
Celebramos ontem a Ordenação Sacerdotal do Pe. José Kentenich e amanhã lembramos a sua primeira santa missa.
Ir. M. Nilza P. da Silva – Há poucos dias, o Papa Leão XIV disse aos sacerdotes: “Amem esta Igreja, permaneçam nesta Igreja, sejam esta Igreja. Amem o bom Pastor, que não engana ninguém e não quer que ninguém se perca. Rezem também pelas ovelhas desgarradas: que também elas venham, também elas reconheçam, também elas amem, para que haja um só rebanho e um só pastor,” este é o pedido do Papa Leão XIV aos sacerdotes.1
Ele cita dois aspectos que Pe. Kentenich, nosso Fundador, sempre considerou fundamental para sua vida sacerdotal e para toda a Obra de Schoenstatt: O amor a Igreja e o empenho pela sua unidade. “O Pe. Kentenich queria que se escrevesse apenas duas palavras em sua lápide: ‘Dilexit ecclesiam’. Ele amava a Igreja. Esse é o nosso legado e compromisso. Unidos na Aliança de Amor com Maria, queremos servir fielmente a Igreja e ajudar a responder aos desafios e profundas mudanças culturais do nosso tempo”, diz o Pe. Eduardo Aguirre, postulador geral da Causa de Canonização do Pe. Kentenich.
Na lembrança de sua ordenação sacerdotal, ele pediu para imprimir a súplica: “Conceda, oh meu Deus, que todos os espíritos se unam na verdade e todos
os corações no amor”. Oração que não ficou somente na súplica, mas, tornou-se seu empenho diário. Como ensinou também o Papa Francisco, “O sacerdote (deve ser um) vizinho, que caminha no meio do seu povo com proximidade e ternura de bom pastor (e, na sua pastoral, umas vezes vai à frente, outras vezes no meio e outras vezes ainda atrás), as pessoas não só o veem com muito apreço, mas vão mais além: sentem por ele qualquer coisa de especial, algo que só sentem na presença de Jesus” (Papa Francisco) 2
Mais do que “um sacerdote vizinho”, o Pe. Kentenich foi um “sacerdote Pai”. Seu coração tornou-se um Tabor, no qual muitos vivenciam o amor de Deus Pai e podem afirmar: “Deus é amor!” Seu coração sacerdotal atua além de seu tempo e de sua nação! Deus o fez reflexo de seu amor para milhares de pessoas. Por meio de seu amor sacerdotal, muitas pessoas, sacerdotes e leigos, realizam um encontro com Deus Pai. Seu sacerdócio é uma manifestação de Deus Amor que intervém e modifica a vida de muitas pessoas.
Pe. Heinz Dresbach, companheiro do Pe. Kentenich no Campo de Concentração de Dachau, revela que Pe. Kentenich era sempre capaz de ver e valorizar o positivo nas pessoas, mesmo em situações complicadas:
O Senhor Padre (Pe. Kentenich) “vive nos corações e sabe de todos os problemas que eles carregam. Sabe sorrir e o faz muitas vezes, porém, nunca perdendo a profundidade. Sua pessoa sempre irradia uma luminosa alegria, como se percebe em poucos. (…) Com a alegria, ele pôde abrir corações e, muitas vezes, bastava uma palavra sua para produzir um efeito mágico nas pessoas (…)”
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“Em Dachau, havia um sacerdote que reclamava de tudo, até daquilo que o Senhor Padre fazia. Certa vez, disse isso ao próprio Senhor Padre. Este lhe respondeu, do modo mais amigável possível, e lhe deu razão em tudo o que podia. Sempre que o via, o Senhor Padre lhe dirigia palavras bondosas. O amor acolhedor do Senhor Padre transformou esse sacerdote… É admirável como ele se adapta a cada um. Às vezes, com uma simples palavra, toca o coração de uma pessoa e a transforma totalmente.” ²

Muitos encontram o coração paternal de Deus, por meio do Pe. Kentenich, justamente quando vivenciaram seus limites e fracassos. O amor misericordioso de Deus parecia transbordar, por meio do sacerdócio do Pe. Kentenich, para preencher o vazio e o afastamento causados por faltas e pecados.
Ir. M. Annette Nailis narra um exemplo, entre tantos, dessa realidade feliz e transformadora:
“Um sacerdote, quando estudante, era fiel à pessoa e Obra do Pe. Kentenich. Assim continuou também durante os primeiros anos de seu exílio. De repente, se distanciou e até afirmou, aos que conviviam com ele, que não era mais seu discípulo.
Quando Pe. Kentenich voltou, após quatorze anos de exílio, encontrou esse sacerdote desenganado pelos médicos e internado num hospital de outra cidade.
Então, Pe. Kentenich muitas vezes o procurou e dialogou com ele, por telefone. Conta a enfermeira que, pouco antes de sua morte, umas dessas ligações durou mais de uma hora. E o sacerdote faleceu tranqüilo e pacificamente!” ³
O coração sacerdotal do Pe. Kentenich facilita, para muitos, a entrega do próprio coração a Deus e o convívio familiar. Um pai de família, dos Estados Unidos, descreve e seu efeito dos encontros com o Pe. José Kentenich na vida de sua família:
Pe. Kentenich “tornou a nossa vida mais agradável. Ele era para nós um exemplo de bondade, tolerância e paciência. Levava uma vida silenciosa e nunca demonstrava antipatia. Nunca se queixava. Ele nos compreendia. Quanto mais o conhecíamos, tanto mais percebíamos a sua benevolência e a força magnética que ele irradiava. (Muitas vezes) não era necessário dizer nada (…) porque ele lia nossos pensamentos e abria o nosso coração (…) percebia o que estávamos precisando, naquele momento”. 4
No atuar do amor de Deus em seu coração sacerdotal, em sua profunda vida de oração e união com Deus, se encontra a resposta à pergunta que alguém lhe fez, ao terminar uma conversa: “Senhor Padre, como se explica que a gente sempre se despede do senhor melhor do que quando chegou?” 5
Agradeçamos a vida sacerdotal do Pe. Kentenich e reflitamos o que podemos fazer para que em nossa paróquia e comunidade cresça cada vez mais o amor a Igreja e o empenho pela unidade.
Bibliografia:
¹ https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2025-06/papa-discurso-sacerdotes-diocese-de-roma-12-06-25.html
2 HOMILIA DO PAPA FRANCISCO, Santa Missa do Crisma. Basílica Vaticana. Quinta-feira Santa, 29 de março de 2018
3 Luz e Trevas – Dachau – manuscrito – p. 109
4 NAILIS. M. Annette, Padre Kentenich – Como nós o conhecemos, Ed. Pallotti, p. 24
5 MONNERJAHN. Engelbert, P. José Kentenich Uma vida pela Igreja, Ed Pallotti, p. 303¹
6 MONNERJAHN. Engelbert, P. José Kentenich Uma vida pela Igreja, Ed Pallotti, p. 239
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