Tudo começou pelo encontro com o Senhor

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“É algo inexplicável! Deus me olhou, em minhas fragilidades, e me escolheu!”

Ir. M. Nilza P. da Silva – O terceiro domingo do mês de agosto é dedicado à vida consagrada: àqueles que escolhem seguir incondicionalmente o chamado de Jesus e abraçam, com amor generoso e livre, uma vida casta, pobre e obediente. “O estado da vida consagrada aparece, como uma das maneiras de conhecer uma consagração ‘mais íntima’, que se radica no Batismo e se dedica totalmente a Deus. Na vida consagrada… seguir a Cristo mais de perto, doar-se a Deus amado acima de tudo e procurando alcançar a perfeição da caridade a serviço do Reino, significar e anunciar na Igreja a glória do mundo futuro” (916, Catecismo da Igreja).

Os consagrados, portanto, são chamados por Deus para antecipar o que todos serão um dia: indivisamente doados ao amor de Deus. Geralmente se diz que tal pessoa escolheu a vocação, no entanto, ninguém dá a si mesmo a vocação. “Tudo começa pelo encontro com o Senhor. Dum encontro e dum chamado, nasce o caminho de consagração”, diz o Papa Francisco. É Deus quem chama cada batizado para uma vocação e a felicidade está em dizer um sim generoso a essa escolha divina. “É algo inexplicável, diz Ir. M. Aluane Cristina Simões, Deus me olhou em minhas fragilidades e me escolheu como portadora de uma grande missão: ser outra Maria. É essa a alegria que transborda!” Os Conselhos Evangélicos são os fios condutores, caminhos de alegria, para todo consagrado.

Chamado a uma vida virginal

Numa cultura marcada pelo apelo ao desenfreado sexualismo, Deus chama para a castidade. Para uma doação sem limites do amor, para estar a serviço do Reino de Deus, sem nada reservar para si mesmo. Uma vida virginal “para possuir indivisamente a Deus e dedicar-se a Ele e ao divino em disponibilidade serviçal. A virgindade que não é fecunda para o Reino de Deus é auto ilusão, busca de si mesmo, caricatura da natureza humana, é um atentado ao bem estar de um povo” (Pe. Kentenich)

Sra. Lúcia Ferreira da Silva, Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt, afirma que “Tudo pertence a Ele e nossa vida não pode existir sem Ele. Somos sua criação predileta e queremos testemunhar no mundo em que vivemos. E, com isso, transparecer a alegria e a beleza de viver o Evangelho e seguir a Cristo.”

Chamado para a livre obediência

“A vida do mundo aposta em poder fazer o que se quer, a vida consagrada escolhe a obediência humilde como liberdade maior. E, enquanto a vida do mundo depressa deixa vazias as mãos e o coração, a vida segundo Jesus enche de paz até ao fim.” diz o Papa Francisco.  Assim como o sim de Maria, cada ato de obediência une o céu e a terra, em Aliança. Como diz Ir. M. Carolina Montedori da Silva: “Na união da vontade de Deus com a minha, a eternidade entra no tempo e estende essa graça de misericórdia para toda a humanidade.”

A obediência, na vida consagrada dentro da Obra de Schoenstatt, significa a prática da fé na Divina Providência, vencer todo pensar meramente natural e mergulhar no amor de Deus. Como descreve o Pe. Kentenich, no Rumo ao Céu, 602, a prática da liberdade é “onde a magnanimidade e o sentido do decoro vencem a tendência que arrasta para baixo; onde os mais leves desejos de Deus
vinculam e despertam alegre decisão.”

Chamado para uma vida pobre

“Para que a alma se tome livre para Deus, é essencial que seja desprendida de todo o apego desordenado, de tudo que é terreno”, ensina o Pe. Kentenich. Como disse Jesus, não é possível servir a Deus e ao dinheiro. Ele mesmo nos deu o exemplo, pois, “Ele se fez pobre por nós” (2 Cor 8,9). Na Sagrada Escritura consta que o chamado para a pobreza é deixar-se abranger pelo olhar amoroso de Deus:  “Jesus fixou nele o olhar, amou-o e disse-lhe: Uma só coisa te falta; vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me.”  (Mc 10, 21)

Pe. Kentenich assegura na vocação consagrada é preciso viver livremente “a pobreza a partir da doação a Cristo, mas igualmente a partir do serviço devido aos homens, porque a pobreza também tem caráter apostólico. Deus concedeu-me bens para que eu os distribuía abundantemente, a fim de poder praticar o verdadeiro amor. A pobreza e a pertença a Deus estão interligadas. Elas nos protegem de nos escravizarmos a nós mesmos para servirmos a Deus e aos outros.”

Na Família de Schoenstatt há muitos que são chamados para a vida consagrada, quer seja nas Uniões ou nos Institutos Seculares. Consagram a vida inteiramente a Deus, segundo os conselhos evangélicos, a serviço da missão da Mãe e Rainha de Schoenstatt, em seu Santuário. Bendigamos a Deus por continuar a dirigir o seu olhar e seu chamado de amor e por todos os que vivem com alegria e fidelidade a vocação consagrada.

 

Fontes:

Catecismo da Igreja Católica

Homilia do Papa Francisco em 2 de fevereiro de 2018

Vestição das Noviças das Irmãs de Maria

Chamado por Deus, consagrado a Deus, enviado por Deus -Textos escolhidos do Padre José Kentenich sobre o sacerdócio, compilação de Pe. Pedro Wolf, 2009

A Riqueza do ser puro – compilação de textos do Pe. José Kentenich, por Irmã M. Bonifatia Warth, 3ª Ed, 2001

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