Um ‘Eclipse chamado Maria’ que revela a luz do Pai

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“Quem é esta que surge como a aurora, bela como a lua” (Cant 6, 10)

Karen Bueno – Em todo o mundo, as pessoas se preparam para acompanhar o mais longo eclipse lunar do século, que acontece nesta sexta-feira, 27 de julho:

 

“El eclipse lunar más largo de todo el siglo XXI tendrá lugar esta noche”
anuncia o jornal espanhol.

“Sans la Lune, les humains n’auraient jamais existé”
(Sem a lua, os humanos jamais poderiam existir)
é manchete na França

“Mondfinsternis des Jahrhunderts – Luna ist eine Projektion”
(Eclipse lunar do século – Lua é uma projeção)
publica um jornal alemão

 

Pe. José Kentenich convidava a descobrir Deus por trás de cada pequeno acontecimento da vida, não perdia uma oportunidade de elevar a mente e o coração ao sobrenatural. Certamente ao contemplar o maior eclipse do século, ele traria reflexões práticas para a Família de Schoenstatt.

“O Pai era muito moderno, via o que acontecia no mundo e conectava com a espiritualidade de Schoenstatt”, narra a Ir. M. Petra Schnuerer. Ela dá um exemplo disso: “E aconteceu a primeira viagem à lua, com a primeira nave espacial. Rapidamente o Pai conectou com Schoenstatt e estudou quão segura deve ser esta nave para resistir à gravidade, para subir e descer… Então ele disse: ‘Nós temos uma cápsula, uma nave espacial, com a qual podemos ir muito mais longe ainda’. Como se chama o primeiro homem que foi à lua? Nossa nave sobe muito mais alto e com mais segurança do que a [nave] de Louis Armstrong. Como se chama a nossa nave? Aliança de Amor! Chegamos até o coração de Deus com esta nave”.

 

Prado do Sol, no brilho do Tabor

A lua, o maior satélite natural da terra, é também o corpo celeste mais brilhante no céu, depois do Sol. Mas, apesar de tão brilhante, ela não possui luz própria: a imagem clara que vemos, ao contemplar o luar, é um reflexo que vem do sol.

Para o Pe. Kentenich, a lua remetia à imagem de Maria. Diversas vezes ele fala de Cristo como o grande Sol – o ‘Sol Tabor’ – e Maria é a lua, que reflete a luz de Cristo e ilumina o mundo. “Ela é comparável à lua, conquanto esta não possui luz própria, mas recebe toda a sua magnificência de Cristo” [1].

 

Ela nos acompanha

Sempre ao olhar para o céu, em dias claros, a lua está ali presente. Ela se encontra em rotação sincronizada com a Terra, acompanhando seus movimentos. Assim também é a Mãe de Deus, sempre presente na vida dos filhos. Como a lua, ela vai de casa em casa visitando os filhos, nos mais diversos cantos onde estejam. É uma luz que ilumina a todos, sem distinção.

Durante cerca de um mês, é possível contemplar o desenrolar das quatro fases lunares: nova, crescente, cheia e minguante. O Pe. José Kentenich diz que isso recorda as diversas fases da vida, as horas de alegria e as horas de dificuldade: “Que quer dizer isto? Tudo o que é transitório… Todos os prazeres deste mundo são passageiros. É claro que podemos gozá-los, mas não devemos esquecer-nos, mesmo na super-satisfação cultural de hoje, que o homem é chamado a morrer, a sofrer, a estar dependurado na cruz. Nenhuma geração e nenhuma cultura podem dispensar-nos dessa tarefa”. [2]

 

Com os olhos no alto e os pés na terra

Esta noite, ao olharmos para a lua, além da bela imagem que o Bom Deus nos presenteia neste eclipse, podemos recordar a Mãe e o brilho de suas graças sobre nós.

Mas, é necessário olhar ao alto com os pés firmes no chão, como dizia o Pai e Fundador em 1959: “Lemos nos jornais sobre os planos para viajar até a lua, ir ao espaço cósmico. Qual é a dificuldade? Contanto que a cápsula espacial esteja na gravidade da terra, tudo está bem. Mas o que acontecerá quando sair para o espaço sideral e cair na gravidade da lua? Compreendemos a figura e podemos aplicá-la em nossas vidas? Estamos afetados pela gravidade do mundo, estamos sob a influência das coisas ao nosso redor. Temos que permanecer sob a influencia do ‘Sol’, que significa, Deus. Quem nos ajudará? O Espírito Santo. Não devo dizer que devemos detestar o mundo e não olhar para ele. O Pai Celeste criou a terra. O mundo veio de Deus. Deveríamos usar e desfrutar as coisas, mas não nos tornar seus escravos”. [3]

 

 

[1] Pe. José Kentenich, Espiritualidade Mariana do Instrumento, Santa Maria/RS: 2000

[2] O Fundador nos fala I – Conferências e alocuções para as Mães Schoenstattianas e a Família de Schoenstatt

[3] Pe. José Kentenich, Que as rosas falem por nós

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