Nosso Fundador e o sentido da vida

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crematório de Dachau – Foto: Ir. M. Nilza P. da Silva

 

Ana Paula Paiva* – Viktor Frankl foi um psiquiatra austríaco, que relatou – na obra “Em busca de sentido” – suas experiências nos campos de concentração nazistas, durante a II guerra mundial. Nesse best seller, ele explica como sobreviveu em meio à tanta dor e sofrimento, tendo como base o sentido de sua vida, compreendido como os ideais pelos quais pulsavam seu coração. Após sua saída do campo, ele funda uma escola terapêutica importante, chamada logoterapia, que tem o condão exatamente de auxiliar na busca de sentido, que não deve ocorrer apenas em situações tão excepcionais como um campo de concentração, mas que estabelecem vínculos e amadurecimento a todos os que desejarem.

 

Nosso Fundador em Dachau

Nossa história, em Schoenstatt, também é marcada pelo profundo sofrimento com o qual nosso Fundador se deparou no campo de concentração. Após sua corajosa aceitação da cruz, Pe. José Kentenich passa por anos de duras provações, confiando plenamente na Divina Providência e na proteção amorosa de Maria. Em Dachau escreve nosso livro de orações mais próprio e original: o Rumo ao céu; lá também funda dois Institutos de nossa Família (Instituto dos Irmãos de Maria e Instituto de Famílias) dando provas de absoluta fecundidade, pertença, serenidade e coragem, ao passo que ficou conhecido como um sacerdote magnânimo e muitíssimo forte, ainda que em meio à tamanha desgraça.

O mesmo sentido da vida apregoado por Viktor Frankl foi vivenciado, vitalmente, por nosso Fundador. Com que ousadia vitoriosa e confiante Pe. José Kentenich se reunia com seus companheiros (Pessendorf, Kürh e Eise – que morre de tifo em Dachau, pouco antes do fim da guerra); com que valentia enviava correspondências clandestinas (valentia essa que também se mostrava evidente nas Irmãs de Maria que o auxiliavam de fora do campo, e de toda a Família de Schoenstatt que rezava, sem cessar, por sua libertação a partir da conquista da Carta Branca); com que paternidade sobrenatural servia de consolo à tantos que o procuravam, dentro do campo, para buscar a verdadeira conversão, para receber força em meio à iminência da morte, para celebrar a Eucaristia de forma tão secreta e em meio à prantos de tristeza e incerteza.

 

Bloco 14: lugar de fundação do Inst. de Famílias – Foto: Ir. M. Nilza

 

Sentido de pertença

Pe. José Kentenich é a demonstração concreta de que uma vida sem sentido não se sustenta – em meio à grandes aflições ou à calmaria da vida cotidiana. Foi o sentimento de pertença à Deus e à Schoenstatt que o sustentou em todo aquele período. Foi a segurança de estar abrigado no coração de uma Família – que igualmente se sacrificava, que o conduziu à serenidade relatada por tantos. O mesmo não poderia se passar conosco?

Se temos uma necessidade de pertencimento tão grande, o que fica muitíssimo claro quando nos deparamos com os agrupamentos por afinidades, tão comuns hoje em dia (o grupo do pedal, o grupo das corridas de rua, o pessoal do crossfit e do terço na paróquia às quintas à noite, por exemplo), não seria claro conectar esses vínculos à disposição e força para superar os desafios?

Não se trata aqui de um efeito manada. Não. É justamente o contrário. É o saber-se querido, amado e cuidado, por um grupo que realmente tem os corações voltados aos mesmos ideais, que fez emergir do Fundador a consciência do sentido de sua vida: ser pai, ser nosso pai espiritual, nosso fundador.

 

No Dachau da vida

Em meio a nossos desafios, evidentemente mais comuns que os dele, também podemos experimentar, vitalmente, a força que parte do sentido de nossa vida. Também nós podemos nos munir da pertença à nosso grupo ou comunidade; também nós podemos encontrar no coração de Deus a alegria, a serenidade, a verdadeira paz, mesmo e meio à tormentas e perigos ou às contrariedades da vida corriqueira, que não raras vezes nos tiram o prumo.

Foi em um dia como hoje, que nosso Fundador chega à Dachau para nos ensinar que vale a pena viver por aquilo pelo qual vale a pena morrer. Seguiremos seus passos?

 

*Ana Paula e seu esposo Guilherme pertencem ao Instituto de Famílias de Schoenstatt

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