Pe. Alexandre fala sobre sua nova missão no Vaticano

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“É um serviço que a Igreja nos pede e eu espero que toda a Família de Schoenstatt possa assumir junto”

Karen Bueno / Ir. M. Nilza P. Silva – A notícia foi muito divulgada entre todo o Movimento Apostólico de Schoenstatt Internacional e especialmente entre a Família de Schoenstatt do Brasil: O Papa Francisco nomeou o Pe. Alexandre Awi Mello como secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.

Neste 31 de maio, as informações corriam “por todos os lados” e a Família de Schoenstatt brasileira acolhia a notícia com surpresa e alegria, mas também já com acenos de saudade. Não por acaso o Vaticano divulgou a nomeação justamente nessa data, quando o Movimento recorda o dia especial de sua missão oferecida a serviço da Igreja.

Acompanhando o turbilhão de informações, mensagens, felicitações… o Pe. Alexandre, que é o atual diretor nacional do Movimento no Brasil, nos conta sobre a nova missão que assume:

Como o senhor ficou sabendo da nomeação?

Por uma ligação do Santo Padre, fazendo a convocatória, conversando, explicando. De fato, já havia alguns rumores antes, o Papa já tinha conversado com nosso superior geral [Pe. Juan Pablo Cattoggio] e depois, então, quando tudo se concretizou, ele (o Papa) primeiro me escreveu um e-mail, depois me ligou para conversar sobre essa possibilidade.

 

Onde o senhor estava nessa ocasião?

Eu estava no Brasil. Foi dois dias antes de eu ir para a Argentina, então, quando viajei, já estava com essa pressão, tinha que terminar o quanto antes a minha tese do doutorado. Quando eu fui, em abril, para o encontro em preparação ao Sínodo e à Jornada Mundial da Juventude – eu já ia participar, não teve nada ligado com a nomeação –, o encontro foi organizado por esse mesmo Dicastério, então lá eu conversei com o Cardeal Farrell, que de fato foi quem pediu ao Santo Padre para que eu fosse nomeado. Eu conversei com o Cardeal e depois também com o Santo Padre; nessa visita foi um encontro pessoal e aí ficou definido que eu teria até o final de maio para terminar os meus estudos – praticamente a maior parte eu já terminei, ainda faltam as correções e tenho que apresentá-lo, fazer a defesa, mas o principal já está escrito e feito.

 

O que significa essa nomeação para o senhor?

Um grande desafio. Na verdade eu nunca esperava trabalhar alguma vez dessa forma. Sempre imaginei a minha vida trabalhando a serviço da Igreja, mas pelo nosso Movimento de Schoenstatt, com a Juventude, que é o que eu tenho feito nesses anos todos. Imaginava que em algum momento ia começar a trabalhar com famílias também, mas nunca imaginei nenhum tipo de trabalho assim, tão amplo, a serviço da Igreja. Então é um grande desafio. É difícil também, pelo fato de deixar esse trabalho que eu já tenho agora. Estou feliz de poder servir a Igreja, mas não é algo que eu esperava nem queria, sendo sincero, pois nunca pensei e nunca busquei isso. Assumo como um desafio de Deus, um pedido do Santo Padre para poder colaborar com algo que ele precisa nesse momento em que a Igreja também passa por uma fase tão bonita de crescimento, de reformas. Também com a expectativa de cumprir a tarefa e voltar para o nosso trabalho concreto com o Movimento, com a Juventude, porque essa é uma nomeação por cinco anos.

 

Esse é um Dicastério novo criado pelo Papa. Qual será, de fato, seu trabalho no Vaticano e quando ele começa?

Pois é, tudo é novo. O Cardeal [Kevin Joseph Farrell] também foi nomeado no final do ano passado. Ainda não estão todos os cargos ocupados, faltam os sub-secretários – vai ter um sub-secretário para cada uma das áreas de Leigos, Família e Vida – que não estão definidos. O trabalho é o que fazia antes o Conselho dos Leigos, o trabalho com toda a questão dos leigos na Igreja, das Novas Comunidades e Movimentos, o tema da mulher, o tema da família, juventude e o trabalho com a vida, do ponto de vista especialmente pastoral. É um Dicastério que assumiu muitas tarefas que são importantes dentro da Igreja e que a gente espera poder, nas diferentes seções, continuar encaminhando da melhor maneira possível.
Eu vou assumir em setembro, porque o ano em Roma começa em setembro, e esses meses agora serão para estudar italiano; então estou indo para Roma no meio do mês, dia 16 de junho, para estudar italiano, terminar de fazer os meus estudos e assumir em setembro esse trabalho.

 

Muitas pessoas gostariam de entender melhor o que é um Dicastério…

É uma espécie de um “ministério”, comparando com o Brasil. A maioria se chama Congregação – tem a Congregação para a Doutrina da Fé, Congregação da Disciplina dos Sacramentos, etc. – tudo está no mesmo plano. Agora, nesse processo de reforma, optaram por dar um novo nome e se chama Dicastério para Leigos, Família e Vida, mas, para nossa mentalidade, seria uma espécie de ministério; o Cardeal é o ministro e eu entro como secretário desse ministério.

 

Que contribuição sua nova tarefa pode trazer para a Obra de Schoenstatt e o que Schoenstatt leva para a Igreja?

Em primeiro lugar, acho que é um serviço da Obra de Schoenstatt para a Igreja. Pela nossa experiência, pelo carisma do nosso Fundador, pelo trabalho que o Movimento tem feito já ao longo de muitos anos com jovens e famílias. É um serviço que a Igreja nos pede e eu espero também que toda a Família de Schoenstatt possa assumir junto, com o Capital de Graças, com oração, que possamos estar juntos nesse serviço que é muito mais amplo e que é uma forma também de prestarmos, a partir do nosso carisma, um serviço, uma contribuição para a Igreja, naquilo que estiver ao nosso alcance. Vamos também nos deixar complementar por muitos outros Movimentos e carismas que estão a serviço da Igreja. Ali será um espaço de encontro de muitos carismas, muitas iniciativas e, sem dúvida, isso enriquece a própria Família [de Schoenstatt]. É uma forma de aprendermos com os outros, aprendermos com a Igreja e espero, na medida em que isso estiver ao meu próprio alcance, transmitir tudo isso para a Família de Schoenstatt. Por isso também desejo que eu possa voltar, depois, trazendo toda essa experiência para dentro de nossa Família. Considero, realmente, que é um trabalho temporal para a Igreja universal e, se Deus quiser, depois volto a prestar os serviços internos que a gente tem feito até agora.

 

Vemos reacender, com essa notícia, a missão que Schoenstatt assume com a Confederação Apostólica Universal…

Sem dúvida, dentro do terceiro fim de Schoenstatt temos essa oportunidade de servir a Igreja a partir desse desejo do Fundador, de uma comunhão de carismas. Quando o Pe. Kentenich assumiu a missão da Confederação Apostólica Universal, como ideia de São Vicente Pallotti, ele pensava justamente que nós pudéssemos contribuir para a união de todas as forças apostólicas da Igreja a serviço da missão comum de Cristo, do Papa, da Igreja em geral. Espero também poder prestar um serviço nesse sentido.

 

O que o senhor leva da sua experiência como diretor nacional do Movimento no Brasil?

Em primeiro lugar, o próprio carisma, a experiência da Mãe de Deus no Santuário, da Aliança. Também muitos anos de trabalho com a juventude, praticamente por 15 anos esse foi meu trabalho principal. Mas acho que, talvez, o que mais possa me servir é a experiência de trabalhar numa Família federativa, onde o consenso, a busca da unidade, o trabalho em conjunto, em equipe, é tremendamente importante. Acredito que essa é a maior experiência que possa servir no trabalho junto à Igreja universal. A própria experiência da federatividade, da comunhão de carismas, da unidade que a gente tem cultivado na Família de Schoenstatt há tantos anos. E aqui no Brasil temos uma graça muito especial de que a nossa Central de Assessores consiga trabalhar tão bem em unidade – nesses dias nós estamos justamente na reunião da Central – e eu espero que isso também me ajude como experiência na tarefa que estou assumindo agora.

 

O que o senhor espera da Família de Schoenstatt? Como podemos te ajudar nessa nova missão?

Em primeiro lugar, pela oração, que possam acompanhar com orações; depois, com o testemunho. Eu acho que o trabalho com famílias, juventude, os leigos, é algo muito próprio nosso, então nossa inserção na Igreja e no mundo, dentro das suas diferentes realidades, dentro da nossa própria família, mas também na economia, na política, na educação. Ou seja, que o testemunho da Família de Schoenstatt possa também ajudar a Igreja; quem sabe em alguns momentos, concretamente, a gente ainda vai precisar da ajuda e da experiência de muitos setores da nossa Família, que podem colaborar direta ou indiretamente naquilo que a Igreja universal necessita.

 

Que mensagem o senhor deixa para a Família de Schoenstatt do Brasil?

Que vale a pena viver a nossa Aliança de Amor, que vale a pena confiar na Mãe, no Santuário, na sua atuação, que também somos um Schoenstatt em saída e que, portanto, eu também encaro isso – especialmente hoje, no 31 de Maio, o dia da missão – como parte da nossa missão para a Igreja e para o mundo. Que nós possamos assumir, realmente, o nosso “ser Igreja em saída”, “ser Schoenstatt em saída”. Vale a pena realmente entregar o coração à Mãe, a Jesus, e eles depois nos enviam ali, onde necessitam.

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