O impulso da primeira hora: Ide e evangelizai parte 2

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“Devemos lutar por nossos mais elevados bens, tornar-nos fermento na massa”

 

Pe. Heitor Morschel – A União Apostólica, surgida com o Congresso de Hoerde de 1919, tinha como lema: “Caritas Christi Urget nos!” (O Amor de Cristo nos Impele), fundamentada na carta de São Paulo aos Coríntios (2 Cor 5,14). Nela, o Apóstolo exorta a permanecer fiéis a Cristo no trabalho apostólico. Foi Ele que nos amou primeiro e morreu por nós, “a fim de que aqueles que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que morreu e ressuscitou por eles” (2 Cor 5,15). Na Tradição da Igreja, sabemos que a mesma é “fundada na fé dos Apóstolos”[1], como testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo. Popularmente, na pessoa de Pedro está contida toda a ortodoxia, ou seja, toda a doutrina e organização da Igreja. Em Paulo, vemos toda a ortopráxis, ou seja, todo trabalho missionário, apostólico.

 

Fritz Ernest (um dos dirigentes), em palestra proferida no final do Congresso de Hoerde, ao comentar a vocação de Paulo na sua ida a Damasco, nos diz: “O raio atingiu o coração de Saulo e transformou-o no coração de Paulo, num coração de Apóstolo”[2]. A partir desse contato, dessa experiência com o Senhor, “o apóstolo grava em si a imagem de Cristo e recebe o Evangelho das mãos do Salvador. Daí, parte para o meio do mundo com a imagem de Cristo no coração”[3]. Certamente foi uma experiência marcante na vida de Paulo. Em muitas passagens bíblicas ele vai se lembrar desse encontro com o Senhor. O mesmo Fritz continuava exortando: “O dia da União Apostólica deve ser, igualmente para nós, um dia de Damasco. Com o coração de Paulo, devemos lutar por nossos mais elevados bens, tornar-nos fermento na massa, farol que ilumina o caminho entre as frivolidades e obscuridades modernas”[4]. Este “dia de Damasco”, do encontro com o Senhor, deve ser a base de todo o trabalho apostólico do Movimento. Nesse encontro está o Amor. Ele é o combustível da missão.  Precisamos desse amor. Por isso, “nossa missão inicia-se no apostolado conosco mesmos, na realização da palavra do Apóstolo: ‘Quero tornar-me outro Cristo’”[5].

 

Caritas Christi Urget nos

 

O amor de Cristo nos impele: é amor dado e repartido entre todos. Paulo nos deu o exemplo. Mas, a transformação do mundo exterior começa na transformação do mundo interior, em cada um de nós, pela autoeducação e santificação na vida diária. O próprio Pe. José Kentenich, em carta aos dirigentes dos grupos da União, em novembro de 1919, nos adverte: “A todo o nosso cristianismo atual falta interioridade”[6]. E acrescenta: “O que nossa época necessita é de novos santos; de grandes santos, convincentes e arrebatadores; e, se não santos, homens novos, personalidades íntegras, cristãos novos, autênticos, interiorizados e perfeitos”[7].

 

São Paulo continua sendo para nós, membros de Schoenstatt, modelo de evangelizador para nossos dias. A sua fé, sua entrega e sua coragem devem ser norteadores para nossas vidas. E, por falar em coragem, vem-me à mente uma estória que um dia ouvi: muitas vezes dizemos que o cristão precisa de coragem na missão. No entanto, “coragem” é uma virtude dos soldados que lutam por dever a cumprir. Talvez, a palavra mais adequada poderia ser a “fé”, pois o cristão vive da fé (Rom 3,28). Lutamos, não por dever, mas por sermos homens livres. O mundo de hoje necessita de homens livres que deem a sua vida livremente pela transformação do mundo.

 

O Brasil é Terra de Missão, é “Terra Tabor”[8]. O Cristo Redentor, que aparece com os braços abertos, nos convida ao encontro com o Cristo Vivo e a missão: ide e evangelizai (Mt 28,19-20). Essa é nossa tarefa. Essa é a nossa missão. Tenhamos fé e esperança no nosso trabalho apostólico.

 

 

*Pe. Heitor Morschel pertence à União dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt, da Arquidiocese de Porto Alegre/RS

[1] Catecismo da Igreja Católica, n. 857.

[2] Importância do Congresso de Hoerde 1919 para o Movimento Apostólico de Schoenstatt. Atibaia: São Paulo, p. 70.

[3] Idem. P. 71.

[4] Idem. P. 72.

[5] Idem. P. 74.

[6] Carta do pe. Kentenich aos Dirigentes dos Grupos da União Apostólica, 06 de novembro de 1919.

[7] Idem.

[8] ANDRACA, Rafael Fernandez. 150 Perguntas sobre Schoenstatt. São Paulo: Nueva Patris, 2011, p. 138.

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