Olimpíadas e espiritualidade: Para inspirar-se nos atletas

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(Ilustração: pixabay.com)

 

Cada um de nós é como um atleta aperfeiçoando-se para conquistar a medalha do céu

Pietro Morramarco Lovato – A vida de atleta exige paciência e perseverança. Desde o seu início até os últimos passos da carreira, a pessoa que se dedica ao esporte deve orientar e ordenar a sua vida em torno do treinamento, ou askésis, em grego.

Ascese não é um termo estranho a nós, católicos. No início da nossa vida interior, na via purgativa, devemos purificar a nossa alma vencendo as amarras das paixões desordenadas.[1] Assim como o Pe. José Kentenich fez com os seus dirigidos em 1912 [2], tantos outros santos da Igreja o fizeram em suas vidas, ordenando o mundo interior e dispondo o homem para a finalidade de sua vida, que é a contemplação.

Esse processo de ordenamento é feito por meio de exercícios. É um caminho árduo, doloroso, que exige vencer más inclinações. Para o atleta, o treinamento físico, técnico e psicológico vai preparando o seu corpo e alma para o dia da competição. Impõe vencer limitações físicas, técnicas e psicológicas. É necessário não falhar um dia. Na maioria das vezes, o atleta treina sem ter vontade, cansado e esgotado. No entanto, segue tendo em vista a competição, o dia da medalha.

O nosso treino não é feito necessariamente com bolas, dardos, obstáculos e pesos. Ele se dá no dia a dia, nos pequenos chamados do dever e na nossa vida de oração. A nossa competição não é em busca do pódio, mas da “Coroa da Justiça que está reservada a todos aqueles que aguardam a vinda do Senhor” (II Tim, 4. 7-8).

Assim como todos atletas são chamados à perfeição da sua prática esportiva, exemplificada pelo pódio olímpico, todos os católicos são chamados à vida de Santidade, à “perfeição dos filhos de Deus” (Mt 5, 48), como solenemente reafirmou a Lumen Gentium [3]. Pacientes e perseverantes como o Cristo no Calvário, seguimos no nosso treinamento espiritual em busca da Santidade.

Quando o dia da competição chega, a preparação termina. Não há mais tempo de treino. Que no dia da mais nobre disputa de medalha, a qual nos preparamos por toda a vida, estejamos preparados e sejamos coroados com a Vida Eterna junto de Nosso Senhor.

 

[1] As três vias e as três conversões. Pe. Garrigou-Lagrange, Permanência, 2011

[2] Sob a proteção de Maria. Ferndinand Kastner, Pe. José Kentenich, 2012.

[3] Lumen Gentium, Contituição Dogmática, Concíclio Vaticano II.

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