São José e o homem de hoje

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(Foto: Alexander Cifuentes, via unsplash.com)

 

Como é o perfil masculino atual e onde encontrar um modelo?

Pe. Marcelo Aravena – Penso que a iniciativa do Papa Francisco de convocar 2021 como um Ano de São José chega em boa hora. Estamos no meio de uma pandemia planetária que revelou ainda mais as deficiências e desigualdades sociais que sofremos hoje como humanidade. Também revelou outras crises que afetam a convivência entre as pessoas, na família, no trabalho. É a crise da imagem e do papel dos homens, dos homens como tal.

Talvez contemplar a imagem e a ação concreta de São José possa nos oferecer luz e certeza sobre um verdadeiro modelo de homem, esposo e pai no meio dos desafios da vida. A continuação deste artigo são algumas observações pastorais.

Uma concepção do homem em um processo de superação

Tradicionalmente, na cultura ocidental, cultivava-se a ideia de que um homem deveria ser forte, duro, resistente e que não poderia demonstrar fraqueza “chorando” em público. Como chefe de família, ele deve ser o provedor por excelência, aquele que fornece a maior renda financeira para a família e que impõe uma ordem indiscutível dentro da casa. Na sociedade em geral, ele aparece como o “macho”, firme, com o direito de “conquistar” e subjugar as mulheres. Outros sinais de machismo como o clericalismo, autoritarismo, dominação e sexismo estão sendo gradualmente superados.

A irrupção gradual de um ser e de um sentimento diferente

Especialmente nas últimas décadas, outros traços de uma masculinidade diferente têm tomado conta da sociedade. Por meio de meu trabalho pastoral pude observar que outros valores e atitudes estão começando a predominar nos homens. Por exemplo: um maior espaço para o diálogo, sensibilidade e emoções; uma maior preocupação com a condição física; estética pessoal e moda; e uma certa liberdade relaxada em se dar e se relacionar com os outros.

Há também o fato da inversão de papéis com as mulheres, especialmente com as profissionais. Muitas vezes ele não é mais o único “ganha-pão”, nem a última autoridade na casa, evitando cair na arrogância do autoritarismo, mas, talvez, indo para o outro extremo de deixar as coisas acontecerem e deixar as coisas acontecerem “naturalmente”.

Os homens também estão dispostos a compartilhar com as mulheres as tarefas domésticas ou as de criar e educar as crianças. Tarefas que eram classicamente realizadas predominantemente por mulheres.

Percebemos que em todas essas imagens temos luzes e sombras. Ficamos com a pergunta: a imagem do homem ficou sem perfil ou foi complementada com outros elementos?

 

Está curioso para continuar essa reflexão? Acompanhe a segunda parte amanhã

 

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