O empoderamento da mulher

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“O empoderamento feminino chegou ao seu auge. Todas as mulheres estão buscando se conhecer melhor e se desconstruir dos antigos tabus”

Ir. M. Ana Paula Ramos Hyppólito – Frases como esta acima invadem a internet e as redes sociais, como slogan do feminismo.

Olhamos e escutamos o que tem se falado a respeito, mas, como schoenstattianos, temos uma posição frente a isso? Vale a pena iniciar uma reflexão sobre a ideia, o conteúdo, sobre o que tem por trás do empoderamento para depois tirarmos nossas conclusões.

“Empoderamento” é um neologismo criado pelo pedagogo Paulo Freire, que tem origem no termo inglês “empowerment”. O significado original fala de delegação de poder, de emancipação e de fortalecimento de alguém ou de um grupo.

A palavra é atraente pela ideia de se conquistar o poder, mas ela traz também algumas opiniões divergentes: “Contudo, podemos observar que o termo empoderamento traz em si algo de artificial e inadequado, pois, se eu sou ‘empoderada’, significa que alguém me concedeu poder e me fez poderosa. Trata-se, portanto, de algo externo e não intrínseco que nasce da essência do ser feminino” [1].

É preciso recordar que cada ser humano tem valor por ser criado por Deus à sua imagem e semelhança. Não preciso dar valor ou poder ao outro, pois Deus mesmo já lhe presenteou. O que precisamos é reconhecer e valorizar a força que há em cada homem e em cada mulher. Reconhecer o poder da mulher não significa desconsiderar o poder masculino. Ambos são complementares.

As mulheres em Schoenstatt

O Pe. José Kentenich sempre acreditou no grande poder que tem a mulher, já pelo fato de que tanto o pecado como a salvação entraram no mundo por uma mulher.

Eva foi a protagonista da desobediência e da queda de nossos primeiros pais; e Maria foi aquela que, por seu “sim” obediente e seu desejo de ser inteira e unicamente serva, trouxe ao mundo Jesus, a Salvação da humanidade. Ela, a pequena serva do Senhor, se tornou a mulher mais poderosa, a “onipotência suplicante”, aquela que mais tem poder diante do trono de Deus.

“O homem não é remido sem a mulher. Veem a importância que o bom Deus deu à mulher na história do mundo?” [2] (Pe. José Kentenich)

Maria tornou-se poderosa por muitos motivos: por sua pureza, por seu amor a Deus, pela filialidade e, principalmente, pelo serviço.

Na história da Igreja, um número incontável de mulheres seguiu o exemplo da Mãe de Deus, em sua atitude de serva. Um exemplo eloquente é Santa Benedita da Cruz (Edith Stein), com sua visão tão clara sobre a mulher e seu testemunho de vida. Em Schoenstatt, muitas mulheres percorrem esse caminho da verdadeira liberdade, encontrando seu valor pessoal e seu grande poder na atitude de serviçalidade desprendida de si.

Exemplo de Gertraud von Bullion

Gertraud von Bullion, a primeira mulher a ingressar no Movimento Apostólico de Schoenstatt, há quase cem anos, era uma condessa, nascida para governar, mas decide-se pelo servir. Este servir, não é prejuízo para ela, mas o seu caminho de autorrealização no amor a Deus e ao próximo. Uma condessa, dotada de grande talento musical e com capacidade de liderança, decide-se pela ajuda materna e fraterna, como enfermeira da Cruz Vermelha na Primeira Guerra Mundial, em enfermarias repletas e numa lavandaria de hospital, serviço que lhe faz contrair o bacilo fatal duma doença incurável.

Uma condessa, que participa na vida social da sua classe: gosta de teatro e concertos, joga tênis, faz viagens. Contudo, opta pela vida consagrada a Deus no meio do mundo, no espírito dos conselhos evangélicos. Decide-se por uma vida de amor e de imitação de Cristo, conduzida pela mão da Mãe de Deus na comunidade da União Apostólica Feminina de Schoenstatt. Como primeira mulher neste novo Movimento religioso, ela torna-se cofundadora e coformadora.

O Serviam (quero servir) de filha de Maria e o Non serviam (não quero servir) são os dois filhos deste mundo a enfrentarem-se entre si, (…) como sim e não a Deus.

Gertraud, condessa von Bullion, viveu só 38 anos, um curto espaço de tempo para lutar pela realização duma divisa de ressonância de eternidade. Ela queria servir principalmente com o exemplo. Com seu testemunho, ela é um estímulo para todas as mulheres em Schoenstatt, consagradas, solteiras, casadas ou viúvas, pois desenvolveu em si as características de filha, mãe e serva, às quais toda mulher que aspira à santidade está chamada a encarnar.

Educar para a serviçalidade

Como mulheres, sempre temos outros aos nossos cuidados, seja na família ou na profissão. É nossa tarefa educar quem se confia a nós a esta atitude de serviçalidade, começando por nós mesmas. Muitas vezes, sentimos que a “Eva” em nós não morre e deseja dominar, ela não quer servir, mas ter a última palavra, ter razão em tudo, quer deixar-se servir pelos outros. Estejamos atentas e rezemos para que o espírito da grande Serva do Senhor impregne nosso ser e nos coloquemos a serviço, também os mais escondidos e que ninguém valoriza hoje em dia, pois sabemos para que estamos neste mundo.

Independentemente de qual seja a nossa profissão, que possamos exercê-la com verdadeiro espírito de serviço, colaborando com os colegas, trabalhando bem em equipe, valorizando os talentos e capacidades dos outros, partilhando conhecimentos, deixando-nos ensinar pelos outros.

Lembro-me de uma jovem da Jufem que estando na Universidade, na hora do almoço, oferecia primeiro o prato para quem estava atrás dela na fila. Esse gesto tão simples não passou despercebido, assim outros jovens começaram a seguir seu exemplo.

Nossa vida é feita de pequenos gestos de amor e serviço, que possamos praticá-los e assim adquirir verdadeira liberdade interior e verdadeiro poder, pois quem serve, reina.

 

 

Referências:

[1] SALA, Elena Arreguy. Empoderamento Feminino. Disponível em: https://www.comshalom.org/empoderamento-feminino/ (acessado em 22/08/2019)

[2] KENTENICH, Pe. José. Eu saúdo os lírios! Palestras para a Juventude Feminina de Schoenstatt no Brasil. Secretariado da Jufem, 2014, 1ª edição. Santa Maria/RS, 15 de agosto de 1949.

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