Você é a ocupação predileta de Deus, acredite, é verdade

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A Divina Providência cuida de cada detalhe da sua vida, tanto nos momentos de alegria como nas horas de dificuldade. Essa reflexão nos traz o Pe. José Kentenich:

Devemos ter a mais viva convicção de que Deus traçou um plano, não só um plano para o mundo, mas também um plano para minha vida pessoal. Quem concebeu esse plano? Não só a sabedoria e a onipotência de Deus, mas também o amor de Deus. Por isso é um plano de sabedoria, de onipotência e, principalmente, um plano de amor. Isto é verdade.

E o que isso significa?

Se nós pudermos nos colocar vitalmente neste terreno com ambos os pés, com todo o nosso ser, estaremos sempre em segurança – mesmo que em um ou outro caso não saibamos como agir. Mas se, de antemão, considerarmos: é um plano de amor, estaremos salvos. Então eu sei: neste plano há esse ou aquele sofrimento. Ser filho da Providência significa: ter a certeza de que qualquer acontecimento, alegria, dor, desilusão é um elemento essencial do plano de sabedoria, onipotência e amor de Deus. O filho da Providência, em todas as situações, se sente como o filho predileto de Deus.

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Não pensar que Deus esteja dormindo…

Antes, é como se Deus e eu estivéssemos sozinhos no mundo, tal o cuidado com que Ele toma em suas mãos os fios de minha existência. Eu, a ocupação predileta de Deus e Deus minha ocupação predileta pessoal! É isso o que significa na prática ser a ocupação predileta de Deus. Por isso o filho da Providência vive do espírito da Família, pois o espírito de Schoenstatt é o espírito da Providência.

Podem, por isso, acrescentar outra expressão: faz parte de nossa estrutura, de nossa espiritualidade, a filialidade singela. Por isso, não foi em vão que falamos de uma genialidade da ingenuidade. Ingenuidade não é primitivismo. Ingenuidade é filialidade, espírito da filialidade, espírito da providência.

[…] Um exemplo do tempo do pós-guerra – eu o guardei porque é muito impressionante:

Depois da guerra por toda a parte havia carência de moradias. Em algum lugar no norte, perto de Colônia, morava um jovem comerciante. Era casado e Deus também lhe concedera um filho. Mas a família vivia apertada num quarto. O comerciante tinha muita escrita a fazer. Podem imaginar o que acontecia? A mulher cozinhava, a criança gritava e o homem trabalhava. Resultado: o homem ficava irritado. A pobre mulher sofria com isso, mas como era sábia, lhe disse: deves consultar um psiquiatra. O homem se opôs, mas finalmente resolveu aceitar o conselho. Porém a mulher não podia saber. Voltou para o quarto. O pequeno continuou a berrar, a mulher a cozinhar, mas o pai estava mudado, não se irritava mais. Então a mulher tomou coragem e perguntou-lhe: “Então, o que o médico lhe disse?” E ele respondeu: “Vamos nos alegrar e deixar que o pequeno grite, assim teremos depois um descendente sadio!”

Aí se oculta muita sabedoria da vida. Façam-no do ponto de vista religioso: tornar objeto de nossa alegria tudo o que é difícil para nós. Com isso consegue-se superar as dificuldades. O que queremos? O que Deus quer. Mas isso não atinge o mais profundo do ser. Devo dizer a mim mesmo: “O que Deus quer, é justamente isso que eu queria”.

Por exemplo: “Minha irmã é histérica: é justamente isso que eu queria”. Podem imaginar? Com uma irmã assim não dá para brincar. Imaginem então se começarem a se lamentar! Não: “É justamente isso que eu queria”. Ou: “Antes eu tinha uma casa tão acolhedora, e agora…! É justamente isso que eu queria!” – Devem aceitar toda a cruz e sofrimento que lhes tortura interiormente.

Sabem, sem sofrimento não podemos avançar. Quando ficamos mais velhos percebemos que ficamos mais isolados. Antes não se fazia nada sem nós e agora…! “É justamente isso que eu queria!”

Percebem quanta sabedoria de vida há em tudo isso?

É a sabedoria de vida do filho da Providência. Isso deve penetrar até a carne e o sangue. O domínio da vida se manifesta no fato de dominarmos a alegria e o sofrimento… Outra imagem que me ocupou durante o tempo da prisão – uma imagem muito singela: uma mulher espera um filho. Essa mãe não vai preparar as melhores fraldas para seu filho? Esta imagem sempre me voltava à mente quando eu, depois de estar com excesso de trabalho, de repente fui colocado num calabouço. Agora tudo acabou. Humanamente falando, seria de sucumbir. O pensamento “São as melhores fraldas que Deus preparou para ti” fez-me superar tudo.

Podem imaginar como esta imagem pode influir em nossa vida? É filho da Providência aquele que constata: és a ocupação predileta de Deus! Também em Dachau eu sempre mantinha a convicção interior: (estas) são as melhores fraldas! É a velha lei: quando um sarrafo está muito inclinado para a esquerda e eu quero endireitá-lo, devo dobrá-lo fortemente para a direita. Tenham particularmente diante de si, como meta, o que é difícil, tornando-o objeto da alegria- não só eticamente, mas sempre em relação com Deus.

 

Pe. José Kentenich, Schoenstatt / 1950, encontro da União Apostólica Feminina.

 

Fonte: Abrigado em Deus Pai – Textos escolhidos sobre Deus Pai, Pe. José Kentenich.

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