Quaresma é tempo de matemática aplicada

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Foto: Márcia Kazumi

 

Pe. Arkadiusz Sosna* – O tempo da quaresma traz uma grande motivação para aprofundar a vida de fé. Esse tempo pode ser um período de mudança, de descobertas e de trabalho em si mesmo.

A essência da mudança indica o ser a ação. É um pouco como na matemática: somar aquilo que consideramos valioso e necessário – como a oração e outros exercícios espirituais – e subtrair o que não consideramos positivo, aquilo que merece ser jejuado, nosso “menos” ou “a partir de agora não mais”.

 

Um tempo para a reflexão diária

Todos os dias precisamos meditar sobre as coisas que nos aconteceram, para onde elas nos levaram e como nos sentimos em relação a isso. Para estar em paz consigo mesmo, ouvir o coração, a mente, os desejos e as decepções. Isso é muito necessário para o desenvolvimento espiritual. Sem ouvir a nós mesmos, sem entender o momento que estamos na vida, não há crescimento na oração. É uma ajuda concreta para descobrir aquilo que, às vezes, lutamos no inconscientemente. Esse processo de auto escuta também nos ajuda a discernir, para decidir o que fazer em seguida, para onde ir.

O período penitencial em preparação a Páscoa tem como meta o fortalecimento de nosso relacionamento com Deus, por meio da Aliança de Amor com Maria.

 

Perguntemo-nos…

Precisamos nos concentrar na meta durante esse período de penitência, rumo à Páscoa. Todos os dias, nos perguntar: Que pensamentos eu tive hoje? O que me impressionou neste dia? O que me vem à mente enquanto eu rezo? O que me trouxe paz hoje? Em quais momentos do dia “vi” Deus agindo? Que momento ficou gravado, de modo especial, em minha memória?

Em nossa jornada, nem sempre queremos seguir o caminho pelo qual Deus nos conduz e escolhemos nossa própria direção, nossas próprias receitas para a felicidade – a nossa e a dos outros. Falta-nos coragem, perseverança, paciência, sinceridade, confiança e fé. Como resultado, multiplicamos nossas próprias cruzes e nos curvamos sob elas.

 

Um tempo de conversão

Quem é fiel à Aliança de Amor jamais perecerá, dizia o Pe. Kentenich. A quaresma serve para converter o coração. Isso significa mudança de pensamento, de julgamento e, consequentemente, de vida. Às vezes, essa mudança é muito dolorosa. Ela exige não apenas a transformação de coração e uma ruptura com o modo de vida anterior, mas, sobretudo, uma nova direção de vida –  em relação a Jesus, ao próximo e à vida, segundo os princípios do Evangelho.

 

Hora de arrumar a casa

Quaresma é também tempo de arrumação. Acima de tudo, para aprofundar o relacionamento com Deus, com os irmãos e conosco mesmos. No Sermão da Montanha, Jesus fala sobre três maneiras simples de arrumar as relações. São elas: A oração, a esmola e o jejum.

A oração coloca em ordem a nossa relação com Deus. Ela também requer um tempo especial para fazermos uma pausa e nos aprofundarmos em nosso interior. Sem essa pausa, a vida pode se tornar superficial e banal e a relação com Deus, ilusória.

Deus, que é fiel à sua aliança conosco, quer nos lembrar que nossa jornada de vida não é solitária. ELe está sempre presente, nos acompanha, nos guia. Está presente também quando o esquecemos, viramos as costas para ele e seguimos nosso próprio caminho.

 

Um tempo para renovar e fortalecer os vínculos

A quaresma é também tempo de esmola. Isso significa: como está meu modo de me relacionar com as pessoas?

Embora, muitas vezes, não tenhamos consciência disso, a esmola tem um grande poder. Lemos em Tobias 12,9: “A esmola livra da morte: ela apaga os pecados e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna.” Hoje, precisamos de agir mais com o coração, afeto, amor e presença. Às vezes, não é preciso muito para trazer causar alegria para uma pessoa. Tudo o que você precisa é desviar o olhar de seus problemas e olhar ao seu redor. Uma pessoa nunca está sozinha na Aliança de Amor.

Uma expressão especial da esmola é a reconciliação com o próximo, o perdão. Deus já nos perdoou tantas vezes, em Cristo, e continua nos perdoando. Ele espera que perdoemos nosso próximo da melhor forma possível: sejamos bondosos e misericordiosos uns com os outros! Perdoem uns aos outros, assim como Deus, em Cristo, os perdoou (Efésios 4:32).

Nesse período, é interessante meditar a oração do Pai Nosso: pedimos a Deus que perdoe as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aqueles que nos ofenderam. Será que realmente fazemos isso?

 

Um tempo de disciplina

O período penitencial para a Páscoa é também de disciplina e purificação. Para a liberação e o desenvolvimento do espírito, é necessária a mortificação dos sentidos e do corpo (renúncia consciente daquilo das coisas criadas que me dão satisfação). O jejum ajuda responder a pergunta: Quem sou eu? Ele revela minhas fragilidades e indica em quais áreas eu devo mais trabalhar, desenvolver e lutar contra as paixões, fraquezas e tentações. O jejum nos confronta com os pecados pessoais, com os lados sombrios da vida. Como resultado, ele nos leva à humildade. A disciplina externa deve levar ao auto domínio interno, ou seja, organizar a própria vida, dar-lhe significado, buscar os valores corretos, viver todos os dias o Evangelho e a Aliança de Amor. Sem isso, a quaresma não deixará uma marca profunda em nossa vida.

Esse período de preparação à Páscoa serve para que cada pessoa, cada família e comunidade aprofunde (some) o que alimenta a alma e a abre ao amor de Deus e ao próximo (e diminua o que não leva a isso).

 

*Pe. Arkadiusz, pertence ao Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt e compõe a Coordenação Internacional do Movimento Apostólico de Schoenstatt

 

Fonte: schoenstatt.com

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