Um Carnaval para transfigurar a nossa realidade

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(Fotos: Cleiton Correa)

 

Tempos difíceis pedem a coragem de cultivar sadias alegrias

Ana Paula Paiva – Não é muito comum falarmos sobre isso, mas o carnaval não é, ontologicamente, uma festa pagã. Às vezes é difícil conceber essa realidade, em especial porque o carnaval atual extrapola qualquer carga simbólica e descamba na vulgaridade e em festas puramente instintivas.

Mas na essência, o carnaval tem origem na preparação para o início da quaresma, que se manifesta como um tempo de penitência, jejum e oração. Evidentemente, o feriado de carnaval não é uma festa litúrgica, mas reconhecer que sua origem não é manifestadamente contrária a fé católica, pode nos ajudar a nos posicionar bem.

Ora, vivenciar o carnaval como preparação para a quaresma é refletir como as alegrias fazem parte da vida, como podem ser experimentadas de maneira saudável e, mesmo assim, reconhecer que jamais, nenhum acontecimento desse mundo nos fará alcançar a verdadeira Alegria que é Cristo, que aguarda nossa conversão sincera, e que concede à Sua Igreja um tempo propício para tal.

A festa de carnaval marca, portanto, o início do tempo litúrgico para a preparação para a Páscoa (que concretamente começa no dia seguinte). Foram os povos e suas culturas que, inadequadamente, passaram a ter no Carnaval a última oportunidade de prazer, e daí os excessos perniciosos da ‘despedida’ do mundo. Mas em si mesmo, o carnaval só nos oportuniza reconhecer que se inicia um tempo litúrgico importantíssimo, e uma oportunidade de santificação imperdível.

Um bom exemplo de como viver adequadamente o carnaval pode ser encontrado nas Missões Familiares (este ano estão acontecendo de modo presencial e virtual no Regional Paraná) de nossa Obra de Schoenstatt. Ao invés de apregoar que toda alegria do carnaval enaltece o mal e o inferno, com os pecados, passa-se todo o feriado refletindo sobre a grandeza do amor de Deus, que é Ele sim, a verdadeira e única alegria, insuperável e verdadeira.

O lema de nossa Obra também parece ser bem conveniente nesse aspecto: Podemos transfigurar a nossa realidade. Podemos ser instrumentos de uma nova cultura. Podemos, com nossa vida de fé e apostolado (silencioso e humilde) iluminar a escuridão dos tempos e manifestar a Glória do Cristo Tabor. O carnaval (como tudo) é mais uma chance.

Assim, para efeito de nossa meditação pessoal, pouco importa que os governos estaduais tenham desistido das festas de carnaval, devido à pandemia. A nossa atitude de meditar sobre nossa limitação, finitude e conversão, como nos lembra a quarta-feira de cinzas, segue pertinente e salutar.

E exatamente por isso devemos bradar, ainda nesse tempo desafiador: Sim, temos carnaval. E teremos quarta de cinzas, e sim, teremos – graças ao Bom Deus e Sua infinita misericórdia – a oportunidade de ter uma quaresma que nos aproxima mais da verdadeira Alegria de Deus.

 

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