O lado schoenstattiano dos métodos de meditação

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Meditar é uma das formas de oração mais antigas e sublimes da Igreja (foto: Lilia Macías, via cathopic.com)

 

O que a Igreja e nosso Fundador nos dizem e como aplicar isso à vida

Ana Paula Paiva – Temos vivido um tempo marcado pelo “selo de Marta”, como diz o Padre de Schoenstatt Rafael de A. Fernandez. Uma sociedade cada vez mais rápida, que pensa e age em ritmo frenético e com dilemas cada vez mais complexos e multifacetados. Ativista, sem tempo e parada, que busca sempre a eficiência acima de tudo. E que, em contrapartida, está sempre em desassossego, aflita e cansada.

E é nessa sociedade que o interesse e a busca por técnicas de meditação e controle de estresse aumentam. Em meio à pandemia da Covid-19, por exemplo, as buscas pelos termos “meditação e mindfulness” atingiram o recorde dos últimos 16 anos, segundo levantamento do Google. Em relação ao ano passado, a pergunta “como fazer meditação para ansiedade” cresceu 4.000% e a busca por “benefícios da meditação” chegou aos 200%. [1]

As informações (nem sempre verdadeiras) chegam a dispositivos eletrônicos, na palma da mão, em segundos. Há diferentes técnicas e estilos de meditação, mas, como a Igreja vê isso? Quais métodos ela indica? O que nos orienta o Fundador de Schoenstatt?

Podemos dizer que a meditação católica surgiu já nos primeiros séculos da Igreja, especialmente com os padres do deserto (padres e monges que compõem o que chamamos de Patrística e foram extremamente importantes na configuração da nossa espiritualidade e mística católica).

Atualmente, é possível encontrar vários formatos de meditação católica, com nuances que são estabelecidas pelos carismas, espiritualidades e movimentos eclesiais (e que tornam vivos os influxos do Espírito no seio da Igreja), mas há uma similaridade importante e que permeia todas as orientações católicas a respeito do tema: meditar não é um esvaziar-se, mas um encontro de amor com Deus.

 

… e, por isso, é uma forma de vínculo, um deixar-se tocar pelo amor de Deus (foto: Markus Baumeler, via pixabay.com)

 

Meditar é uma das formas de oração mais antigas e sublimes da Igreja – e, por isso, é uma forma de vínculo, um deixar-se tocar pelo amor de Deus e que nos educa, santifica e é capaz de moldar nosso dia a dia com seus frutos. Não é uma experiência que busca a paz e serenidade como fim imediato, tal como acontece nas técnicas de meditação oriental, mas antes disso, um buscar a Deus e encontrá-lo nos textos bíblicos, leituras espirituais ou na vida e nos acontecimentos – e então, a partir desse encontro humilde e que nos santifica, desse preencher-se de Sua Graça, encontrar também a paz e a serenidade para seguir com nossos afazeres diários.

Para nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, a meditação deve ser uma escola de amor. Ele dá essa sugestão: “Se querem saber se meditaram bem, devem se perguntar somente: na meditação eu aprendi a amar, a amar de forma correta?” [2]. É essencial, para nós schoenstattianos, que nossa oração meditativa nos leve a amar mais a Deus e a realmente encontrá-Lo – como filhos da Providência que somos – em nossas vidas, nos acontecimentos passados e presentes, nas experiências que vivenciamos. Para tanto, além de nos prepararmos previamente para a meditação, com a escolha do seu objeto (um texto ou um acontecimento, por exemplo), devemos nos colocar na presença de Deus e pedir Sua graça para nos aproximar intimamente de Seu mistério de amor; e pensar também na postura física que nos encontramos ao meditar, o local que estamos, nossa disposição mental e emocional para esse encontro.

Como sugestão, Pe. José Kentenich propõe que respondamos a três perguntas (que constituem uma importante ajuda no desenvolvimento da meditação):

1) O que me diz Deus? (no texto que estou lendo ou sobre a circunstância que estou refletindo);
2) O que eu digo a mim mesmo?
3) O que respondo a Deus?

Não se trata de um itinerário fechado para a oração meditativa, mas do início de um caminho de amor que acompanha nossa vocação e amadurecimento espiritual.

O mais importante, contudo, é que tenhamos consciência de que a meditação católica tem diferenças significativas de origem, forma e finalidade, para com as técnicas orientais de meditação e que essa oração é nossa busca pelo retorno, saudoso e humilde, à casa de Deus, como filhos amados e prediletos que querem se encontrar com um Pai de amor e bondade.

 

Devemos nos colocar na presença de Deus e pedir sua graça (foto: Olivia Snow, via unsplash.com)

 

[1] Dados levantados pelo jornal O Estado de São Paulo (edição para assinantes), com informações reproduzidas neste site: https://www.otempo.com.br/interessa/saude-e-ciencia/na-pandemia-buscas-por-meditacao-no-google-batem-recorde-1.2403668

[2] Como aprender a meditar, Pe. Rafael Fernandez

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