O que o Papa nos diz sobre a meditação?

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(Foto: Dingzeyu Li, via unsplash.com)

 

“Nos últimos anos, a prática da meditação recebeu grande atenção. Dela não falam só os cristãos: há uma prática meditativa em quase todas as religiões do mundo. E trata-se de uma atividade difundida também entre as pessoas que não têm uma visão religiosa da vida”. Com essas palavras o Papa Francisco contextualiza o tema da audiência geral desta quarta-feira, 28 de abril de 2021: a oração meditativa.

“Todos nós temos necessidade de meditar, de refletir, de encontrar a nós mesmos, é uma dinâmica humana. Especialmente no voraz mundo ocidental, as pessoas procuram a meditação porque ela representa uma barreira elevada contra o stress diário e o vazio que se alastra por toda a parte”.

Uma imagem atual

“Eis, então, a imagem de jovens e adultos sentados em recolhimento, em silêncio, com os olhos meio fechados… Podemos nos perguntar: O que fazem estas pessoas? Meditam. É um fenômeno que deve ser encarado de modo favorável: com efeito, não somos obrigados a correr o tempo todo, possuímos uma vida interior que não pode ser espezinhada sempre. Portanto, meditar é uma necessidade de todos. Meditar, por assim dizer, assemelhar-se-ia a parar e a dar um respiro à vida”, ilustra o Papa.

Como é a meditação de um cristão?

Quando falamos da meditação cristã, no entanto, ela vai além do ato de silenciar e de fechar-se em si mesmo. O cristão “não procura o núcleo mais profundo do seu ego. Isto é lícito, mas o cristão procura outra coisa”, salienta o Papa Francisco.

O que o cristão busca com a meditação? “Meditar é uma dimensão humana necessária, mas meditar no contexto cristão vai além: trata-se de uma dimensão que não deve ser cancelada. A grande porta por onde passa a oração de uma pessoa batizada – recordemos mais uma vez – é Jesus Cristo. Para o cristão a meditação entra pela porta de Jesus Cristo. Também a prática da meditação segue este caminho”.

“A oração do cristão é, antes de mais nada, um encontro com o Outro, com o Outro mas com o ‘O’ maiúsculo: o encontro transcendente com Deus. Se uma experiência de oração nos dá paz interior, ou autodomínio, ou lucidez no caminho a empreender, estes resultados são, por assim dizer, efeitos colaterais da graça da oração cristã que é o encontro com Jesus, isto é, meditar significa ir ao encontro com Jesus, guiados por uma frase ou por uma palavra da Sagrada Escritura”.

Qual método adotar?

O Papa fala também sobre os métodos de meditação que existem: “Ao longo da história, o termo ‘meditação’ teve diferentes significados. Também no cristianismo, ele se refere a diferentes experiências espirituais. No entanto, é possível traçar algumas linhas comuns, e nisto o Catecismo ajuda-nos novamente: «Os métodos de meditação são tão diversos como os mestres espirituais. […] Mas um método não passa de um guia; o importante é avançar, com o Espírito Santo, no caminho único da oração: Cristo Jesus» (n. 2707). E aqui está indicado um companheiro de caminho, alguém que guia: o Espírito Santo. Não é possível a meditação cristã sem o Espírito Santo. É Ele que nos guia ao encontro com Jesus”.

“Portanto – reforça o Papa –, devemos recordar sempre que o método é um caminho, não uma meta: qualquer método de oração, se quiser ser cristão, faz parte daquela sequela Christi, que é a essência da nossa fé”.

Para que o cristão medita?

Para o cristão, “meditar” é procurar uma síntese: significa colocar-se diante da grande página da Revelação para procurar fazer com que ela se torne nossa, assumindo-a completamente. E depois de acolher a Palavra de Deus, o cristão não a mantém fechada dentro de si, porque aquela Palavra deve encontrar-se com «outro livro», ao qual o Catecismo chama «o (livro) da vida» (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2706). É isto que procuramos fazer cada vez que meditamos a Palavra.

“E a meditação cristã, guiada pelo Espírito leva-nos a este diálogo com Jesus. Não há página alguma do Evangelho em que não haja lugar para nós. Para nós cristãos, meditar é um modo de encontrar Jesus. E assim, só assim, de nos encontrarmos a nós mesmos. E isto não significa fechar-nos em nós mesmos, não: ir ter com Jesus e nele encontrar-nos a nós mesmos, curados, ressuscitados, fortalecidos pela graça de Jesus. E encontrar Jesus salvador de todos, também de mim. E isto graças à guia do Espírito Santo”.

 

Veja também: O que o Pe. José Kentenich nos fala sobre meditação e qual método ele indica?

 

Leia a Catequese completa do Papa clicando aqui

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