Incline-se se quiser voar

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Lucas Pinheiro via IA

Ir. M. Nilza P. da Silva – A emoção explodiu no coração dos brasileiros, na manhã do dia 14 de fevereiro, quando Lucas Pinheiro “voou” no ski, em Bormio, na Itália, e conquistou a primeira medalha de ouro para o Brasil, nas Olimpíadas de Inverno.

Chama a atenção que o atleta desce a montanha nevada, com o corpo todo quase rente ao chão, equilibrando-se sobre seu ski. Na explicação dos treinadores esportistas, essa é uma técnica usada por Lucas para “voar”, pois, quando ele se inclina, diminui o espaço de atrito de seu corpo contra o ar.

Incline-se, se quiser voar!

Isso faz a gente pensar: É preciso inclinar-se para voar! Para crescer na santidade também é preciso se inclinar, fazer-se pequeno, a fim de não colocar barreiras para o sopro do Espírito Santo. Pe. José Kentenich explica que esta é a grande lei do reino de Deus: “Nossa Senhora a aplicou em sua vida e, com ela, analisou todos os acontecimentos do mundo e ao seu povo. ‘Grandes coisas fez em mim o Poderoso e santo é seu nome… Ele olhou para a pequenez de sua serva’. (Lc 1, 47-49) Esta é a grande lei de Deus da direção do mundo, como canta Maria: ‘Ele exaltou os humildes… despediu os ricos de mãos vazias’… derrubou os poderosos de seus tronos”. Uma lei muito especial!”[1]

O sim ao ser imperfeito abre-nos para o diálogo

Parece que atualmente há uma feliz redescoberta do valor de se inclinar e acolher os próprios limites. Brené Brown é uma amostra disso em seu livro tão conhecido: “A Coragem de Ser Imperfeito”. Ela mostra que é dessa coragem que nasce a abertura para o diálogo, “quando estamos vulneráveis é que nascem o amor, a aceitação, a alegria, a coragem, a empatia, a criatividade, a confiança e a autenticidade. Se desejamos uma maior clareza em nossos objetivos ou uma vida espiritual mais significativa, a vulnerabilidade com certeza é o caminho.”[2]

Viver de nossa essência

Ao comemorar sua vitória, Lucas disse: “Não importa de onde você é, as roupas que veste, a cor da sua pele. O que importa é o que existe dentro.” Isso encontramos também na espiritualidade de Schoenstatt, uma motivação contínua para se viver de nossa essência. A Aliança de Amor quer conduzir ao aprofundamento da filiação divina. Como Mãe e Educadora, no Santuário, Maria desperta continuamente em nós a consciência de que temos um Pai e, por livre decisão, precisamos inclinar-nos diante de seu amor infinito, a fim de que nada em nós se oponha à ação de sua graça.

Em Cristo, livres de aparências

Enfim, mais uma vez, “com a mão no pulso do tempo”, sentimos o pulsar do coração de Deus, que nos chama a ser o homem novo, livre, que vive de seu ideal pessoal, a essência de sua semelhança com Deus. Rezamos à Mãe de Deus, no Rumo ao Céu: “Faze que (em Cristo), livres de aparências, sejamos sempre teus perfeitos instrumentos, desprendidos de nós, só a ele dedicados.” (RC 113) Quando chegarmos na reta final de nossa vida, possamos repetir o que disse nosso medalhista: “Eu me senti muito conectado com meu coração.”

 

[1] KENTENICH, Pe. José. Com Maria, ao novo milênio, p. 45

[2] BROWN, Brené. A coragem de ser imperfeito. Trad. Joel Macedo. Rio de Janeiro: Sextante, 2013.

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