Sábado Santo e Vigília Pascal

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“Em silêncio, o sol percorre seu caminho de bênçãos, o Espírito Santo nos conduz ao cume do Gólgota” (Pe. José Kentenich, Rumo ao Céu, n. 206).

Marcia Kazumi – Esta oração, escrita pelo Pe. Kentenich, nos recorda a hora da crucificação de Jesus no Calvário. Na Sexta-feira Santa, quando Jesus estava prestes a morrer na cruz, designou ao “discípulo que ele amava” para cuidar de Maria. O Evangelista João nos relata:

“Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa” (Jo 19, 26-27). Podemos dizer que, naquele momento, o discípulo amado selou uma Aliança de Amor com Maria, em seu nome e como representante de toda a humanidade.

A fé heroica de Maria

Maria, ao ver o Filho sofrendo e morrendo numa cruz, permanece firme e forte. Em silêncio, testemunha sua fé heróica no Filho; ela crê que Ele ressuscitará em breve, libertando o mundo das trevas do pecado. Pe. Kentenich continua a oração citada, do Ofício de Schoenstatt: “Ali vejo o teu coração de mãe renunciar vigorosamente e, corajoso, imolar todos os direitos maternais. Pela salvação do mundo entregas-te ao Pai, que reina em seu trono” (Rumo ao Céu, n. 207).

Podemos definir o Sábado de Aleluia como o dia da fé heroica da Mãe de Deus. Quando tudo estava consumado e Jesus entregou o seu espírito nas mãos do Pai, a Igreja que Jesus formou aqui na terra continua a viver no seu coração. No silêncio e na dor, seus sentimentos concordavam com os planos de Deus e o amor foi mais forte do que a morte.

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O Sábado Santo é também denominado, na Liturgia, de “Vigília Pascal”, isto é, o dia em que ficamos em silêncio e meditação, com Maria, aguardando a manhã da Páscoa. Durante toda a Quaresma nós, Igreja de Cristo Jesus, nos preparamos com a oração, o jejum e a esmola para o momento da maior alegria, o acontecimento central da nossa fé: a Ressurreição de Jesus.

A Liturgia da Vigília Pascal se reveste de grande solenidade e, em suas diversas partes, rememora os mistérios da nossa fé: inicia com a celebração da luz, com a bênção do fogo e a preparação do Círio Pascal, que representa Cristo Vivo e presente na Igreja. Segue a proclamação da Páscoa com o canto do Exultet; a liturgia da Palavra é enriquecida com muitas leituras do Antigo e do Novo Testamento; a liturgia Batismal com a bênção da água e dos santos óleos e, ocasionalmente, com a administração do sacramento do Batismo aos catecúmenos; aspersão de todo o povo com a água da vida nova. Culminando com a liturgia Eucarística e a comunhão de todos redimidos com o corpo e o sangue de Cristo Ressuscitado.

Celebração da Luz

O fogo é abençoado em silêncio e pedimos a Deus que conceda que a celebração da Páscoa acenda em nós o desejo de chegarmos santificados e purificados à festa da luz eterna. A imagem de Cristo ressuscitado, a luz do mundo, é simbolizada no Círio Pascal, que ilumina a todos que se aproximam dele com fé. Pe. Kentenich lembra que, assim como a cera é fluida, “o mesmo acontece com a alma em estado de graça. Ela se torna maleável como cera, aceita qualquer forma que Deus queira gravar nela” (Tabor Nossa Missão, vol 1, Londrina/PR, 16 de abril de 1947).

A liturgia Batismal

Evidencia a importância dos sacramentos na vida do cristão. O batismo é o primeiro sacramento que recebemos na Igreja. A água simboliza o sinal sacramental do batismo.

Durante o rito, o celebrante mergulha o Círio Pascal na água, abençoa-a e consagra-a, pedindo que Deus envie o Espírito Santo sobre ela, para torná-la fecunda e, dessa forma, dar luz aos novos filhos de Deus. Pe. José Kentenich ressaltou: “Jesus também quer, em nós, novamente causar ao Pai as alegrias de ressurreição. Pelo batismo o germe da vida transfigurada de Jesus foi plantado em nós. Participamos da vida transfigurada de Jesus” (No Brilho do Tabor, p. 90).

“Eis aí tua mãe!”

“Mulher, eis teu filho!”; “Eis tua mãe!” – Essas são as últimas palavras que Jesus dirige a Maria, sua Mãe, e ao discípulo amado. Dom Leomar A. Brustolin, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre/RS, destacou em seu livro:

“O amor é o vínculo que une a Mãe e o discípulo, ambos amam e são amados por Jesus: o amor. É o amor dado e recebido. Entregue o discípulo à Mãe, ela tem a quem amar e o discípulo, quem o ame. Assim Jesus comunica a eles seu Espírito, amor amante e amado perfeitamente correspondido. No discípulo amado está toda a Igreja, comunidade de discípulos e discípulas que são amados e amam Maria, mãe e perfeita discípula de Cristo. Esta circularidade de amor que nasce da cruz se estende pelos tempos e atinge a todos os que seguem a Jesus” (Eis Tua Mãe – Síntese de Mariologia, p. 49).

Diz o Concílio Vaticano II: “A Virgem (Maria), em sua vida, foi, com efeito, o modelo daquele amor materno do qual devem estar animados todos aqueles que, na missão apostólica da Igreja, cooperam para a regeneração dos homens. (Constituição dogmática Lumen Gentium, sobre a Igreja).

Como filhos de Schoenstatt, temos um carisma marcadamente mariano. Com Maria e segundo o seu exemplo, queremos amar e servir a Jesus, nosso Rei crucificado e glorificado. Unidos a Ele nos tornaremos também filhos transfigurados do Tabor.

 

Foto: designdeprodutos.com.br

 

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