Maria é exemplo de humildade

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O Papa Francisco encerra uma série de catequeses sobre as virtudes, apresentando a humildade como uma porta de entrada para todas as virtudes e Maria como modelo de humildade:

A humildade é a grande antagonista do mais mortal dos vícios, a soberba. Enquanto o orgulho e a soberba inflam o coração humano, fazendo-nos parecer mais do que somos, a humildade repõe tudo na dimensão certa: somos criaturas maravilhosas, mas limitadas, com qualidades e defeitos. A Bíblia recorda-nos desde o início que somos pó e ao pó voltaremos (cf. Gn 3, 19); com efeito, “humilde” vem de húmus, ou seja, terra. No entanto, no coração humano surgem com frequência delírios de onipotência, muito perigosos, e isto fere-nos muito.

Para nos libertarmos do orgulho, bastaria deveras pouco, seria suficiente contemplar um céu estrelado para recuperar a medida certa, como reza o Salmo: “Quando contemplo o firmamento, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que fixastes, que é o homem para que vos lembrardes dele, o filho do homem para dele cuidardes?” (8, 4-5). A ciência moderna permite-nos ampliar muito mais o horizonte e sentir em maior medida o mistério que nos circunda e habita.

Felizes as pessoas que conservam no coração esta consciência da sua pequenez! Estas pessoas são preservadas de um vício tremendo: a arrogância. Nas suas bem-aventuranças, Jesus parte precisamente delas: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5, 3). É a primeira bem-aventurança, pois está na base das seguintes: com efeito, a mansidão, a misericórdia e a pureza de coração nascem desta sensação interior de pequenez.

 

Deus se deixa atrair pela humildade de Maria

A humildade é a porta de entrada para todas as virtudes! Nas primeiras páginas dos Evangelhos, a humildade e a pobreza de espírito parecem ser a fonte de tudo. O anúncio do anjo não se verifica às portas de Jerusalém, mas num povoado remoto da Galileia, tão insignificante que as pessoas diziam: “Pode vir algo bom de Nazaré?” (Jo 1, 46). Mas, é precisamente dali que o mundo renasce. A heroína escolhida não é uma pequena rainha, que cresceu na infantilidade, mas, uma jovem desconhecida: Maria. A primeira a ficar abismada é ela própria, quando o anjo lhe traz o anúncio de Deus. E no seu cântico de louvor, sobressai exatamente este enlevo: “A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito exulta em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade da sua serva” (Lc 1, 46-48). Deus – por assim dizer – é atraído pela pequenez de Maria, que é sobretudo pequenez interior. E é atraído também pela nossa pequenez, quando a aceitamos.

Daqui em diante, Maria terá o cuidado de não pisar o palco. A sua primeira decisão após o anúncio angélico é ir ajudar, ir servir a prima. Maria vai às montanhas de Judá, para visitar Isabel: assiste-a nos últimos meses de gravidez. Mas, quem vê este gesto? Ninguém, a não ser Deus. A Virgem parece nunca querer sair deste escondimento. Como quando, do meio da multidão, a voz de uma mulher proclama a sua bem-aventurança: “Bendito o ventre que te deu à luz e o seio que te amamentou!” (Lc 11, 27). Mas, Jesus responde imediatamente: “Bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a observam” (Lc 11, 28). Nem sequer a verdade mais sagrada da sua vida – ser Mãe de Deus – se torna para ela motivo de vanglória diante dos homens. Num mundo que busca a aparência, para se demonstrar superior aos outros, Maria caminha com determinação, só com a força da graça de Deus, na direção oposta.

 

A humildade é tudo

Podemos imaginar que também ela conheceu momentos difíceis, dias em que a sua fé avançava na escuridão. Mas, isto nunca fez vacilar a sua humildade, que em Maria era uma virtude forte como a pedra. Quero frisá-lo: a humildade é uma virtude granítica (forte e firme como a pedra, inabalável)! Pensemos em Maria: ela é sempre pequena, sempre despojada de si mesma, sempre livre de ambições. Esta sua pequenez é a sua força invencível: é ela que permanece aos pés da cruz, enquanto se fragmenta a ilusão de um Messias triunfante. Será Maria, nos dias precedentes ao Pentecostes, que reunirá o rebanho dos discípulos, que não foram capazes de vigiar uma só hora com Jesus e que o abandonaram, quando chegou a tempestade.

Irmãos e irmãs, a humildade é tudo. É ela que nos salva do Maligno e do perigo de nos tornarmos seus cúmplices. E a humildade é a nascente da paz no mundo e na Igreja. Onde não há humildade, há guerra, há discórdia, há divisão. Deus deu-nos o exemplo disto em Jesus e Maria, a fim de que seja a nossa salvação e a nossa felicidade. E a humildade é precisamente a vereda, o caminho da salvação.

 

Fonte: Vatican.va

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