Santíssima Trindade: Comunidade, família e acolhida

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Unidade que se integra na diferença e que se plenifica

Ir. M. Fernanda Balan – É profundo o trecho do nº 7, da Carta Apostólica sobre “A dignidade e a vocação da mulher”, que o Papa João Paulo II (15.08.1988) escreveu em relação ao mistério da Santíssima Trindade. É algo que vale para todos os tempos; serve de fundamento de importância vital para todo e qualquer ser humano, sobretudo em se tratando da dimensão da proximidade entre os seres humanos e dos relacionamentos interpessoais:

Pessoa – Comunhão – Dom

Interpretando-a à luz da verdade sobre a imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 26-27), podemos compreender ainda mais plenamente em que consiste o caráter pessoal do ser humano, graças ao qual ambos — o homem e a mulher — são semelhantes a Deus. Cada homem, com efeito, é à imagem de Deus enquanto criatura racional e livre, capaz de conhecê-lo e de amá-lo … o homem não pode existir « só » (cf. Gn 2, 18); pode existir somente como “unidade dos dois » e, portanto, em relação a uma outra pessoa humana. Trata-se de uma relação recíproca: do homem para com a mulher e da mulher para com o homem. Ser pessoa à imagem e semelhança de Deus comporta, pois, também um existir em relação, em referência ao outro « eu ». Isto preludia a definitiva auto revelação de Deus uno e trino: unidade viva na comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mulieris Dignitatem, n. 7)

Na conferência de 31 de dezembro de 1933, Pe. José Kentenich discorre também sobre o mesmo tema. Ele fala que a pessoa humana, em sua essência constitutiva, é necessitada de um relacionamento interpessoal, é dependente e tende a uma tríplice comunidade: familiar puramente natural, comunidade de vida divina e de graça. Deus é divina Família Trinitária. Deus não é solidão, egoísmo ou um individualismo autossuficiente. Ele é amor, é comunidade de vida e comunhão de pessoas e de missão.

Sabemos que o amor determina os laços profundos da feliz reciprocidade do um no outro, com o outro e para o outro. É a força motriz. Um amor humano é simultaneamente divino. Na sua essência, é sempre, ao mesmo tempo, natural e sobrenatural. Com grande alegria e satisfação o bom Deus criou os homens como indivíduos e lhes deu capacidades suficientes; porém, estas capacidades requerem a inserção na reciprocidade, na riqueza original do outro, a fim de alcançar maior plenitude em seu desenvolvimento integral. Se a pessoa quer desenvolver a sua originalidade, suas capacidades, suas predisposições, então é necessário que ela seja e esteja vinculada e orientada a viver nesta tríplice comunidade em harmonia na convivência amorosa e solidária. A graça não é dispensável para a natureza humana. Ela é um ingrediente insubstituível e eficaz para a perfeita realização da totalidade que o ser humano porta em sua bagagem, em seu DNA divino-humano.

O Papa Francisco nos confirma que “a Trindade é comunhão de Pessoas divinas que existem uma para a outra, uma com a outra, uma pela outra, uma na outra: esta comunhão é a vida de Deus, o mistério de amor do Deus vivo. […] Somos chamados a viver não uns sem os outros, sobre os outros ou contra os outros, mas uns com os outros, pelos outros e nos outros. Isto significa acolher e testemunhar de modo concorde a beleza do Evangelho; viver o amor recíproco e por todos, partilhando alegrias e sofrimentos, aprendendo a pedir e a conceder o perdão, valorizando os vários carismas sob a guia dos Pastores. Em síntese, foi-nos confiada a tarefa de edificar comunidades eclesiais que sejam cada vez mais família, capazes de refletir o esplendor da Trindade e de evangelizar não apenas com as palavras, mas com a força do amor de Deus que vive em nós” (Angelus de 31 de maio de 2015).

 

Foto: Schoenstatt International Communication Office 2014

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