Igreja da Adoração: sua história e significado

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Foto: Ir. M. Nilza P. da Silva

Ir. M. Isabel Machado* – Um castelo no alto do Reno. É assim que pensam muitas pessoas, ao passar pela rodovia, próxima a Schoenstatt, e avistar, ao longe, as torres da Igreja da Adoração! Sim, é um Castelo: Um Castelo de Deus!

Geograficamente, a arquitetura da Igreja da Adoração se encaixa na paisagem da região, cheia de castelos, nas margens do Rio Reno, na Alemanha. Teologicamente, a arquitetura dessa igreja expressa a grandeza e a majestade de Deus: “O Senhor é o meu rochedo, minha fortaleza…. Meu Deus é a minha rocha, onde encontro o meu refúgio, meu escudo, força de minha salvação e minha cidadela!” (Sl 17,3)

No dia 20 de maio de 1966, Pe. José Kentenich presidiu a celebração do lançamento da pedra fundamental desta Igreja dedicada a Santíssima Trindade e da qual as três poderosas torres são uma confissão. A inscrição na pedra fundamental ressalta o sentido deste lugar: “Por Maria, gratidão e louvor à Santíssima Trindade”. Suas paredes e sua arquitetura falam não apenas da espiritualidade de Schoenstatt, mas também da sua história.

 

 

Como surgiu a Igreja da Adoração

O plano de construir uma Igreja da Adoração, em Schoenstatt, surgiu no início da Segunda Guerra Mundial. No segundo documento de Fundação, o Pe. Kentenich se refere aos quadros comemorativos no Santuário Original, que haviam sido doados após a Primeira Guerra Mundial, como um presente de gratidão por todos os benefícios recebidos. Ele diz: “Se Ela (a Mãe de Deus) nos conduzir vitoriosamente, por meio dos novos perigos e, apesar de todos os obstáculos, nos der a possibilidade de realizar a nossa missão, queremos dedicar a ela um novo monumento, que anuncie, para todas as gerações vindouras, o seu poder e a sua bondade. Será a construção de uma Igreja para os Peregrinos ou a edificação de um grande monumento dedicado à MTA? Ou outra coisa?” (Segundo Documento de Fundação, 106).

No Natal de 1939, foi tomada a decisão de que seria uma Igreja da Adoração e a responsabilidade por sua construção foi entregue, pelo Fundador, ao Instituto das Irmãs de Maria e, mais tarde, essa primeira ideia foi ampliada com o pedido pela proteção do lugar Schoenstatt e pela volta do Fundador, que fora preso no Campo de Concentração de Dachau.

O difícil período do pós-guerra e, especialmente, o exame da Obra de Schoenstatt pela Igreja, que começou logo em seguida ao término da II Guerra Mundial, fizeram com que a prometida Igreja da Adoração não pudesse ser construída logo. Mas, sim entre 1965 e 1968, seguindo o projeto do arquiteto Alexander Freiherr von Branca, de Munique/Reg. da Baviera. No domingo da Santíssima Trindade, 9 de junho de 1968, ela foi consagrada pelo bispo de Treves, Dom Bernhard Stein. Esta é sua História.

 

Mas, o que essa Igreja tem a nos dizer hoje?

Suas paredes são amplas e revestidas (por dentro e por fora) com pedras típicas da região do Reno e do Mosel. São muitas pedras naturais em tamanho, forma, cor e textura diferentes umas das outras, totalmente originais e únicas: um símbolo impressionante das pedras vivas, com as quais a Igreja de Deus é construída (cf. Pedro 2:5).

Já no Segundo Documento de Fundação, Pe. Kentenich disse que esta Igreja devia ser “um símbolo da grande catedral viva de Maria, que a Família de Schoenstatt deveria construir no mundo, na qual cada um de nós quer ser e permanecer uma pedra viva.”

Com certeza, ele nos diria o mesmo, hoje: cada um de nós, em sua originalidade, em sua maneira especial e única, deve se tornar e permanecer uma pedra viva, na construção da Igreja de Cristo na terra. Uma Igreja tão ameaçada e ferida – mas, a Igreja que queremos ajudar a construir e a sustentar com a nossa vida. Uma Igreja que não é formada de uma única pedra, mas, de várias pedras unidas e alicerçadas no único fundamento que é Cristo.

 

Foto: Ir. M. Isabel Machado

 

Em Aliança de Amor com Maria, rumo à Santíssima Trindade

Esta Igreja tornou-se um marco do caminho do Movimento Apostólico de Schoenstatt: A origem de toda Obra de Schoenstatt está no vale – que tem o nome Schoenstatt – no Santuário da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt. A Igreja da Adoração está sobre montanha e é consagrada ao Deus Uno e Trino. Isso marca a meta e o caminho que Schoenstatt percorre: Na Aliança de Amor com Maria, caminhar rumo à Santíssima Trindade.

 

Foto: Ir. M. Nilza P. da Silva

 

Deus assina a obra: local de falecimento do Fundador

Ninguém poderia imaginar, quando a igreja foi consagrada, que apenas três meses mais tarde o Fundador, Pe. José Kentenich, celebraria nela a sua última Santa Missa, em 15 de setembro de 1968, e logo em seguida completaria sua vida, devolvendo-a a Deus, no que era então a sacristia da igreja (local onde agora está seu sepulcro). Assim, Deus mesmo coloca uma assinatura no caminho do Fundador, assinalando-o como testemunha viva do amor a Deus Uno e Trino.

Pe. Kentenich, em 9 de julho de 1967, descreve a Igreja da Adoração:
“Nossa Igreja é um Castelo de Deus. Ela quer ser a habitação do Deus Trino. Aqui habita e é entronizado o Deus Trino, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Onde o Deus Trino habita e lhe é dado o trono, a Mãe de Deus também tem lugar e voz. É por isso que, naturalmente, em nossa Catedral da Trindade, em nosso Castelo da Santíssima Trindade, a Mãe de Deus, como nossa Mãe Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, também tem um lugar de honra”.

 

Foto: Ir. M. Nilza P. da Silva

 

* Ir. M. Isabel Machado reside em Schoenstatt e é responsável pela condução dos peregrinos no idioma português

 

Publicado em 19 de maio de 2023

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