O Homem Apostólico

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Schoenstatt é um Movimento essencialmente apostólico: quer formar apóstolos comprometidos, capazes de acender também em nós o mesmo zelo apostólico. Por isso o Pe. Kentenich reza nas orações do Rumo ao Céu:

“Faze-nos arder como labaredas e avançar com alegria ao encontro dos povos, combater como testemunhas da Redenção, para conduzi-los jubilosos à Trindade” (12)

Assim o fundador de Schoenstatt faz dele o desejo de Cristo: “Eu vim lançar fogo à terra, e que tenho eu a desejar se ele já está aceso?” (Lc 12,49)

Desde fins do século passado até nossos dias,se vem repetindo na Igreja, cada vez com maior insistência, o chamado missionário, especialmente aos leigos. O Concilio Vaticano II foi um marco neste sentido. Com muita força e claridade urge aos leigos assumir seu dever e seu desejo a evangelizar. Os sacramentos do batismo e da confirmação os capacitam para exercer um compromisso apostólico ativo, participando assim da tríplice missão de Cristo: de sua missão pastoral, sacerdotal e profética.

Nosso século é testemunha do despertar do laicado. Surgem múltiplas iniciativas apostólicas e movimentos eclesiais que atestam uma autentica irrupção do Espírito Santo. Sem dúvida, o zelo apostólico e missionário será decisivo na configuração da Igreja no terceiro milênio.

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A Igreja tem que dar hoje um passo adiante em sua evangelização; “deve entrar em uma nova etapa histórica de seu dinamismo missionário”, afirma o Papa João Paulo II.

Nesta nova etapa histórica, os cristãos não só devem assumir o papel apostólico e missionário que lhes corresponde, mas também são chamados a responder ao extraordinário desafio evangelizador que preenche um mundo secularizado e envolto em uma espiral de desenvolvimento e mudanças como nunca antes se havia experimentado.

A carência de um serio compromisso apostólico no passado, teve como conseqüência que importantes áreas do desenvolvimento científico, técnico, social, econômico e cultural ficassem à margem da influencia orientadora da Boa Nova de Jesus Cristo. Assim nos encontramos hoje ante um mundo cada vez mais materialista e indiferente frente a Deus. A brecha que separa a fé e a cultura é tremendamente profunda e difícil de superar.

João Paulo II, insistentemente, fez um ardoroso chamado para uma nova evangelização. Com energia mostra sua novidade: é “nova em seu ardor, em seus métodos, em sua expressão” (Alocução do 9.03.1983).

Este é o horizonte eclesial na qual nasceu Schoenstatt. Adiantando-se ao que a Igreja viveria na segunda metade do século XX, desde seu começo se sentiu chamado a levantar a bandeira do apostolado. Como movimento apostólico quis comprometer-se na luta pela “renovação religioso-moral do mundo em Cristo”, fazendo suas as bandeiras que, decênios mais tarde, hastearia a Igreja pós-conciliar.

Já nos primeiros tempos, o Pe. Kentenich previniu do perigo que se considerasse a Schoenstatt como um clube de auto-santificação. Schoenstatt é um movimento, não uma organização estática; é um organismo eminentemente dinâmico. É um movimento apostólico, impulsionado por uma forte consciência de missão e orientado ao compromisso evangelizador. Mais ainda, é um movimento apostólico de renovação, que quer animar eficazmente a vida da Igreja, para que esta seja a alma do mundo e plasme uma nova cultura. Nada mais alheio a natureza de Schoenstatt que encerrar-se em si mesmo, alienando-se dos desafios que o tempo atual propõe ao cristianismo.

Quando a Virgem Maria presenteia em seu Santuário as graças do abrigo espiritual e da transformação interior, é para fazer de nós verdadeiros apóstolos, instrumentos aptos em suas mãos e enviar-nos para trabalhar na vinha do Senhor. Nossa Mãe e Rainha, a Companheira e Colaboradora de Cristo em toda sua Obra redentora, deseja que cooperemos com ela e como ela na Obra redentora de Cristo.

Durante a primeira guerra mundial, quando recém estava nascendo Schoenstatt, entre os primeiros congregados circulavam as “Orações Apostólicas”, compostas pelo Pe. Kentenich. Em sua simplicidade, refletem o espírito que anima ao Movimento:

“Mãe Três Vezes Admirável, nos ensina a lutar. Contra todos os inimigos, o teu reino propagar. Seja em ti o mundo inteiro renovado e amor e fiel incenso oferte a teu Filho, o Senhor.”

A vocação apostólica e missionária de Schoenstatt é tanto mais fecunda quanto mais se realiza à sombra do Santuário. Durante o tempo de Dachau o caráter apostólico do Movimento de Schoenstatt é já uma realidade viva. Por isso, no campo de concentração, o Fundador pode rezar esta oração:

Schoenstatt permaneça o teu lugar predileto, baluarte do espirito apostólico, guia que conduz à luta sagrada, fonte de santidade na vida diária. Fogo ardente que flameja Cristo e, chamejante, esparge centelhas de luz, até que o mundo, num mar de chamas, arda para a glória da Santíssima Trindade” (499-500).

Em suas viagens internacionais, depois da Segunda Guerra Mundial, Pe. Kentenich, com grande intuição sobrenatural, descobre o potencial apostólico que existe na América Latina. Ele acompanhou de perto a deterioração moral e religioso da Europa, e estava convicto que os povos latinos, que durante séculos permaneceram mais bem passivos e receptivos, deviam agora assumir uma decisiva responsabilidade histórica. Por isso, chamou o Movimento de Schoenstatt na América Latina para enfrentar um extraordinário desafio missionário. Com isso ele antecipou ao que, mais tarde, os Sumos Pontífices proclamariam ao referir-se a América Latina, como “o continente da esperança” para a Igreja universal.

Por Ir. M. Nilza Pereira da Silva

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