Joana Marta Arcoverde – Santa Teresinha do Menino Jesus e o Pe. José Kentenich viveram em contextos, épocas e vocações diferentes. Ainda assim, suas trajetórias apresentam pontos de encontro: a confiança filial em Deus, o amor a Maria, o abandono à Divina Providência e a busca pela santidade nas circunstâncias concretas da vida. A comparação entre seus caminhos mostra como a santidade pode ser vivida por meio da confiança, do amor e da fidelidade cotidiana.
Uma infância marcada pela confiança
A infância de Santa Teresinha foi marcada pela perda da mãe, enquanto a do Pe. Kentenich foi marcada pela separação da família e pela experiência de viver em um orfanato. Circunstâncias diferentes contribuíram para formar, em ambos, uma atitude de confiança e abandono em Deus.
Na trajetória de Teresinha, essa confiança assumiu a forma da Pequena Via, o caminho da infância espiritual, baseado na confiança filial e na entrega a Deus. Em vez de buscar grandes realizações, ela encontrou no amor vivido nas pequenas coisas um caminho para Deus. No caso do Pe. Kentenich, a filiação também ocupou lugar central. A relação filial com Deus e com Maria tornou-se elemento fundamental de sua espiritualidade.
Maria e o cotidiano
Maria constitui outro ponto de encontro. Para Santa Teresinha, ela era contemplada como Mãe, em uma relação marcada pela confiança filial. Para o Pe. Kentenich, Maria também ocupa um lugar central como Mãe e Educadora, especialmente na Aliança de Amor.
Essa relação esteve presente na formação dos primeiros membros de Schoenstatt. José Engling procurava orientar concretamente sua vida pelo amor a Maria e pelo serviço ao próximo. Em seus escritos, registrou: “Quero consumir-me no amor à minha Mãe e a seu serviço”. Sua trajetória mostra como a espiritualidade recebida no Movimento Apostólico de Schoenstatt era traduzida em propósitos e práticas concretas de vida.
Outro ponto de aproximação está na santificação do cotidiano. A Pequena Via valoriza o amor nas pequenas ações, enquanto o Pe. Kentenich apresenta a vida diária como lugar de encontro com Deus. O trabalho, os deveres e as circunstâncias concretas podem ser vividos em união com Ele. Essa proximidade aparece também na história de José Engling, que conheceu os escritos de Santa Teresinha e encontrou neles uma confirmação de que a vida cristã não depende de “muitas e grandes obras”, mas do amor a Jesus. Sua vida tornou-se, assim, um exemplo concreto de santificação no cotidiano.


O amor como resposta
Na espiritualidade de Santa Teresinha, o amor ocupa lugar central. Em sua conhecida expressão, escreveu: “No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor”. No pensamento do Pe. Kentenich, o amor também constitui o centro da vida cristã. A santificação da vida diária passa pela resposta amorosa a Deus, expressa na fidelidade aos deveres, na entrega e na união com Ele.
Santa Teresinha apresenta esse caminho por meio da Pequena Via. O Pe. Kentenich o desenvolve em uma espiritualidade marcada pela confiança filial, pela Aliança de Amor com Maria, pela Divina Providência e pela santificação da vida cotidiana. Em ambos, a santidade não depende da grandeza exterior das obras, mas do amor com que cada circunstância é vivida.
Santa Teresinha e o Pe. Kentenich não propuseram a mesma espiritualidade. Cada um recebeu uma missão própria. Seus caminhos, porém, se encontram em uma atitude fundamental: viver com confiança, amor e entrega diante de Deus, reconhecendo que também nas pequenas ações do cotidiano é possível responder ao seu amor.
Referências
Herói de duas espadas: biografia de José Engling. Olivo Cesca
Santidade de todos os dias. J. Kentenich
Henrique Schaefer: dirigente da Geração Ver Sacrum.
Dorothea M. Schlickmann Tempestades de outono 1912: o início de uma revolução interior.
Editado por: Larissa Rodrigues.
O Movimento Apostólico de Schoenstatt em Salvador/BA possui profundas ligações com a espiritualidade de Santa Teresinha e com as irmãs carmelitas descalças. Desde os inícios do movimento na cidade até os dias atuais, esse vínculo com o Carmelo manifesta-se por meio de uma rica comunhão espiritual, dada a forte inspiração teresiana presente na trajetória schoenstattiana local.