Um dia para repousar no coração de Deus

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O Sábado Santo traz consigo um maior anseio de Deus, o desejo de reencontrá-lo. Pe. José Kentenich fala sobre essa “volta ao Pai” na vida diária:

 

Jesus disse: “Saí do Pai e vim ao mundo. Outra vez deixo o mundo e volto para o Pai” (Jo 13,3; 16,28). Tudo aponta para Deus Pai, tudo deve elevar os homens a Deus. Podemos pensar nos anjos e nos santos, em Nossa Senhora, o grande sinal; tudo é para levar os escolhidos ao seu coração.

Isto inclui três coisas:

1. Um anseio veemente e vitorioso. Tudo o que acontece deve despertar um desejo de Deus.
Deus desperta um desejo quando quer nos atrair a si. Nós chamamos a isto um desejo veemente. Não nos sentimos felizes quando tratamos com pessoas que procuram a Deus? Estamos num tempo apocalíptico, daí o desejo veemente. Se Deus nos tira pessoas queridas, se permite que nossas casas desmoronem, o que isso quer dizer? Devemos nos desapegar das coisas, colocá-las em segundo plano e tornar a apegar-nos a Deus. Tantos impedimentos devem ser afastados e todo o nosso ser deve ser mergulhado no infinito.
Tenho esse anseio? Felizes daqueles que o têm! Fome e sede do infinito, anseio por Deus já é realização, é amor de Deus, é posse de Deus.

2. Este anseio vitorioso deve tornar-se um encontro vitorioso com Deus, com o coração de Deus. Isto quer dizer: cada coisa, por mais simples que seja, deve levar-me a Deus. Em todos os acontecimentos colocamos uma escada para nos elevar com o entendimento, com o coração, para encontrar, em toda a parte, Deus, o Deus da vida, no cume dos acontecimentos. Aproveito todas as coisas e todos os acontecimentos para identificar Deus, para falar-lhe com amor, para oferecer-lhe os sacrifícios que Ele espera e exige de mim. Jesus diz: “O Pai poda a videira para que produza frutos” (Jo 15, 2). Devo encontrar o caminho para Deus e, quando estou junto de Deus, também devo sentir-me estimulado a tornar-me fecundo para o Reino de Deus.

Para o coração e para a vida prática:
Talvez conheçamos a seguinte história… O pai de uma criança é médico.
Ele diz ao filho: “Estás doente e deves ser operado”.
“Sim, pai”, diz a criança.
“Deves ser operado sem anestesia”.
“Bem, é o pai que diz, e ele deve saber!”
O bisturi corta, há um murmúrio e uma queixa silenciosa da criança: “Está doendo!” Mas: “Pai, como me amas!”

Se estivermos convencidos de que tudo o que acontece vem do Pai e é uma aceleração da volta ao Pai, teremos uma atitude acertada em todas as situações. Aconteça o que acontecer, sei que tudo está assegurado. É o regresso do filho de Deus a Deus Pai.

3. Se regressarmos, se repousarmos no coração de Deus, é certo que seremos conduzidos a Deus. No meio das dificuldades conduzo ao Pai os que me estão confiados. Eu o faço não só pela inteligência, mas pelo coração, pela vida, pelo amor. E eu sei, da minha parte, que todos os acontecimentos, são uma aceleração da volta, uma condução ao Pai. Se não quisermos ver tudo isso, não esqueçamos o que Jesus disse: “Jerusalém, Jerusalém, como uma galinha reúne os seus pintinhos, eu quis reunir os teus filhos junto de mim e tu não o quiseste!” (Mt 23,37; Lc 13,34).

 

Livro: Cristo minha Vida
Pe. José Kentenich – A Imagem do Homem Católico

 

Foto: Pixabay

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