Vivemos a herança dos primeiros

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Karen Bueno – A Aliança de Amor é uma semente plantada no dia 18 de outubro de 1914, pela qual o Fundador e os jovens congregados zelam e dedicam todo cuidado e esforço para que floresça e dê muitos frutos. Pe. José Kentenich expressa seu grande anseio durante a fundação de Schoenstatt: “Gostaria de transformar esse lugar num lugar de romarias e de graças para nossa casa, para toda a Província alemã e, talvez, para mais além”.

A expansão da Obra recém-criada é uma ousadia baseada na fé – “Esta ideia é ousada, quase ousada demais para o público em geral, mas não para vós” (Documento de Fundação). Seria possível que um grupo de jovens, no interior da Alemanha, pudesse incendiar o mundo com seus grandes ideais? Schoenstatt de fato seria um lugar de graças para “mais além”?

O primeiro aceno de que esta Obra não nasceu para ficar restrita a um pequeno grupo, mas para ganhar o mundo, vem em maio de 1915. Há cem anos, no dia 30 de maio, o primeiro membro externo, de fora do seminário, é inserido na Congregação Mariana [1]. Este é o primeiro passo para a entrada de muitos outros em Schoenstatt, dos quais a Família Internacional é hoje herdeira.

Desse primeiro membro do Movimento Apostólico de Schoenstatt, seguem outros que tomam parte na missão do Pe. Kentenich. É durante a Primeira Guerra Mundial, nos campos de batalha, que os seminaristas convocados vão difundindo a mensagem da Aliança de Amor, vão atraindo olhares para seu jeito de ser moldado pelas mãos de Maria.

 

Uma grande ajuda

Preocupado com a formação e fidelidade dos jovens, Pe. Kentenich os estimula a formarem grupos de estudo. O primeiro grupo é constituído em janeiro de 1916, com três congregados que recebiam formação militar em Berlim, depois mais dois grupos, um em Andernach e outro em Colônia, se formam nos meses seguintes, porém esses grupos de vida se mantinham apenas até os congregados serem convocados para o front.

A formação desses primeiros schoenstattianos acontecia por meio de cartas trocadas com o Fundador – eram várias correspondências e com conteúdo extenso. Para facilitar e aprofundar a formação dos jovens que estavam na Guerra, em março de 1916 Pe. Kentenich funda a Revista Mater Ter Admirabilis, um grande instrumento da difusão de Schoenstatt em meio à Guerra. “Dentro de poucos meses essa revista alcançou uma divulgação extraordinária. Os primeiros números foram impressos em litografia, com uma tiragem de 200 exemplares. Em meados de agosto de 1916 o Pe. Kentenich comunicou ao presidente da Congregação que, devido à procura, fora aumentada para 300. Em fins de agosto a edição passou a 400 exemplares, em fins de novembro a 600, e no começo do segundo ano, em março de 1917, atingiu a tiragem de 1000 exemplares. Deve-se notar que a revista não era uma leitura amena, superficial, mas exigia a colaboração e o esforço mental de seus leitores” [2].

Com a grande procura pela Revista MTA, que chagava a 2.000 assinaturas, em dezembro de 1917 foi preciso recorrer a uma tipografia em Vallendar e depois a outra maior em Coblença. O conteúdo escrito pelo Pe. Kentenich chama a atenção das pessoas, é algo novo e coerente: “A Mater Ter Admirabilis era lida por outras pessoas fora do círculo schoenstattiano, tornando conhecida a muitos jovens idealistas a Congregação Mariana de Schoenstatt, seus objetivos e seu Santuário. Alguns deles não só quiseram assinar a revista, mas também colaborar ativamente na comunidade da Congregação de Schoenstatt e em sua Organização Externa” [3].

 

A ideia gigante

Quando se afirma que Schoenstatt é “filho da Guerra”, a referência é justamente sobre essa expansão que aconteceu pelos fronts, e, principalmente, pelas incontáveis contribuições ao Capital de Graças que os jovens ofereciam nos campos de batalha – “a grande guerra europeia é meio extraordinariamente proveitoso na obra de vossa santificação” (Doc. De Fundação). A Mãe de Deus utiliza seus pequenos instrumentos para, pouco a pouco, de missionário a missionário, contagiar toda uma nação e posteriormente o mundo inteiro.

Se muitas pessoas se interessavam e queriam saber mais sobre o Santuário e a MTA, é justamente pelo espírito heroico dos primeiros congregados, por sua coerência de vida, por seu jeito de ser. Os jovens eram fiéis à Aliança, e a Mãe de Deus era mais fiel ainda.

Cada ocasião era importante para falar de Schoenstatt, inclusive as férias. José Engling e seus companheiros conterrâneos, Gustavo e Otto, iam aos colégios na Província de Ermeland contando tudo que aprenderam no seminário [4]. Eles sabiam que a missão da MTA era algo grande, e que ela precisava de todo seu esforço para alcançar cada vez mais corações.

Pe. José Kentenich revela, em 1963 quando estava em Milwaukee/EUA, a origem de sua confiança no crescimento da Obra: “O que me moveu interiormente, afinal, a assumir também este objetivo universal, aparentemente impossível, este objetivo tão densamente condensado? […] Para mim é sempre assim: se querem saber a última causa de alguma das coisas que fiz após o ato de fundação, podem sempre responder: foi a fé na Aliança de Amor; foi a silenciosa convicção de que a Mãe de Deus quer e deve glorificar-se, deve glorificar-se também ante o mundo atual” [5].

O Fundador chamava de “ideia gigante” sua intenção de estender o Movimento Apostólico pelo mundo todo – “estendemos as mãos às estrelas, e às estrelas mais altas” [6]. E graças a essa ideia gigante, milhares de pessoas vivem hoje a realidade da Aliança, milhões recebem as graças do Santuário e se tornam santos modernos moldados pelas mãos de Maria. “Estendemos as mãos às estrelas”, e hoje contemplamos o imenso céu da Família de Schoenstatt, um céu onde a Mãe Três Vezes Admirável reina, e tudo isso graças à fidelidade dos primeiros.

 

Referências

[1] Pe. Jonathan Niehaus, Herois de Fogo (Tradução do livro “New Vision and Life – The founding of Schoenstatt”), pág. 365.
[2] Engelbert Monnerjahn, Uma vida pela Igreja, pág. 65.
[3] Engelbert Monnerjahn, Uma vida pela Igreja, pág. 66.
[4] Olivo Cesca, Heroi de duas espadas, pág. 121
[5] Peter Wolf, Tua Aliança, nossa missão, pág. 133.
[6] Peter Wolf, Tua Aliança, nossa missão, pág. 134.

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