Porque Maria simplesmente quis estar no meio de seu povo…

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Foto: Pascom de Mauriti/CE

 

Não estamos sozinhos, ela sempre nos acompanha. Reflexão do Santo Padre, Papa Francisco:

 

Estar aqui convosco é sentir-me em casa, aos pés da nossa Mãe… Num santuário, nós, filhos, encontramo-nos com a nossa Mãe e lembramo-nos de que somos irmãos uns dos outros. É um lugar de festa, de encontro, de família. Viemos apresentar as nossas necessidades, viemos agradecer, pedir perdão e recomeçar. Muitos batismos, muitas vocações sacerdotais e religiosas, muitos namoros e casamentos nasceram aos pés da nossa Mãe. Muitas lágrimas e despedidas. Viemos sempre com a nossa vida, porque aqui estamos em casa e o melhor de tudo é saber que há alguém que nos espera.

Como tantas outras vezes, viemos porque queremos renovar a paixão de viver a alegria do Evangelho… No Evangelho, o Anjo anuncia a Maria com estas palavras: “Alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor está contigo”. Alegra-te, Maria; alegra-te! Perante esta saudação, ela ficou perplexa e interrogava-se acerca do seu significado. Não entende grande coisa do que estava acontecendo, mas soube que vinha de Deus e disse: “Sim”. Maria é a Mãe do Sim. Sim ao sonho de Deus, sim ao projeto de Deus, sim à vontade de Deus.

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Ela nos ajuda a manter a esperança

Um sim que não foi nada fácil de viver, como sabemos. Um sim, que não a cumulou de privilégios nem distinções; antes, como lhe dirá Simeão na sua profecia, “uma espada [lhe] traspassará a alma” (Lc 2, 35). E sabemos que a traspassou… Por isso a amamos tanto, encontrando nela uma verdadeira Mãe que nos ajuda a manter viva a fé e a esperança no meio das situações mais complicadas. Seguindo a profecia de Simeão, far-nos-á bem rever brevemente três momentos difíceis na vida de Maria.

1. Primeiro: o nascimento de Jesus. Não havia lugar para eles. Não tinham uma casa, uma morada para receber o seu filho. Não havia lugar, onde pudesse dar à luz. Nem família por perto, estavam sozinhos. O único lugar disponível era um curral de animais. E, na sua memória, ecoavam certamente as palavras do Anjo: “Alegra-te, Maria, o Senhor está contigo”. E poderia ter-se perguntado: “Onde está Ele agora?”.

2. Segundo momento: a fuga para o Egito. Tiveram de partir, exilar-Se. Em Belém, não só não havia lugar nem família, mas até mesmo as suas vidas corriam perigo. Tiveram que sair, partindo para uma terra estrangeira. Foram emigrantes perseguidos pela cobiça e a ganância do Rei Herodes. E lá ela também poderia ter-se perguntado: “Onde está aquilo que o Anjo me disse?”.

3. Terceiro momento: a morte na cruz. Não deve haver uma situação mais difícil para uma mãe do que acompanhar a morte do seu filho. São momentos lancinantes. Lá, ao pé da cruz, vemos Maria, como qualquer mãe, firme, sem abandonar, mas acompanhando seu filho até ao momento extremo da morte e morte de cruz. E lá também poderia ter-se perguntado: “Onde está aquilo que o Anjo Me disse?”. Em seguida, a vemos contendo e sustentando os discípulos.

Maria: missionária e peregrina

Contemplamos a sua vida e sentimo-nos compreendidos, entendidos. Podemos sentar-nos a rezar e usar uma linguagem comum a tantas situações que vivemos diariamente. Podemo-nos identificar com muitas situações da sua vida. Contar-lhe as nossas coisas, porque ela as entende.

Ela é mulher de fé, é a Mãe da Igreja, ela acreditou. A sua vida é testemunha de que Deus não decepciona, que Deus não abandona o seu povo, embora existam momentos ou situações onde parece que Ele não está. Ela foi a primeira discípula que acompanhou seu Filho e sustentou a esperança dos apóstolos nos momentos difíceis. Estavam trancados com não sei quantas chaves, com medo, no cenáculo. Foi a mulher que esteve atenta e soube dizer – quando parecia ser o fim da festa e da alegria –: “Não têm vinho!” (Jo 2, 3). Foi a mulher que soube ir e ficar com a sua prima cerca de três meses (Lc 1, 56), para esta não estar sozinha no parto. Esta é nossa mãe, tão boa, tão generosa, tão presente acompanhando-nos na nossa vida.

Sabemos tudo isto pelo Evangelho, mas também sabemos que, nesta terra, é a Mãe que esteve ao nosso lado em muitas situações difíceis. Este santuário guarda como um tesouro a memória de um Povo que sabe que Maria é Mãe, que esteve e está ao lado dos seus filhos.

Esteve e está nos nossos hospitais, nas nossas escolas, nas nossas casas. Esteve e está nos nossos trabalhos e nos nossos caminhos. Esteve e está à mesa de cada lar. Esteve e está na formação da Pátria, fazendo-nos uma nação. Sempre com uma presença discreta e silenciosa. Quando olhamos uma imagem, um santinho ou uma medalha, o sinal dum terço, sabemos que não andamos sozinhos, porque ela nos acompanha.

E por que motivo? Porque Maria simplesmente quis estar no meio de seu povo, com os seus filhos, com a sua família. Seguindo sempre Jesus, no meio da multidão. Como boa Mãe, não abandonou os seus; antes, pelo contrário, sempre apareceu onde um filho podia ter necessidade dela. E isto, só porque é Mãe.

 

Foto: Ladislav Padjen / Schoenstatt Croácia

 

 

 

* Homilia de 11 de julho de 2015

Fonte: w2.vatican.va

 

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