O grito de amor dos nossos mártires

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“O sangue dos mártires é a semente dos novos cristãos”: Família de Schoenstatt da Arquidiocese de Natal no Santuário dos Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu

 

Do Rio Grande do Norte para todo o mundo

Pe. Fábio Pinheiro Bezerra – No ano de 1645, um grupo de calvinistas, vindo da Holanda ao Brasil, queria implantar sua religião no Rio Grande do Norte. O comandante da tropa holandesa, Jacó Rabi, um rabino judeu e convertido ao calvinismo, organizou o massacre junto aos índios da região.

Em Cunhaú (município de Canguaretama/RN), no momento da Missa, em 16 de julho de 1645, foi publicado um documento convocando a população para, após a missa, ouvir o decreto do alto poder holandês. Porém, na hora da missa, isto é, antes do “anúncio oficial”, os holandeses se juntaram aos índios locais, os tapuias e os flamingos, para atacarem os fiéis que estavam na igrejinha de Nossa Senhora das Candeias, para que estes se convertessem ao calvinismo.

O sinal dado pelo comandante foi de que, no momento em que o Pe. André de Soveral, pároco de Cunhaú, elevasse a hóstia sagrada e o cálice na consagração do pão e do vinho, eles invadissem a pequena capela do engenho. E assim o fez. Fechadas, então, as portas, pediram a renúncia de sua fé católica pela do calvinismo e, dessa forma, seriam poupados. Como vieram a recusar, foram brutalmente mortos pelos índios e flamingos. O Pe. André de Soveral orientou seus fiéis para que rezassem o “Ofício da Agonia”, a fim de morrerem em paz.

Em Uruaçu, São Gonçalo do Amarante/RN, o massacre ocorreu em 3 de outubro do mesmo ano, pelos mesmos motivos e autores. Foram cruelmente mortos o Pe. Ambrósio Francisco Ferro e tantos outros. Destaca-se, também, o leigo Mateus Moreira que, ao lhe ser arrancado o coração pelas costas, pôde exclamar: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”.

Os Santos Mártires Potiguares, canonizados no dia 15 de outubro de 2017 pelo Papa Francisco, em Roma, nos deixaram grandes lições. Dentre os que a Igreja elevou à honra dos altares, conhecemos apenas 30 nomes: os sacerdotes André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro e incontáveis leigos, como Mateus Moreira, Estêvão Machado de Miranda e outros. Entre tantas lições, destacamos: o amor profundo à Santíssima Eucaristia na participação da Santa Missa dominical. Era domingo quando, em Cunhaú, foram martirizados. Profundo amor ao sacerdócio: os dois sacerdotes que foram cruelmente assassinados persuadiram os fiéis a se entregarem por amor e eles os obedeceram. Fidelidade à Igreja Católica: eles preferiam morrer a negar a fé.

Tertuliano, um dos Padres da Igreja, dizia que “o sangue dos mártires é a semente dos novos cristãos”. De fato, sem qualquer dúvida, esta semente produziu seus frutos ao longo da história da Igreja. O testemunho dos Santos Potiguares continua ecoando na vida da Igreja.

Para o Movimento Apostólico de Schoenstatt, eles podem ser um exemplo concreto, pois, como dizia o fundador, Pe. José Kentenich, devemos tornar-nos “filhos da Eucaristia, amantes apaixonados da sagrada Eucaristia”.

Pe. José Kentenich, quando esteve exilado nos Estados Unidos, disse ter sido esta experiência mais dolorosa que a do Campo de Concentração de Dachau, por lhe ter sido imposta pela Igreja a quem ele servia com extremo amor. Na ocasião, questionado porque ele não se defendia com mais vigor, ele respondeu: “Na Igreja a gente obedece”. O Pe. José Kentenich tinha profundo amor ao sacerdócio, pois, desde os seus 12 anos, no dia de sua primeira Eucaristia, manifestou à sua mãe o desejo de ser padre.

Esses são alguns exemplos, entre tantos outros, que poderíamos citar sobre a vida dos Santos Mártires do Rio Grande do Norte com o testemunho e a história de vida do fundador da Obra de Schoenstatt.

Por fim, ao celebrarmos os 376 anos do morticínio de Cunhaú e Uruaçu, temos a certeza que o sangue dos Mártires é o sangue da esperança que, ao cair no chão, traz frutos de nova vida para a vida do Reino. Não há amor maior do que dar a vida pelos irmãos (Jo 15,13). Os Mártires, ainda hoje, sem demora, se oferecem para o anúncio de Cristo e do seu Evangelho, despertando-nos a nos entregarmos a Cristo e à Igreja por amor, como o fundador de Schoenstatt também o fez e encontramos no seu túmulo, Dilexit Eclesiam.

Pe. Fábio Pinheiro Bezerra
Pároco do Santuário dos Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu e Assistente Eclesiástico do Movimento Apostólico de Schoenstatt.

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