Querida Amazônia, a nova Exortação do Papa

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(Foto: Michele Leite)

 

⇒ Exortação Apostólica Pós-sinodal “Querida Amazônia”

 

“A Amazônia querida apresenta-se aos olhos do mundo com todo o seu esplendor, o seu drama e o seu mistério.” Assim inicia a nova Exortação Apostólica Pós-sinodal do Papa Francisco.

Em “Querida Amazônia”, o Papa partilha seus anseios para esta região, que se resumem nos seus “quatro grandes sonhos”: que a Amazônia “lute pelos direitos dos mais pobres”, “preserve a riqueza cultural”, “guarde zelosamente a sedutora beleza natural”, e, por fim, as comunidades cristãs sejam “capazes de se devotar e encarnar na Amazônia”.

Um sonho social

A Igreja ao lado dos oprimidos, este é o núcleo do primeiro capítulo. Ele destaca que “uma verdadeira abordagem ecológica” é também uma “abordagem social” e, mesmo apreciando o “bem viver” dos indígenas, adverte para o “conservacionismo”, que se preocupa somente com o meio ambiente. O Papa alerta sobre “injustiça e crime”, além de outros desafios, sempre direcionando para o diálogo.

Um sonho cultural

O segundo capítulo é dedicado ao “sonho cultural”. O Santo Padre diz que “promover a Amazônia” não significa “colonizá-la culturalmente”. Para Francisco, é urgente “cuidar das raízes”, pois a “visão consumista do ser humano” tende a “a homogeneizar as culturas”.

O capítulo também se concentra sobre o “encontro intercultural”. A diversidade não deve ser “uma fronteira”, mas “uma ponte”, portanto, ele diz não a “um indigenismo completamente fechado”. Em qualquer projeto para a Amazônia, esta é a recomendação do Papa, “é preciso assumir a perspectiva dos direitos dos povos”. Estes, acrescenta, dificilmente podem ficar ilesos se o ambiente em que nasceram e se desenvolveram “se deteriora”.

Um sonho ecológico

Para o Papa, é urgente ouvir o “grito da Amazônia”. Ele recorda que o equilíbrio do planeta depende da saúde da Amazônia. Escreve que existem fortes interesses não somente locais, mas também internacionais. A solução, portanto, não é “a internacionalização” da Amazônia; ao invés, deve crescer “a responsabilidade dos governos nacionais”. Francisco convida à “profecia da contemplação”. Ouvindo os povos originários, destaca que podemos amar a Amazônia “e não apenas usá-la”; podemos encontrar nela “um lugar teológico, um espaço onde o próprio Deus Se manifesta e chama os seus filhos”. A última parte do terceiro capítulo é centralizada na “educação e hábitos ecológicos”. O Papa ressalta que a ecologia não é uma questão técnica, mas compreende sempre “um aspecto educativo”.

 

(Foto: Ir. M. Gislaine Lourenço)

 

Um sonho eclesial

O sonho eclesial do Papa é desenvolver uma Igreja com rosto amazônico. O último capítulo, o mais denso, é dedicado “mais diretamente” aos pastores e aos fiéis católicos. Para o Santo Padre, não é suficiente levar uma “mensagem social”. Esses povos têm “direito ao anúncio do Evangelho”; do contrário, “cada estrutura eclesial transformar-se-á em mais uma ONG”.

A Exortação também indica “pontos de partida para uma santidade amazônica”, que não devem copiar “modelos doutros lugares”.

Para o Papa, deve ser garantida “maior frequência da celebração da Eucaristia”. Ele exorta todos os bispos, especialmente os latino-americanos, “a serem mais generosos”, orientando os sacerdotes que “demonstram vocação missionária” a escolherem a Amazônia e os convida a rever a formação dos presbíteros.

Ele também estimula o protagonismo dos leigos nas comunidades. Somente através de “um incisivo protagonismo dos leigos”, a Igreja poderá responder aos “desafios da Amazônia”.

O Papa Francisco dedica um espaço à força e ao dom das mulheres. Reconhece que, na Amazônia, algumas comunidades se mantiveram somente “graças à presença de mulheres fortes e generosas”. Porém, adverte que não se deve reduzir a Igreja a “estruturas funcionais”. Para o Pontífice, deve ser rejeitada a clericalização das mulheres, acolhendo, ao invés, a contribuição segundo o modo feminino, que prolonga “a força e a ternura de Maria”. Francisco encoraja o surgimento de novos serviços femininos, que – com um reconhecimento público dos bispos – incidam nas decisões para as comunidades.

O Papa conclui a Exortação com uma oração à Mãe da Amazônia: “Por isso Vos pedimos que reineis, Maria, no coração palpitante da Amazônia”.

 

Para ler o documento na íntegra, acesse: w2.vatican.va

 

Texto baseado nas informações de: vaticannews.va/pt

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