Meditando sobre o PAI NOSSO com o Pe. Kentenich

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Neste ano dedicado a São José, a Igreja concede indulgência plenária àqueles que, por pelo menos 30 minutos, meditarem sobre a oração do Pai Nosso [1]. Além disso, para alcançar a indulgência, é necessário cumprir também as outras condições previstas: confissão sacramental, comunhão eucarística e orações pelas intenções do Santo Padre.

Abaixo trazemos uma reflexão do Pe. José Kentenich sobre esta oração, para ajudar a alcançar a indulgência:

Nós temos uma oração que é semelhante a um arco-íris de sete cores que enlaça a terra e o céu. É uma oração como um hino de harpa de sete cordas e que destila melodias admiráveis nos trabalhos diários de nossa vida. É o PAI NOSSO.

Certa vez, um protestante disse que não podemos rezar o Pai Nosso com lentidão suficiente. Gravemos bem isto, pois quantas vezes o rezamos com muita pressa e distraídos?!

Poderíamos perguntar: afinal, necessitamos de uma oração oral? Rezar quer dizer conversar, falar com Deus. Quando conversamos com alguém, não pegamos um livro e lemos um trecho do mesmo. [Mas] Com o bom Deus é diferente. É como acontece com pessoas de grande autoridade. Alegramo-nos quando temos uma orientação sobre como devemos falar com elas.

O Pai Nosso é uma instrução na oração.

Os discípulos não sabiam como deveriam relacionar-se com Deus e perguntaram a Jesus: como devemos proceder quando nos relacionamos com Deus? Jesus, então, deu-lhes esta instrução.

Certa vez, disse Tertuliano: os pássaros elevam-se aos ares e, por não possuírem mãos, estendem as asas em forma de cruz e seu canto eleva-se ao céu. O mesmo fazem os homens: o Espírito arrebata-os até o trono de Deus.

1. Começamos com um vocativo e dizemos simplesmente: Pai Nosso. Frente às autoridades, em geral, o vocativo nos dá muito trabalho. Mas, aqui, dizemos simplesmente: Abba, Pai! Isso expressa a filiação divina.

2. Agora temos os sete pedidos.

Santificetur nomen tuum! Santificado seja o vosso nome é o que o fundamento significa para a casa, o que a fórmula é para a matemática. Se a fórmula estiver errada, toda a conta estará errada. Para bem entendê-lo, temos que refletir sobre qual é a nossa relação para com o Criador. Nossa relação para com o criador é a relação da estátua com o artista que a fez. Se a imagem não fosse muda, se pudesse falar, o que diria ela no momento em que fica pronta? Diria o seguinte: tu és o meu senhor, tu me fizeste, eu te agradeço. Tu tens culpa que eu não sou mais um bloco de pedra no grande bloco de mármore. Eu te glorifico.

O mesmo devemos dizer também nós. Por isso, seria muito mais belo e certo se disséssemos: glorificado seja o teu nome! Glorificar quer dizer reconhecer alguém como seu senhor. Nós não temos que fazer nem mais, nem menos do que glorificar o nome do Senhor.

Também nós temos que fazer o que as criaturas fazem espontaneamente. Escutamos o canto dos pássaros: Tu és meu Senhor! Qual é a canção de toda a criação? Glorificado seja o teu nome!

Nós somos os reis e os sacerdotes da criação, por isso, devemos fazê-lo conscientemente. Se não rezássemos, deveríamos envergonhar-nos da natureza.

Esta é a primeira e melhor oração; existe outra que lhe é igual, ou melhor, outra que lhe é semelhante, por isso, poderíamos continuar: Adveniat regnum tuum! Venha a nós o vosso reino! Que reino será esse? Imaginemos ele assim: Nossa terra é uma província, uma colônia do céu. E esse grande Reino do Céu agora tem que descer ao reino da terra. Como isto será possível? No paraíso, esta petição era desnecessária, pois essa colônia era o próprio Reino do Céu. Porém, o demônio tinha em mira precisamente esta colônia e não sossegou até conquistá-la e separá-la do Reino do Céu.
Mas o olhar de Deus também repousava sobre esta província e, por esse motivo, enviou seu próprio filho para que a reconquistasse. Durante 30 anos Jesus teve que lutar e combater por este reino. Onde quer que o filho de Deus estivesse, surgiu o Reino de Deus. Por isso, encontramos o Reino de Deus em Belém, em Nazaré e entre os primeiros cristãos, esta comunidade admiravelmente bela, cujo reflexo e imagem devemos tornar-nos sempre mais.

No entanto, como é doloroso quando pensamos: onde está o Salvador? Somente em pequeninas parcelas dessa província! Daí a razão de ser do nosso pedido: que este reino se propague mais, extensivamente pensemos na semente de mostarda – e, intensivamente, lembremo-nos do fermento.

Ativa e passivamente! Nós somos os combatentes e devemos ocupar nosso lugar, quando nos dirigimos para fora, a fim de combater pelo Reino de Deus! Estão percebendo como tudo é tão importante?!

Fiat voluntas tua! Seja feita a vossa vontade! É o “Pai-Nosso” reduzido, pequeno. Quando o grande for demasiado extenso para nós, então rezemos o pequeno: Fiat voluntas tua! E estaremos nas alturas do sol do Reino de Deus, onde divisamos o céu e a terra.

O que significa: no Reino de Deus pode haver e reinar uma só vontade? Ele é uma monarquia única e absoluta. A comunidade será destruída, sempre que houver vários interesses. E que infelicidade seria se fossem milhares de interesses! Pode haver uma só vontade. Isto eleva a comunidade. Uma única monarquia absoluta: a vontade de Deus!

Fiat voluntas tua! Com esta frase, separam-se os espíritos. Se Adão e Eva tivessem observado melhor esta pequenina frase, eles hoje ainda estariam no Paraíso. E se o Salvador e a Mãe de Deus não a tivessem observado, o mundo não seria redimido. E a nós, tão onerados com a carga do pecado original, a nós, tão aferrados à própria vontade, como é difícil sujeitarmos nossa pequena vontade à grande vontade divina e nos subordinarmos a ela!

Panem nostrum quotidianum da nobis hodie! O pão nosso de cada dia nos dai hoje!
Vamos agora descer das alturas supremas e excelsas ao que é comum, algo de todos os dias, o pão nosso de cada dia. Simultaneamente, levamo-lo junto ao Pai: dá-nos para hoje o nosso pão! Pai, dá-nos pão! Não em superabundância, mas só o que necessitamos.

Sim, dá-nos o nosso pão, assim como o desejamos conquistar com o suor do nosso rosto. Dá-nos o nosso pão, todos os dias. Não pedimos para um tempo muito prolongado, somente para o dia presente. Esta é a oração da despreocupação cristã. Não nos preocupamos e não temos cuidados com o futuro. Só os pagãos o tem.

Após termos tocado o sininho da fome, é a vez do sino da culpa e das tempestades. Et dimitte nobis debita mostra, sicut dimittimus debitoribus nostris. É o confiteor, a acusação dos pecados e das culpas. Também para o futuro: Perdoai as nossas culpas. É a oração do publicano: “Deus, tende piedade de mim pecador” (Lc 18, 13)

É a oração daqueles que não têm com o que pagar, do que faz dívidas e não as pode saldar. É igualmente uma confissão espiritual, que encerra a contrição perfeita. O propósito é: como também nós perdoamos… Caso contrário, não há perdão. Está contido também a absolvição geral.

Segue, então, o sininho da tempestade: Et ne nos inducas in tentationem! Não nos deixeis cair em tentação! É a oração do náufrago em alto mar.

Por fim: Sed líbera nos a malo! Mas livrai-nos do mal! Livrai-nos do princípio do mal! Somos constantemente rodeados pelo inimigo, que nos solicita aos prazeres maus, que nos ameaça pelo pecado. Que podemos dizer senão: livra-nos do princípio do mal?! Concede-nos um Anjo da Guarda que nos acompanhe nos revezes e perigos da vida.

Devemos dar peso especial às três primeiras petições, pois toda nossa vida deveria ser: Sanctificetur nomen tuum!

Além disso, e muito particularmente: Fiat voluntas tua! Faça-se, Pai, a tua vontade!

 

Pe. José Kentenich, 1º de agosto de 1927

 

[1] https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-12/ano-sao-jose-indulgencia-plenaria-penitenciaria-apostolica.html

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