O que o coronavírus tem a ver com marshmallows?

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(Foto: pixabay.com)

 

Uma reflexão sobre a virtude da paciência

Marshmallows – aquelas iguarias doces que as crianças grandes e pequenas adoram comer – trouxeram informações surpreendentes há cerca de 60 anos: em um experimento do psicólogo Walter Mischel (1930-2018), especialista em psicologia social e da personalidade, professor da Universidade de Stanford, essas iguarias foram distribuídas, em uma pré-escola, para crianças de quatro anos. Elas poderiam comer imediatamente os doces – ou poderiam esperar que o experimentador voltasse e as recompensasse com outro marshmallow.

Algumas crianças mal podiam esperar e agarraram-no imediatamente. Outras esperaram, por mais difícil que fosse, e foram recompensadas no final com dois marshmallows em vez de um.

Após 14 anos, as mesmas crianças foram observadas novamente. E eis que os filhos pacientes tornaram-se personalidades maduras, que podiam aceitar contratempos e adiar uma recompensa para atingir objetivos importantes. Já os impacientes eram emocionalmente mais instáveis, menos determinados, tinham notas mais baixas na escola, mesmo tendo o mesmo nível de inteligência.

Os psicólogos chamam isso de capacidade de adiar a gratificação. Essa habilidade pode ser mais importante do que inteligência. Pessoas que aprenderam e possuíam essa habilidade conseguiam perseguir objetivos de longo prazo, colocar-se sob menos pressão, tomar decisões mais objetivas, ter menos conflitos e melhores relacionamentos, ter mais descanso para encontrar melhores soluções, ter pressão arterial mais baixa e um estado de nervos mais estável (veja aqui em alemão: karrierebibel.de/geduld/)

Quem não gostaria de ter essas qualidades?

E já estamos na Quaresma, em plena pandemia do coronavírus. São precisamente essas habilidades que são exigidas quando a vida não é tão “normal”. Precisamos da virtude da paciência.

Não estamos desamparados à mercê das possibilidades que tínhamos aos quatro anos. Nós podemos aprender. Agora!

E aqui estão três áreas de prática possíveis nos dias de hoje:

Exercício 1:
Use lugares e tempos de espera: Temos muito tempo entre compromissos, conversas, no ponto de ônibus, no ônibus … antes do jantar, antes do noticiário… E agora o truque: não pegue seu celular para preencher essas lacunas – pense nisso: que coisas bonitas me foram dadas nas últimas horas? Ou, que coisas difíceis eu tenho que aceitar?
Ao fazer isso, aprendo a ser paciente o suficiente para esperar com calma e paciência o próximo passo do dia.

Exercício 2:
Observe as pessoas pacientes: posso aprender com elas.
Quando folheio o jornal pela manhã ou acompanho as notícias na internet: Quando e com quem ter paciência é um problema?
Quando vejo um filme à noite: Quando e como as pessoas desse filme demostram paciência? Como elas consegue manter a calma e esperar pacientemente?

Exercício 3:
Dê uma olhada na Bíblia: Tiago 5, 7-11 – Incentivo à paciência
Entendida pela fé, paciência é a confiança de que Deus me dará o que é certo e importante para minha vida na hora certa. Posso esperar pacientemente por este momento. Ter paciência não é uma atitude passiva, como apenas “suportar”. Em português a palavra vem do latim: e significa resistir, algo muito ativo: resista!

Já faz quase um ano que enfrentamos a pandemia do coronavírus. Em suas várias etapas, surgiram novos tópicos com os quais todos os países do mundo tiveram que lidar. A primeira pergunta era: quem é o culpado por todo esse dilema? Em seguida, houve altos e baixos, cujos requisitos determinariam nosso cotidiano: máscaras de proteção, distanciamento, cancelamento de eventos, risco para os idosos, lockdown e suas consequências de longo alcance. E agora a revolta com a demora na vacinação.

Perguntas importantes:

Se todos esses problemas precisam ser resolvidos – vamos voltar às perguntas:

Como cada um de nós pode lidar com essa situação que não podemos mudar?
O que nos ajuda a suportar a incerteza por um período tão longo de tempo?
O que pode nos fortalecer nessa situação de manter distância uns dos outros e de não podermos nos encontrar com outras pessoas?
Que atitudes podemos usar para lidar com os problemas cotidianos de homeoffice, homeschooling e tantos outros?

 

* Essa reflexão foi proposta à Família de Schoenstatt da Alemanha no Impuls aus Schönstatt, no site schoenstatt.de

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