Vida em família: Quem faz as tarefas de casa?

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(Foto: Felix Prado, via unsplash.com)

 

A complementariedade entre homem e mulher e a participação dos filhos na dinâmica do serviço no lar

Guilherme e Ana Paula Paiva – Nossa casa é parte importante de quem somos. Não apenas a casa espiritual, ou o santuário do coração, mas a nossa casa física, com suas originalidades, estética, disposição e utilização dos cômodos… tudo isso reflete o perfil de nossa família e para o quê damos mais importância ou temos como prioridade.

Quando o Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, nos pede que levemos Maria para nossas casas e lhe demos um local de honra em nossos lares, ele também se refere à importância de que nossa casa física seja ordenada, tendo a Sagrada Família de Nazaré como centro.

A ordem é, portanto, uma virtude de suma importância para aplicar na organização do lar. Não se trata, contudo, dos exageros: não se trata de ter mais (a decoração mais sofisticada, os alimentos mais caros sobre a mesa, etc) ou de expressar o mais caro, imponente, elegante (e nunca bagunçado / ou sempre silencioso e solene como uma catedral) – não se trata, sobremaneira, de expressar o ter, que pode desembocar, se não houver cuidado, não na vivência da virtude, mas no defeito – também caótico – da vaidade e da luxúria.

A ordem, antes disso, se demonstra no experimentar o cuidado do lar – que remete, a propósito de curiosidade, às lareiras gregas, que guardavam o fogo sagrado dos deuses e que era o centro das residências de então. E se nossa casa é lar, é porque o que mais amamos e cuidamos está em seu centro. Poderíamos até nos perguntar: hoje, é a televisão que ocupa o centro de nossos lares ou nossos santuários? (e nos referimos a ele dentro das possibilidades concretas de cada família, evidentemente).

Nosso Pai e Fundador trata do tema da ordem a partir da dimensão dos vínculos. Santo, para nosso fundador, é aquele que busca uma vinculação sadia, harmoniosa e muitas vezes heroica, com Deus, com as pessoas, consigo mesmo e também com as coisas e, portanto, com a própria casa física. Podemos refletir, então, como estamos vivenciando esses vínculos em nossa vida concreta: como é a divisão de tarefas em nossa casa? Como ordenamos nossa vida a partir do que materialmente portamos? Os serviços domésticos são ocasião de exercitar nossa busca pela santidade familiar?

Sabemos que, na atualidade, a divisão de tarefas entre pais e mães e homens e mulheres passou por uma ressignificação, especialmente a partir da entrada da mulher no mundo do trabalho. A mulher, portanto, não é a única a gerir a organização da casa e nem confere, sozinha, atenção e afeto aos filhos, e, por sua vez, ao homem não cabe somente o provimento material e financeiro, mas também uma paternidade presente e partícipe nas ordenações da casa.

O que não foi e nunca será ressignificado pela cultura é, contudo, a essência pensada por Deus para cada um de nós. A mulher, embora não realize (e nem precise!) as atividades práticas sozinha, é o coração do lar – é dela que emana o senso de familiaridade, o espírito de sacrifício, o sentimento de acolhida e de harmonia. A mulher é força para dentro, como lembra Pe. José Kentenich, ao passo que o homem é a força para fora – é dele o ímpeto por cuidado e proteção, pelos desafios, pelo aprendizado da ousadia e da firmeza. As essências masculina e feminina são determinantes para a vivência harmoniosa dos sonhos de Deus para a família, portanto, e ainda que as formas e arranjos mudem, o ideal por detrás permanece o mesmo.

Como é possível notar, somos complementares – homem e mulher, pai e mãe – e essa complementariedade pode ficar muito clara na gestão familiar da casa, dos bens e na educação dos filhos. Nesse sentido, o diálogo do casal e da família (com os filhos) é extremamente proveitoso para fecundar bons vínculos domésticos. É a partir dele que encontramos acordos e combinados conforme a possibilidade concreta de cada um, colocando à disposição de todos (da família) nossas potencialidades e incluindo nossos filhos no processo educativo de cuidado e vínculo com o que temos. Aos pais cabe, portanto, a construção do diálogo, da harmonia e do vínculo e aos filhos o aprendizado (sempre vivenciado) e a participação ativa (conforme a idade) de cuidar com carinho do que Deus nos presenteou.

 

Contribuição do Instituto de Famílias de Schoenstatt

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