Herança de Hoerde: Educação apostólica de lideranças

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“Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi…” (Jo 15,16)

Gines e Bernadete Ponce – Inflama-nos o coração a verdade de que todos nós, incorporados em Cristo pelo batismo, somos chamados a ser apostólicos.

Na Encíclica Redemptoris Missio, o Papa João Paulo II nos faz ver que o chamado à missão deriva, por sua natureza, da vocação à santidade. Que todo missionário só o é, autenticamente, se se empenhar no caminho da santidade: “A santidade deve ser considerada um pressuposto fundamental e uma condição totalmente insubstituível para se realizar a missão de salvação da Igreja” (nº 90).

São João Paulo II reforça, no mesmo documento, que a espiritualidade missionária da Igreja é um caminho orientado para a santidade, dizendo: “O renovado impulso para a missão ad gentes exige missionários santos. Não basta explorar, com maior perspicácia, as bases teológicas e bíblicas da fé, nem renovar os métodos pastorais, nem ainda organizar e coordenar melhor as forças eclesiais: é preciso suscitar um novo ‘ardor de santidade’ entre os missionários e em toda a comunidade cristã, especialmente entre aqueles que são os colaboradores mais íntimos dos missionários” (nº 90).

Na Exortação Apostólica sobre a Evangelização do Mundo Contemporâneo, o Papa Paulo VI considera que “o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres…ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas…” (nº 41).

O Papa João Paulo II retoma a mesma afirmação na Encíclica Redemptoris Missio e acrescenta: “O homem contemporâneo acredita mais nas testemunhas do que nos mestres, mais na experiência do que na doutrina, mais na vida e nos fatos do que nas teorias. O testemunho da vida cristã é a primeira e insubstituível forma de missão: Cristo, cuja missão nós continuamos, é a ‘testemunha’ por excelência e o modelo do testemunho cristão” (nº 42).

Não simplesmente o maior, porém o máximo

Com o objetivo de apontar caminhos concretos que levem à formação de líderes apostólicos pela séria aspiração à santidade, vamos lançar um olhar à história de Schoenstatt.

No Documento de Pré-Fundação, nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, já anuncia os ideais e as leis fundamentais de Schoenstatt quando se apresenta aos seminaristas – futuros líderes apostólicos – dizendo de modo claro o que deseja alcançar com eles: “Sob a proteção de Maria, queremos aprender a autoeducar-nos, para sermos personalidades firmes, livres e sacerdotais”. Nesse momento já se adianta, com clareza, a aspiração à santidade de todos os dias sob o olhar e cuidados de Maria à luz da fé na Divina Providência.

No Documento de Fundação, em 18 de outubro de 1914, confirma esse desejo quando diz aos seminaristas: “Cada um de nós deve alcançar o mais alto grau imaginável de perfeição de estado e de santidade. Não simplesmente o grande e maior, porém, o máximo há de ser a meta de nossa mais elevada aspiração”.

E, apresentando aos jovens as exigências da Aliança de Amor com a Mãe de Deus, aponta a relação da séria aspiração à santidade como condição para se tornarem instrumentos aptos à liderança apostólica: “Esta santificação eu exijo de vós. Ela é a armadura com que vos deveis revestir, a espada com a qual deveis lutar pelos vossos desejos. Trazei-me diligentemente contribuições para o Capital de Graças: conquistai muitos méritos através do cumprimento fiel e fidelíssimo do dever e de uma zelosa vida de oração e colocai-os à minha disposição. Então estabelecer-me-ei de bom grado entre vós e distribuirei dons e graças em abundância; daqui, atrairei a mim os corações juvenis e educá-los-ei como instrumentos aptos em minhas mãos”.

Séria aspiração à santidade

Desde Hoerde, Schoenstatt assumiu, como missão, mobilizar todas as forças para a renovação religiosa-moral do mundo. Deixou-se registrado nos estatutos que a finalidade da União é a educação de apóstolos leigos, formados segundo o espírito da Igreja, inspirados pelo lema: “Caritas Christi urget-nos”, para que possam exercer atividade prática em todos os campos apostólicos.

Para alcançar essa meta se propuseram a uma séria aspiração à máxima perfeição possível, conforme seu estado, por meio da prática do Exame Particular, do Horário Espiritual controlado por escrito e prestação de contas, mensalmente, a um confessor, do cumprimento desses compromissos. Elegeram a MTA como protetora e São Paulo como patrono especial da nova comunidade, a União Apostólica.

Muito bem! A essência dos estatutos da União é a “Educação de apóstolos leigos formados no espírito da Igreja”. Nascia, assim, um novo Movimento, um Movimento Apostólico!

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