Palavras para agora

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Ir. M. Nilza P. da Silva – As críticas sobre Schoenstatt são uma “ótima ocasião de examinar seu fundamento dogmático, sua importância psicológica e utilidade pedagógica”, diz nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, na mensagem “Palavras para a Hora”. Essa hora pode ser também agora, embora o texto seja de 1939. Segue mais alguns trechos:

 

“Sentimo-nos ante uma transição dos tempos e uma catástrofe mundial. Novamente aviva-se em nós a pergunta: E este o tempo para o qual a Divina Providência construiu a Arca de nossa Família (de Schoenstatt)? Ou a fúria das ondas deve tornar-se ainda maior e mais devastadora?

 

Abrigamos em nosso interior, o passado, o presente e o futuro: ardente gratidão, silencioso anseio e alegre esperança. Podemos esperar as misericórdias divinas, se soubermos tornar-nos testemunhas, intérpretes e imitadores da Sabedoria divina, nos acontecimentos do mundo.”

 

Até agora, a Mãe de Deus cuidou que “interpretássemos todas as dificuldades da época, como tarefas, e as assumíssemos corajosamente. Ela nos abriu os olhos para vermos a grande lei de construção de nossa Família, segundo a qual, como filhos da guerra, somente poderemos crescer e prosperar nos combates, nas lutas, nas provações e perseguições. A ela devemos a grande graça de que todos os rochedos que pareciam aniquilar-nos, transformaram-se em poderosa escada e nos conduziram com segurança para o alto, para Deus, para o mundo de nossa missão e tarefa.

 

 

A palavra mágica que ‘operou prodígios’ durante a Guerra Mundial de 1914-1918 e que nos acompanha até o presente, de agora em diante terá um tom mais ainda profundo e mais pleno de conteúdo. A palavra é a seguinte: Mater habebit curam! Somente quem estiver munido de inabalável confiança nas forças divinas e na missão que recebeu de Deus, ousará lançar-se no mar agitado e tempestuoso da vida.

 

Temos motivos para agradecer cordialmente a todos os que a Divina Providência usou para nos causar dificuldades. Sem eles não estaríamos tão fortes e firmes em nossa fé alegre e vitoriosa, em nossa esperança e amor, numa época em que muitos desmoronam, e tanto desânimo paralisa os mais vastos círculos. É nosso dever agora aprofundar esta fé na missão por meio da oração e estudo da história da Família e do tempo. Quanto mais e melhor o fazemos, tanto maiores e mais ricos são os frutos que podemos colher, pois cresce a consciência de dependência do Deus vivo. Aumenta a desconfiança nas próprias forças e nos meios puramente humanos. O abrigo, o enraizamento, a tranquilidade e a segurança em Deus nos fazem mais firmes e nos conferem maior segurança na ação.

 

A confiança na vitória das forças divinas na Família e pela Família, se torna invencível, assim que somos levados a exclamar com plena convicção: ‘Se Deus está conosco, quem estará contra nós? Tudo posso naquele que me conforta!’ Por palavras e exemplos, Jesus estabeleceu a grande lei construtora do reino de Deus: ‘Quando eu for elevado na cruz, atrairei tudo a mim… A semente deve, primeiro, ser lançada na terra e morrer, e depois produzirá muitos frutos’.

 

 

Deus rege o mundo por meio de causas segundas e o faz com sabedoria e respeito às criaturas. Compraz-se em transmitir suas qualidades, direitos e poder às coisas e aos homens, quer que lhes demos o amor e a lealdade que devemos a Ele e, assim, tudo seja conduzido a Ele. Desta maneira forma-se o grande organismo das vinculações.

 

Na Mãe de Deus, o Onipotente criou um ser a quem fez participar prodigamente de suas propriedades. Por isso Ele quer e deseja que nos sirvamos dela como um laço sagrado, no qual nos prendemos com toda a intimidade e com ela sejamos atraídos para o alto, ao seu coração.

 

Porque nossa natureza não é puramente espiritual, mas sensitiva, expressa sua ânsia da eternidade num profundo anelo de encontrar seres que representem a Deus. De muitas formas o Deus todo-poderoso, bondoso e sapientíssimo se adapta a esta necessidade. Enviou-nos seu Filho-Unigênito, no qual temos a face do Pai celestial voltada para nós. Deu-nos a falange dos santos. Também eles, à sua maneira, têm a mesma tarefa. Igual papel desempenha a pessoa de Maria Santíssima. Porque Deus a criou ‘como que num êxtase’, ela espelha de modo relativamente perfeito as perfeições divinas. Quem a contempla e a ela se entrega, aproxima-se de Deus de modo muito mais profundo.

 

Porque a Família se vinculou profunda e organicamente à Mãe de Deus, permaneceu sempre receptiva e aberta para o divino; com êxito, aspirou à profunda intimidade com Cristo e ao amor filial ao Pai celestial. Se o amor a Maria já nos enriqueceu tanto no passado, quanto mais não haveremos de esperar agora… Não nos damos por satisfeitos em apenas nos orientarmos constantemente nela como modelo e intercessora. Segundo o plano de Deus, ela também pode e deve ser o fim parcial orgânico de nossas atividades apostólicas, pois condiz com o desejo de Jesus, que veio a nós por meio de sua mãe e nos mostra assim o caminho para chegarmos a ele e ao Pai.

 

 

Quando pensamos ou pronunciamos as palavras: ‘Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt’, nós a temos também como método de pastoral e de educação. Porque até o presente lhe demos esta posição em nosso pensar, querer e agir, permanecemos receptivos não somente para Deus, mas também para as pessoas e para a vida. Pois, a veneração iluminada e profunda a Maria, por si mesma conduz ao pensar e agir orgânico.

 

Os fundamentos permanecem precisamente os mesmos de 1914. Mas, estão agora mais firmes e inabaláveis do que antes e quisera tornar-se o início de um novo desdobramento ainda mais profundo: ‘Não vos preocupeis com a realização do vosso desejo. Amo aos que me amam’. Este amor quer e tem de transformar-se em elevada e humilde consciência de missão e de vitória; em incansável empenho pelo pronunciado caráter mariano de nossa Família e pelas iluminadas e eficientes contribuições ao capital de Graças.

 

Esta é nossa tarefa. Tudo o mais deixamos por conta de nossa querida Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Com o ‘Mater habebit curam’ nos lábios e no coração, enfrentamos alegres o tempo futuro. Não sabemos na prática, que dificuldades nos aguardam. Uma coisa, porém cremos e esperamos confiantes: que a Mãe de Deus que aqui estabeleceu seu trono de modo especial, para ‘distribuir seus tesouros e realizar milagres da graça’, conforme o plano divino. Ela não nos abandonará, se não a abandonarmos e se nos esforçarmos por cumprir com ousadia e constância, a nossa missão.”

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O Texto completo é do Segundo Documento de Fundação, no livro: Documentos de Schoenstatt

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