O homem-filme e o homem novo

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(Fotos: pixabay.com)

Formar o novo homem também hoje

Pe. Rodrigo da Rosa Cabrera – Muito ouvimos falar em crises e de como a humanidade é afetada por elas. São inúmeras as soluções apresentadas, mas poucos os resultados concretos. Na década de 1950, nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, apresenta a oração, ou seja, o vínculo harmonioso com Deus, como núcleo genuíno do educador católico que não tem outro objetivo senão educar filhos de Deus e por isso alguém que deve lançar-se ao transcendente. Essa reflexão se dá na ocasião de uma jornada pedagógica conhecida como “Linhas Fundamentais de uma Pedagogia Moderna para o Educador Católico”.

Já na época, o Pe. Kentenich falava de uma situação antropológica caótica, fazendo uma profunda análise dos mais internos mecanismos que permitiram à humanidade alcançar tal condição. Ele identifica, naquele momento, o desequilíbrio, a insegurança, a falta de referência ao lar e a desvinculação. Conclui que, seguindo por esse caminho, chega-se à dissolução da natureza humana. Os que se interessam em se contrapor à imagem de ser humano pensada por Deus também organizam suas fileiras e preparam-nas com fortes exigências, ou seja, apostam na capacidade humana de superar os próprios limites, envolvendo forças superiores da natureza humana.

O fundador salienta que a humanidade que se tenta erguer sem Deus conduz à formação de pessoas que não atingem a imagem de ser humano pensada pelo criador. Ele usa a expressão “homem-filme” para falar dessa humanidade que reage somente às impressões sensitivas, sem juízo próprio, ou seja, deixa-se guiar pelas paixões. No entanto, não é possível deixar de considerar a condição essencial que define totalmente a identidade humana: depois da encarnação do Filho de Deus e através do batismo, todos foram inseridos na filialidade divina e, por isso, chamados a realizar essa vocação já neste mundo.

Para o Pe. Kentenich, o homem-filme é a pessoa facilmente manipulável. “Ele está entregue às impressões exteriores e suas atividades não possuem mais relação orgânica mútua. Parece que os seus diversos atos não estão mais arraigados no cerne da personalidade”, ou seja, ele age de acordo com o vê, segundo a forma de agir das outras pessoas e não de acordo com o que sente e acredita – é o homem-massa.

 

Para os leitores assíduos do Pe. Kentenich, não é estranha a expressão “nova margem”, que sintetiza todo processo de transformação do mundo e da sociedade e, da mesma forma, a nova realidade da qual faz parte a natureza humana pelo mistério da encarnação, paixão, morte e ressurreição do Filho de Deus. Nesse sentido, destaca o fundador, o “novo homem”, que se encaminha às “novas margens” como homem elevado pela graça de Deus, é o homem que possui um fim claro e que por ele se orienta, não deixando-se abater pelos infortúnios da vida e da história.

O ideal do “homem novo” será sempre o fundamento para um verdadeiro programa de vida a ser conquistado, não importando quais sejam as situações históricas pelas quais passa a humanidade. É um já provado caminho demonstrado pelos inúmeros santos da Igreja que a seu tempo responderam às dificuldades e exigências de sua época.

 

*Contribuição do Instituto dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt

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