Um chamado à educação

Juliana Gelatti Lovato* – O Dia do Professor celebrado ontem, 15 de outubro, faz-nos lembrar dos bons mestres que tivemos em nossa infância e juventude. Talvez recordemos algum ensinamento que marcou nossa vida, ou quem sabe o exemplo autêntico daquele professor que encarnou o ideal da verdadeira educação e soube conduzir seus estudantes em momentos decisivos.

Em Schoenstatt, esse dia também deveria produzir em nós um estímulo bem pessoal, independentemente da profissão que exercemos; afinal, fazemos parte de um “movimento de educação e de educadores”, como dizia o fundador, Pe. José Kentenich.

Em nossas famílias, comunidades e junto a outros ramos do Movimento Apostólico de Schoenstatt, todos somos chamados a exercer um papel pedagógico, conduzindo outras pessoas a conhecerem as verdades da fé, a descobrirem e perseguirem os mais altos ideais, a sermos aqueles exemplos que servem de âncora de esperança diante dos desafios do mundo moderno.

Foi neste espírito que o Pe. Kentenich, quando se viu professor de adolescentes no seminário, sem nunca ter almejado tal profissão, assumiu a tarefa que lhe era confiada. Procurou conhecer seus alunos, seus anseios e dificuldades, criar vínculos, apresentar-lhes ideais elevados, motivar dentro deles aquela força interior que estava adormecida. Queria formar neles “personalidades firmes, livres e sacerdotais”, que perseverassem em meio a uma realidade cada vez mais massificada. Aos poucos, foi delineando o ideal de educador, que mais tarde se consolidou em sua obra.

Hoje, quem busca conhecer o que é a pedagogia de Schoenstatt pode procurar em alguns livros, como “Minha Filosofia da Educação”, que discorre sobre os três princípios fundamentais dessa pedagogia: A Ordem do Ser determina a Ordem do Agir, A Graça não aniquila, mas pressupõe, aperfeiçoa e eleva a natureza (São Tomás de Aquino) e o Amor como lei fundamental do universo (São Francisco de Sales). Em outros livros e documentos também encontraremos as cinco estrelas condutoras: pedagogia do ideal, das vinculações, do movimento, da aliança e da confiança. São formas de tornar eficazes na vida cotidiana os princípios fundamentais da educação em Schoenstatt.

Pedagogia de Schoenstatt na escola

Para além da experiência de educadores que todos somos chamados a exercer desde a juventude, dentro do movimento, em alguns locais esse chamado à educação se orientou para a fundação de escolas. No Brasil, temos escolas em diferentes regiões, principalmente fundadas pelo Instituto Secular das Irmãs de Maria. A mais recente experiência neste sentido é a Escola Mater Educatrix, criada em 2024 por membros de diferentes comunidades de Schoenstatt em Santa Maria/RS.

Desde 2018, casais da União e da Liga de Famílias, juntamente com o Pe. Rodrigo Cabrera, do Instituto dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt, e o apoio das Irmãs e dos Irmãos de Maria, começaram a se reunir para estudar a Pedagogia de Schoenstatt, bem como as experiências e ensinamentos de santos educadores católicos. O objetivo era abrir uma escola que seguisse os princípios do Pe. José Kentenich e, assim como ele ensinou, que fosse uma resposta para os desafios modernos, no que toca a formação de crianças e jovens em nossa sociedade.

A escola se concretizou em 2024, quando foi registrada nos órgãos competentes e deu início às aulas das primeiras turmas, que no total compreendiam cerca de 35 alunos. Os professores já participavam de formação intensiva há alguns anos, o que segue de forma permanente na instituição. No segundo ano letivo, o número de alunos dobrou e, em 2026, contamos com 106 alunos do 1º ao 8º ano do Ensino Fundamental, e já estamos trabalhando para a abertura do Ensino Médio em 2028.

Tudo isso em um ambiente que carrega um legado histórico e espiritual importante: a escola ocupa os prédios que pertencem ao Instituto dos Irmãos de Maria de Schoenstatt, a poucos metros do Santuário Tabor. Nesse local, o venerável Mário Hiriart viveu, durante sua formação como Irmão de Maria, e lecionou, na então Escola Profissional José Engling, que oferecia formação profissionalizante em marcenaria para jovens da cidade. Outro frequentador assíduo do espaço foi o venerável João Luiz Pozzobon, que fazia direção espiritual e mantinha amizade próxima com os irmãos. Nas oficinas hoje remodeladas e transformadas em salas de aula, foram fabricadas as primeiras imagens peregrinas distribuídas às famílias por Pozzobon.

Acolhimento que transforma

Um dos objetivos da Escola Mater Educatrix foi, desde o início, atender as famílias católicas que não encontram em outras escolas a formação integral “do novo homem para a nova comunidade” e oferecer aos alunos um espaço onde possam ser autênticos cristãos, sem receio de se expressarem e exercerem sua fé.

O que percebemos ao longo do tempo é que esse acolhimento dirigido aos alunos e suas famílias atinge também, e sobremaneira, os professores. Educadores com mais ou menos tempo de experiência sonhavam em unir sua fé e seus princípios ao exercício da profissão de educar, mas ainda não tinham encontrado um ambiente propício para isso. Na Mater – como carinhosamente a escola é chamada – demonstram ter descoberto ao mesmo tempo um refúgio e um campo de atuação mais livre e fecundo.

Para alguns, essa descoberta levou a um repensar a própria vocação. Duas professoras decidiram ingressar no Instituto das Irmãs de Maria e no momento se encontram em Schoenstatt para a candidatura. Outros ingressaram na Liga e na União de Famílias. Temos também no quadro profissional integrantes da União Feminina, Liga Apostólica Feminina e Juventude Feminina e Masculina de Schoenstatt.

Nossa escola não é restrita a determinadas famílias ou a católicos. Entretanto, àqueles que nos procuram, oferecemos o que de melhor temos para dar: ensino de qualidade, de acordo com os padrões internacionais, formação moral e religiosa, com princípios firmes de acordo com o Evangelho e com o Magistério da Igreja, os Sacramentos, oração diária e o convívio com professores que são bons exemplos para nossos filhos. O resultado desse trabalho, sabemos, levará anos e talvez décadas para ser percebido na sociedade. Porém, alguns frutos já estão sendo colhidos e motivam a um empenho cada vez maior.

* Juliana Gelatti Lovato é Coordenadora Pedagógica da Escola Mater Educatrix, em Santa Maria, e membro do XXIX Curso da União Apostólica de Famílias de Schoenstatt.

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