dos Burundeses, que durou até 2005, quando houve a fusão de duas armadas (dois exércitos). Neste momento, sim, eu invoquei José Engling e mesmo que eu não fosse um combatente [de armas], era um combatente espiritual como José, que implorou a nossa Mãe Maria pela unidade e fraternidade. Ele me inspirou sobre muitas coisas, a fim de iluminar minhas ovelhas, que eram os militares e suas respectivas famílias: A esperança, a fé, o amor ao próximo, a devoção à Maria Três Vezes Admirável. O que pode nos ajudar atualmente durante essa guerra contra o Covid19 é se aproximar de Maria e continuar a renovar com ela a Aliança de Amor, caminho para a vitória junto de seu Filho, que venceu a morte. Ele vive para sempre.

 

O Santuário de Schoenstatt em Cambrai tem a missão de ser “Santuário da Unidade”. Em sua opinião, qual a importância desta missão para a atualidade?

A importância do Santuário da Unidade agora é de nos fazer compreender que Schoenstatt deve ser centrado sobre o Santuário. É dele que recebemos todas as graças necessárias para estar com Maria aos pés da cruz de seu filho, mas também de reunir todos os povos da Europa… franceses e alemães, franceses entre eles mesmos e entre nós todos a nível internacional. A união faz a força. Unidade de nossa Igreja.

 

O senhor está feliz de ter tido essa oportunidade ou este chamado?

Sim estou feliz de estar nesta missão para aprofundar a espiritualidade de Schoenstatt e viver em comunhão com os outros. Obrigado!

 

Texto original em francês, tradução: Barbara Sthefani Caldas

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